Brasília (AE) - O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, anunciou ontem a suspensão de 100 novos cursos de Direito, cujos pedidos de autorização tramitam na Pasta e a criação de um rígido sistema de avaliação da qualidade do ensino jurídico, a ser construída em conjunto com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que vai resultar no fechamento de dezenas de faculdades e vestibulares da área no País. “Vamos fechar muitos cursos. A política do balcão acabou. Não haverá mais jeitinho e a tolerância será zero com quem não tiver qualidade”, avisou o ministro.
Existem no Brasil, hoje, 1.200 cursos de Direito - com 800 mil alunos matriculados, seis vezes mais que os 200 existentes há vinte anos. Das 220 mil novas vagas oferecidas, apenas 162 mil estão ocupadas. “Há uma ociosidade de 25% na oferta e não há por que abrir novos cursos”, explicou o ministro. Ele ressaltou que a má qualidade do ensino fica demonstrada no elevado índice de reprovação de candidatos ao exame da OAB, que atingiu o recorde de 93% este ano. “O MEC não vai ficar assistindo esse absurdo sem agir. Há necessidade urgente de mudar esse padrão, essa política de expansão sem limites”, enfatizou.
A nova política regulatória vai incluir a valorização do estágio profissional, hoje considerado um “faz de contas”, segundo Mercadante, com a criação dos campos de prática. “O estágio agora será avaliado, rigoroso e pra valer”, disse. O sistema de avaliação para fins de fechamento de cursos terá duas vertentes. Uma deriva da metodologia usada pelo MEC para avaliação dos cursos em geral, como o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), que este ano será adotada na área de humanidades, incluindo o Direito.
Os cursos que tiraram notas abaixo de 3 no Enade, num ciclo de quatro anos, serão punidos com a suspensão e impedidos de aplicar novos vestibulares, conforme explicou o ministro. Entre estes, os que tiverem uma trajetória de notas negativas ficarão proibidos de reabrir em caráter definitivo. Já os que tiraram nota 1 e 2, mas evoluíram, poderão ser reabertos, “se apresentarem um bom projeto que mostre que estão superando suas deficiências”, ponderou.
Outra forma de punição prevista no acordo inclui a análise dos aprovados no exame da OAB. Ou seja: os cursos que, de forma contumaz, não aprovam seus alunos no exame da Ordem, também serão fechados. O ciclo de avaliação, começa este ano. “Serão adotados os mesmos critérios objetivos. Não tem jeitinho: curso de má qualidade fecha mesmo, como aconteceu na medicina e nas engenharias, tanto em instituições privadas como públicas”, garantiu o ministro, lembrando que em 2012 foram fechados 11 cursos em universidades federais.
Mercadante deu as informações, em entrevista, após assinar acordo de cooperação com o presidente da OAB, Marcos Vinícius Furtado, para a elaboração da nova política regulatória do ensino jurídico.
Redações do Enem passarão por pente-fino
São Paulo (AE) - O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, anunciou ontem que as redações do Enem que tirarem a nota máxima (1.000 pontos) nas próximas edições da prova vão passar por mais uma banca, composta por três professores doutores. O objetivo é fazer um “pente fino” no texto. A decisão vem depois da divulgação de redações que receberam nota máxima no último Enem, mesmo com erros graves de grafia, como “trousse” (trouxe), e de concordância verbal, como na frase “Essas providências, no entanto, não deve ser expulsão”.
Segundo Mercadante, a mudança já está sendo discutida por uma comissão de especialistas. Ele afirmou que 2.080 textos tiraram 1.000 pontos no Enem 2012. Além dos erros gramaticais, foram revelados nesta semana textos com desvio do tema e ‘brincadeiras’ que, ainda sim, obtiveram uma boa pontuação. Em um dos casos, o estudante ensinou o modo de preparo de uma receita de macarrão instantâneo. No outro, o aluno escreveu o hino do Palmeiras. As notas dos textos foram 560 e 500, respectivamente. De acordo com Mercadante, as redações com “deboche” passarão a receber nota zero, tratadas como “inserção indevida”.
Na quinta-feira, o presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), Luiz Claudio Costa, anunciou a decisão de mudar o edital do próximo Enem para que redações que contenham brincadeiras sejam zeradas. O órgão ainda vai discutir a adoção de uma grade de correção mais precisa para que a quantidade de erros seja levada em conta na atribuição das notas.
Nos últimos dias foram divulgadas redações com brincadeiras no meio do texto - como um candidato que colocou uma receita de macarrão instantâneo e outro que transcreveu o hino do Palmeiras Apesar disso, conseguiram notas 560 e 500, respectivamente, em uma escala que vai de 0 a 1.000.
Costa defendeu que as avaliações da edição de 2012 foram feitas de modo correto. “O edital diz que só recebe zero o candidato que fugir totalmente do tema. Eles foram penalizados”, diz. O Inep encontrou cerca de 300 redações com inserções indevidas. Participaram este ano 5.692 corretores - 300 foram afastados durante o processo por terem desempenho considerado ruim.
marcello casal júnior
Mercadante promete maior rigor com Enem e faculdades
Mercadante promete maior rigor com Enem e faculdadesExistem no Brasil, hoje, 1.200 cursos de Direito - com 800 mil alunos matriculados, seis vezes mais que os 200 existentes há vinte anos. Das 220 mil novas vagas oferecidas, apenas 162 mil estão ocupadas. “Há uma ociosidade de 25% na oferta e não há por que abrir novos cursos”, explicou o ministro. Ele ressaltou que a má qualidade do ensino fica demonstrada no elevado índice de reprovação de candidatos ao exame da OAB, que atingiu o recorde de 93% este ano. “O MEC não vai ficar assistindo esse absurdo sem agir. Há necessidade urgente de mudar esse padrão, essa política de expansão sem limites”, enfatizou.
A nova política regulatória vai incluir a valorização do estágio profissional, hoje considerado um “faz de contas”, segundo Mercadante, com a criação dos campos de prática. “O estágio agora será avaliado, rigoroso e pra valer”, disse. O sistema de avaliação para fins de fechamento de cursos terá duas vertentes. Uma deriva da metodologia usada pelo MEC para avaliação dos cursos em geral, como o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), que este ano será adotada na área de humanidades, incluindo o Direito.
Os cursos que tiraram notas abaixo de 3 no Enade, num ciclo de quatro anos, serão punidos com a suspensão e impedidos de aplicar novos vestibulares, conforme explicou o ministro. Entre estes, os que tiverem uma trajetória de notas negativas ficarão proibidos de reabrir em caráter definitivo. Já os que tiraram nota 1 e 2, mas evoluíram, poderão ser reabertos, “se apresentarem um bom projeto que mostre que estão superando suas deficiências”, ponderou.
Outra forma de punição prevista no acordo inclui a análise dos aprovados no exame da OAB. Ou seja: os cursos que, de forma contumaz, não aprovam seus alunos no exame da Ordem, também serão fechados. O ciclo de avaliação, começa este ano. “Serão adotados os mesmos critérios objetivos. Não tem jeitinho: curso de má qualidade fecha mesmo, como aconteceu na medicina e nas engenharias, tanto em instituições privadas como públicas”, garantiu o ministro, lembrando que em 2012 foram fechados 11 cursos em universidades federais.
Mercadante deu as informações, em entrevista, após assinar acordo de cooperação com o presidente da OAB, Marcos Vinícius Furtado, para a elaboração da nova política regulatória do ensino jurídico.
Redações do Enem passarão por pente-fino
São Paulo (AE) - O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, anunciou ontem que as redações do Enem que tirarem a nota máxima (1.000 pontos) nas próximas edições da prova vão passar por mais uma banca, composta por três professores doutores. O objetivo é fazer um “pente fino” no texto. A decisão vem depois da divulgação de redações que receberam nota máxima no último Enem, mesmo com erros graves de grafia, como “trousse” (trouxe), e de concordância verbal, como na frase “Essas providências, no entanto, não deve ser expulsão”.
Segundo Mercadante, a mudança já está sendo discutida por uma comissão de especialistas. Ele afirmou que 2.080 textos tiraram 1.000 pontos no Enem 2012. Além dos erros gramaticais, foram revelados nesta semana textos com desvio do tema e ‘brincadeiras’ que, ainda sim, obtiveram uma boa pontuação. Em um dos casos, o estudante ensinou o modo de preparo de uma receita de macarrão instantâneo. No outro, o aluno escreveu o hino do Palmeiras. As notas dos textos foram 560 e 500, respectivamente. De acordo com Mercadante, as redações com “deboche” passarão a receber nota zero, tratadas como “inserção indevida”.
Na quinta-feira, o presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), Luiz Claudio Costa, anunciou a decisão de mudar o edital do próximo Enem para que redações que contenham brincadeiras sejam zeradas. O órgão ainda vai discutir a adoção de uma grade de correção mais precisa para que a quantidade de erros seja levada em conta na atribuição das notas.
Nos últimos dias foram divulgadas redações com brincadeiras no meio do texto - como um candidato que colocou uma receita de macarrão instantâneo e outro que transcreveu o hino do Palmeiras Apesar disso, conseguiram notas 560 e 500, respectivamente, em uma escala que vai de 0 a 1.000.
Costa defendeu que as avaliações da edição de 2012 foram feitas de modo correto. “O edital diz que só recebe zero o candidato que fugir totalmente do tema. Eles foram penalizados”, diz. O Inep encontrou cerca de 300 redações com inserções indevidas. Participaram este ano 5.692 corretores - 300 foram afastados durante o processo por terem desempenho considerado ruim.