Direção reconhece as dificuldades
Publicação: 04 de Setembro de 2010 às 00:00
A direção do Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, em Natal, emitiu na tarde de ontem nota expondo e reconhecendo problemas pelos quais a maior unidade de atendimento às urgências e emergências do Estado vem passando. Superlotação e falta de suprimentos levam as equipes de saúde do hospital a trabalharem no limite da capacidade, afirma a diretoria do Walfredo Gurgel.
Entre os fatores elencados pela direção que corroboram à situação do Walfredo Gurgel está o aumento do número de vítimas de violência urbana. Em um intervalo de quatro dias chegam a ser atendidas mais de 120 vítimas de acidentes de trânsito e ferimentos por arma de fogo e arma branca, somados aos mais de 1 mil atendimentos no Pronto-Socorro Clóvis Sarinho.
O aumento da demanda, segundo a nota, implica em maior consumo de materiais e medicamentos, além da ocupação de leitos. Também ocasiona a utilização de macas nos corredores, como é o caso dos mais de 30 pacientes com trauma ortopédico, situação mostrada em reportagens da TRIBUNA DO NORTE esta semana.
Para a administração do Hospital Walfredo Gurgel, alguns desses pacientes estão em plenas condições de serem transferidos. Mas aguardam a liberação de vagas pelo sistema de regulação do município de Natal. Ainda segundo a nota, diariamente o hospital atende casos que fogem ao seu perfil de suporte à urgência e emergência, e acaba por atender pacientes com ocorrências de baixa e média complexidade e que não encontram assistência na rede básica de saúde.
Outra sobrecarga está relacionada à situação vivida atualmente quanto ao número de pacientes encaminhados para o Walfredo Gurgel, tanto de outros hospitais como de municípios do interior do Estado, para realização de exames de média e alta complexidade. Em agosto foram realizados 5.572 exames de Raio-X, 746 Ultrassonografias e 1.105 tomografias computadorizadas. Uma rotina que sobrecarrega o Serviço de Apoio ao Diagnóstico e Tratamento do HMWG, destaca a administração da unidade.
"O crescimento da procura afeta diretamente a vida útil de nossos equipamentos, que deveriam estar disponíveis exclusivamente para o atendimento dos casos de urgência e/ou de pacientes internados no HWG", afirmam os diretores, que encerram a nota dizendo que não há por parte da direção uma tentativa de justificar os problemas.
A direção esclarece que não há uma regulação externa de leitos. Essa triagem é feita internamente pela Unidade de Gerenciamento de Leitos, no Walfredo Gurgel, e a regulação da urgência e emergência cabe ao SAMU. Uma portaria do Ministério da Saúde estabelece que o contato prévio para transferência de pacientes é obrigação de cada unidade. Mas que raramente a UGV do Hospital Walfredo Gurgel recebe esses contatos.
Mesmo em situação de superlotação, os gestores da unidade afirmam que não deixam de receber pacientes porque "há uma fronteira muito tênue entre deixar de receber por falta de vagas e praticar omissão de socorro.
Reportagens
As reportagens do jornalista Isaac Lira, publicadas nas edições de quarta e quinta-feira desta semana, mostravam as dificuldades encontradas no maior hospital de referência em urgência no RN. Ambulâncias das equipes do Samu enfileiradas às portas do hospital, na última terça-feira, aguardando a liberação de macas; e, na quarta-feira, depoimentos de familiares ou pacientes internados que se sujeitavam a comprar alguns materiais que estavam faltando no Walfredo Gurgel por conta do desabastecimento.
Na quarta-feira (1º de setembro), a equipe de reportagem da TN ouviu médicos e funcionários das equipes de enfermagem, que reconheceram o problema. Naquele dia, havia ao menos 60 pacientes alojados em macas nos corredores, em franca desobediência à decisão judicial do juiz da 2ª Vara da Fazenda Pública, Ibanez Monteiro, expedida no início do ano.