Por determinação do Sinpol (Sindicato da Polícia Civil) nenhuma Delegacia recebe mais presos até que a governadora do Estado Wilma Maria de Faria receba a categoria para uma audiência. A expectativa da classe trabalhadora é que Wilma de Faria determine a retirada imediata dos presos das DPs. Enquanto a audiência não entra na pauta da governadora, a decisão tomada na manhã de quarta-feira (18), durante assembléia, no Sinpol, está sendo cumprida à risca.
Marcelo Barroso
Natal sofre com a superlotação das delegacias
A reportagem da TRIBUNA DO NORTE percorreu na tarde de ontem algumas distritais e verificou que, apesar da categoria continuar trabalhando, os presos não estão sendo recebidos nas unidades policiais. Na 7ª DP, no bairro das Quintas, na 4ª DP, em Mãe Luiza, na 3ª no Alecrim e na 2ª DP em Brasília Teimosa os policiais afirmam que estão cumprindo a determinação do sindicato.
A situação encontrada nas Delegacias é a mesma de sempre. Celas abarrotadas de presos, lixo e descaso. Na 7ª DP, em apenas três celas estão presos 59 homens. Na 4ª estão 39 detentos, em apenas duas celas. Na distrital, a situação está caótica, o lixo toma grande parte do corredor que dá acesso as celas. Os presos reclamam do mal cheiro, do excesso de homens amontoados e da quantidade de lixo que não é retirado do local há dias. Já no bairro do Alecrim e em Brasília Teimosa a situação não é muito diferente.
Na 3ª estão detidos 30 presos, em duas celas e na 2ª são 31 homens também divididos em duas celas.
Com receio de represálias por parte da Delegacia Geral da Polícia Civil, os agentes de polícia preferem não se identificar, mas concordam com a decisão tomada na assembléia e prometem não aceitar mais nenhum preso nas unidades.
RotinaMesmo com a determinação do Sinpol em não aceitar mais presos nas Delegacias, as investigações e diligências continuam. Na 3ª DP, por exemplo, os policiais trabalham normalmente. "Estamos fazendo até campana. Aqui ninguém parou de trabalhar Somente na próxima semana faremos uma paralisação de advertência", diz um policial.
Secretário de segurança se diz a favor dos policiais civisO secretário de Segurança Pública e Defesa Social, Agripino de Oliveira Neto afirma que é a favor da classe trabalhadora e que hoje às 10 horas vai se reunir com representantes da Sejuc (Secretária de Justiça e Cidadania) e o Ministério Público, na Corregedoria da Justiça para definir o que deverá ser feito diante da decisão do Sinpol. "O pleito dos policiais é justo. O maior problema que enfrento hoje não é meu. É da Sejuc. Presos é problema é deles".
Agripino diz também que não tem onde colocar os presos. "Eu não sei mais onde colocá-los. Não quero ficar com eles e não tenho estrutura para isso. Dá forma que se encontra não dá mesmo para continuar. Quero definir está situação hoje".