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Natal, 12 de Fevereiro de 2012 | Atualizado às 01:56

Discussão sobre royalties vai desaguar no Supremo, diz tributarista

Publicação: 14 de Maro de 2010 às 10:07
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Brasília - A redistribuição para todo o país de royalties provenientes da exploração do petróleo, aprovada pela Câmara, promete ainda muita polêmica. O tributarista Ives Gandra da Silva Martins aposta que, qualquer que seja o caminho adotado para mudar a forma atual de distribuição, a discussão necessariamente vai desaguar no Supremo Tribunal Federal (STF).

Apesar de concordar com a distribuição de royalties para todo o país, Gandra considera que a Emenda Ibsen, como ficou conhecida, que prevê a distribuição dos royalties para todos os estados e municípios brasileiros, utilizando o critério do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e do Fundo de Participação dos Estados (FPE), fere a Constituição.

"Pessoalmente, considero a medida justa, mas ela é inconstitucional. Eu tenho a sensação que riquezas nacionais deveriam ser divididas por todo o país. Mas a Constituição declara no Artigo 20, claramente, que a riqueza pertence aos municípios onde as riquezas vão ser exploradas e, por essa razão, só por uma emenda constitucional [PEC] poderia se alterar isso. Da forma como foi colocada, por meio de legislação, não por uma PEC, tenho a impressão que o presidente vai vetar por ser inconstitucional. Fere o Artigo 20 da Constituição", explicou.

A nova redistribuição retira recursos dos principais produtores de petróleo - Rio de Janeiro, Espírito Santo e São Paulo - em favor dos demais estados e municípios. A proposta, aprovada na Câmara na última quarta-feira (10) por 369 a 72, com duas abstenções, abrange a distribuição dos royalties do petróleo em todo país, incluindo a extração da camada pré-sal.

A emenda prevê que os royalties sejam divididos entre estados e municípios - metade para cada -, seguindo ainda as porcentagens de divisão dos fundos de participação dos estados e dos municípios (FPE e FPM). A receita do Espírito Santo, por exemplo, passaria de pouco mais de R$ 313 milhões, obtida em 2009, para R$ 157 milhões. A do Rio de Janeiro cairia de R$ 4,9 bilhões para R$ 159 milhões.

Ainda que seja por meio de uma PEC, o tributarista Ives Gandra acredita que a questão terá que ser decidida pelo Supremo porque toca no chamado pacto federativo. "Muitos alegarão que isso fere o pacto federativo. Como no Artigo 60, Parágrafo 4º da Constituição a Federação é intocável, muitos alegarão que haverá um ferimento, uma mácula na Constituição. Haverá um questionamento dos que defendem a impossibilidade de mudança de quaisquer dos fundamentos da atual Federação", explicou o tributarista.

O ponto de questionamento, para Gandra, será a autonomia financeira dos municípios produtores. O pacto federativo garante a todos os entes federados a chamada tríplice autonomia, ou seja, autonomia política, financeira e administrativa. Os municípios produtores vão alegar que houve uma redução da sua autonomia financeira com a mudança", aposta.

"Eu, particularmente, entendo que o que a Constituição proíbe é que se elimine o pacto federativo, que se elimina a Federação, e não que ela [a Federação] não possa ganhar perfil diferente de acordo com a própria mudança, com os desafios do século, com as necessidades de readaptação do país a essa economia centralizada, globalizada e, ao mesmo tempo, as reformulações conceituais que representam hoje o conceito de soberania, com formação de blocos regionais", opinou.

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comentários

oliveiraisaac@...14/03/2010 @ 12h03
Sou plenamente a favor da redistribuição dos royalties de petróleo para todos os estados e municípios do Brasil. Entretanto, concordo quem defenda uma maior parcela para os municípios produtores pois sofrem os maiores impactos diretamente. Agora, se for para manter esta forma de distribuição e ver cidades como Macaé-RJ e Campos-RJ que recebem as maiores fatias e que estão completamente entregues ao relento, com investimentos mal feitos e cheio de escândalos envolvendo políticos que não fazem absolutamente nada em prol a população, tem que distribuir para todo o país mesmo e de forma igualitária. Quando fizeram campanha "O Petróleo é Nosso" contaram com o apoio de todo o Brasil, mas na hora de dividir alegam que o petróleo é somente dos estados produtores. O governador do Rio foi diversas vezes a imprensa falar que se redistribuirem a copa e as olimpiadas estarão comprometidos. A maior parte dos investimentos para estes jogos vem do governo federal e de empresas privadas. Tenho absoluta certeza que distribuindo para todos, o Brasil irá se desenvolver melhor, tornando a vida de todos muito melhor.
Tribuna do Norte