Yuno Silva - Repórter
Uma mobilização incomum raramente vista em outras cidades brasileiras toma conta de Natal neste 14 de março, onde há quase quatro décadas se comemora o Dia Nacional da Poesia. Em poucos lugares do país a programação é tão extensa, intensa e promovida com apoio do poder público. A data, criada em homenagem ao nascimento do poeta-abolicionista baiano Castro Alves (1847-1871), será celebrada na capital potiguar com presença do experiente poeta amazonense Thiago de Mello, e do músico e compositor pernambucano Lirinha, também escritor e poeta e eterno ex-Cordel do Fogo Encantado que desde 2011 segue carreira solo.
Lirinha participa do tradicional café da manhã oferecido pela Fundação Capitania das Artes a partir das 9h, já Thiago de Melo conversa com o público a partir das 10h na Pinacoteca do Estado – nas duas ocasiões o palco estará aberto à intervenções poéticas. Outras atividades ainda se espalham da UFRN até o Beco da Lama, passando pelo restaurante do Sesc-RN na Cidade Alta e Parnamirim (ver programação na página 4 desta edição).
Aos 86 anos, Thiago de Melo conversou com o VIVER no hotel onde está hospedado na Via Costeira e disse que aceitou o convite para vir ao RN para “mostrar a importância da poesia, da leitura da poesia e da poesia na vida de uma pessoa”. Ele adiantou que pretende ouvir mais do que falar e, principalmente, conhecer os jovens escritores. Durante sua palestra-recital, irá prestar homenagem a Zila Mamede, de quem teve “a alegria de publicar um livro na década de 1950 com uma tiragem pequena para poucos, edição artesanal”.
Esta é a quarta vez de Mello no Estado, e em sua passagem anterior foi recebido por ninguém menos que Luís da Câmara Cascudo ainda no início dos anos oitenta. “Sempre fui tratado com muito carinho”, recorda. O poeta amazonense lembra que em outra ocasião esteve por aqui acompanhado do escritor paraibano José Lins do Rego (1901-1957).
Thiago de Mello garante não existir “poema processo, lírico ou concreto, só existe poesia”. Também acrescenta que se faz muita confusão entre poema e poesia: “O sujeito não escreve poesia e sim um poema, inclusive há poemas sem poesia alguma”, observa. Criticou o movimento concretista, “que acabou com o sentimento e o verso” e ainda se surpreende quando reclamam por um poeta cobrar cachê para se apresentar. “Durante muitos anos falei aos novos autores para não pagar suas edições nem falassem de graça, não dessem palestras nem recitassem de graça. Por quê pagam aos músicos? Não há diferença entre as artes”.
Intimidade informal
José Paes de Lira, o Lirinha, desembarca em Natal trazendo na bagagem o livro “Mercadoria e Futuro”, de 2007. Empolgado com o convite, ele vai pinçar trechos do livro e apresentar textos ainda inéditos que poderão constar em seu próximo projeto editorial – planejado para este ano. “No meio disso, relembro poemas que fizeram parte da minha história e outros que ainda não disse ou li em Natal”, contou o artista por telefone. Lirinha acredita que “esse tipo de encontro aprofunda minha relação com o público por conta dessa proximidade informal”. Não há nada musical programado, mas nada impede de algumas “récitas terem movimentos musicais”.
Poeta, ator, cantor e compositor, o pernambucano recorda que na adolescência – entre 14 e 18 anos – circulou pelo RN em festivais de violeiros e repentistas: “Foi a forma de poesia que mais me influenciou no início da carreira. Bem antes do Cordel do Fogo Encantado, fazia viagens para prestigiar festivais de violeiros: fui a Touros, Mossoró e Natal, viajei muito com um violeiro daí chamado Severino Ferreira, já falecido, e Zé Luiz, jovem poeta que não seguiu carreira”. Lirinha disse que Natal sempre esteve no seu caminho, nas turnês da época do Cordel. “teve uma vez que passei por aí durante a caravana do Seis Bonecos e ficamos uma semana na cidade. Pude perceber uma coisa literária ativa e acesa”.
Colaborou: Cinthia Lopes (editora)
Confira vídeos de outros poemas declamados por Cláudia Magalhães, Drika Duarte e Rodrigo Bico
Uma mobilização incomum raramente vista em outras cidades brasileiras toma conta de Natal neste 14 de março, onde há quase quatro décadas se comemora o Dia Nacional da Poesia. Em poucos lugares do país a programação é tão extensa, intensa e promovida com apoio do poder público. A data, criada em homenagem ao nascimento do poeta-abolicionista baiano Castro Alves (1847-1871), será celebrada na capital potiguar com presença do experiente poeta amazonense Thiago de Mello, e do músico e compositor pernambucano Lirinha, também escritor e poeta e eterno ex-Cordel do Fogo Encantado que desde 2011 segue carreira solo.
Emanuel Amaral
poetas de várias gerações e escritas vão ao encontro dos leitores neste 14 de março. Na Funcarte, a atração é lirinha. Na pinacoteca , o poeta internacional Thiago de Mello
poetas de várias gerações e escritas vão ao encontro dos leitores neste 14 de março. Na Funcarte, a atração é lirinha. Na pinacoteca , o poeta internacional Thiago de MelloLirinha participa do tradicional café da manhã oferecido pela Fundação Capitania das Artes a partir das 9h, já Thiago de Melo conversa com o público a partir das 10h na Pinacoteca do Estado – nas duas ocasiões o palco estará aberto à intervenções poéticas. Outras atividades ainda se espalham da UFRN até o Beco da Lama, passando pelo restaurante do Sesc-RN na Cidade Alta e Parnamirim (ver programação na página 4 desta edição).
Aos 86 anos, Thiago de Melo conversou com o VIVER no hotel onde está hospedado na Via Costeira e disse que aceitou o convite para vir ao RN para “mostrar a importância da poesia, da leitura da poesia e da poesia na vida de uma pessoa”. Ele adiantou que pretende ouvir mais do que falar e, principalmente, conhecer os jovens escritores. Durante sua palestra-recital, irá prestar homenagem a Zila Mamede, de quem teve “a alegria de publicar um livro na década de 1950 com uma tiragem pequena para poucos, edição artesanal”.
Esta é a quarta vez de Mello no Estado, e em sua passagem anterior foi recebido por ninguém menos que Luís da Câmara Cascudo ainda no início dos anos oitenta. “Sempre fui tratado com muito carinho”, recorda. O poeta amazonense lembra que em outra ocasião esteve por aqui acompanhado do escritor paraibano José Lins do Rego (1901-1957).
Thiago de Mello garante não existir “poema processo, lírico ou concreto, só existe poesia”. Também acrescenta que se faz muita confusão entre poema e poesia: “O sujeito não escreve poesia e sim um poema, inclusive há poemas sem poesia alguma”, observa. Criticou o movimento concretista, “que acabou com o sentimento e o verso” e ainda se surpreende quando reclamam por um poeta cobrar cachê para se apresentar. “Durante muitos anos falei aos novos autores para não pagar suas edições nem falassem de graça, não dessem palestras nem recitassem de graça. Por quê pagam aos músicos? Não há diferença entre as artes”.
Intimidade informal
Divulgação
Mais ligado às novas gerações, o poeta e músico José Paes Lira diz ter percebido uma coisa literária ativa e acesa no RN
Mais ligado às novas gerações, o poeta e músico José Paes Lira diz ter percebido uma coisa literária ativa e acesa no RNJosé Paes de Lira, o Lirinha, desembarca em Natal trazendo na bagagem o livro “Mercadoria e Futuro”, de 2007. Empolgado com o convite, ele vai pinçar trechos do livro e apresentar textos ainda inéditos que poderão constar em seu próximo projeto editorial – planejado para este ano. “No meio disso, relembro poemas que fizeram parte da minha história e outros que ainda não disse ou li em Natal”, contou o artista por telefone. Lirinha acredita que “esse tipo de encontro aprofunda minha relação com o público por conta dessa proximidade informal”. Não há nada musical programado, mas nada impede de algumas “récitas terem movimentos musicais”.
Poeta, ator, cantor e compositor, o pernambucano recorda que na adolescência – entre 14 e 18 anos – circulou pelo RN em festivais de violeiros e repentistas: “Foi a forma de poesia que mais me influenciou no início da carreira. Bem antes do Cordel do Fogo Encantado, fazia viagens para prestigiar festivais de violeiros: fui a Touros, Mossoró e Natal, viajei muito com um violeiro daí chamado Severino Ferreira, já falecido, e Zé Luiz, jovem poeta que não seguiu carreira”. Lirinha disse que Natal sempre esteve no seu caminho, nas turnês da época do Cordel. “teve uma vez que passei por aí durante a caravana do Seis Bonecos e ficamos uma semana na cidade. Pude perceber uma coisa literária ativa e acesa”.
Colaborou: Cinthia Lopes (editora)
Confira vídeos de outros poemas declamados por Cláudia Magalhães, Drika Duarte e Rodrigo Bico