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Natal, 11 de Fevereiro de 2012 | Atualizado às 16:31

Empresa diz que laudo é suspeito

Publicação: 06 de Fevereiro de 2010 às 00:00
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A Construtora CTE Engenharia LTDA, responsável pelo empreendimento Flat da Vila (também denominado Costa Brasilis), distribuiu nota ontem acerca da anulação do alvará de construção da obra, onde questionou a validade do estudo da UFRN utilizado pelo Ministério Público como principal argumento contra a construção do Flat. De acordo com o diretor Rogério Torres, que assina a nota, o laudo é "desonesto" e "suspeito" por analisar os cinco espigões da área em conjunto. Para Rogério, o Costa Brasilis sozinho não provocaria nenhum impacto na vista do Morro do Careca. "O MP deveria contratar uma universidade de renome nacional isenta, como por exemplo, USP, Unicamp e Unb", diz a nota.

Junior SantosIvonildo diz que empresa deveria se limitar aos aspectos técnicosIvonildo diz que empresa deveria se limitar aos aspectos técnicos
A reportagem da TRIBUNA DO NORTE procurou um dos professores responsáveis pela perícia - Paulo Nobre, do Departamento de Arquitetura - que afirmou que não responderia à declaração da CTE Engenharia. "Só respondemos ao Ministério Público, que foi quem contratou a perícia", disse. Contudo, o reitor Ivonildo Rego afirmou que a UFRN é líder em pesquisa em diversas áreas do conhecimento e tem tanta respeitabilidade quanto as outras universidades citadas no texto (USP, Unicamp e UnB). "É um ato de desespero agredir a Instituição. Deveriam se limitar a aspectos técnicos do estudo", diz, acrescentando que os professores contratados são responsáveis pelo estudo. "Falo apenas pela instituição", ressalva.

 Na nota distribuída à imprensa, a CTE Engenharia também informou que irá à Justiça para reaver o direito de construir o empreendimento Flat da Vila (também denominado Costa Brasilis), caso não seja indenizada por danos materiais e morais. Diz um trecho: "Afirmamos que se a Prefeitura pretende realmente proibir a construção de nosso prédio deverá indenizar a CTE Engenharia por todos os danos materiais e danos morais causados pelos seus atos, caso contrário iremos até as últimas consequências para exigir o cumprimento da lei, iremos ao STJ ou STF, caso seja necessário, e construiremos esse empreendimento gerando empregos e renda para cidade de Natal".

Entre os argumentos utilizados por Rogério Torres estão: a insegurança jurídica gerada pela decisão da Prefeitura; a posição do Ministério Público, classificada de "oportunista"; além da suspeição do estudo da UFRN. A avaliação da empresa é que a Prefeitura não suportou a "pressão do Ministério Público" e "mudou de opinião em menos de 24h" após ser levada a um "erro de avaliação" pelo MP e pelo estudo da UFRN.

A questão da insegurança jurídica é abordada por Roberto Pereira a partir do resgate da "história" da polêmica. A Semurb liberou a construção dos  cinco espigões - o Costa Brasilis incluso - e depois, a partir de um decreto, a Prefeitura suspendeu a licença. "A insegurança jurídica impera, quem vai investir numa cidade que concede um alvará de construção dentro da legislação vigente e um ano depois chama o construtor e diz: desculpe, foi um engano, vamos cancelar seu alvará porque faltaram alguns documentos, mas você pode solicitar novamente apresentando mais esta lista de dezenas de documentos", afirma.

Contudo, a empresa tentou novamente obter a licença, que, mais uma vez, foi concedida pela Semurb e pelo Complan. Pouco depois, a Prefeitura novamente "muda de idéia" e anula o alvará de construção. "O alvará esta totalmente dentro da lei. É preciso resgatar a segurança jurídica indispensável para atrair os investidores para viabilizar a Copa do Mundo. A empresa lamenta a decisão da prefeita de Natal, Micarla de Sousa (...)", prossegue.

Mais uma vez, a relação dos empreendedores com o Ministério Público saiu arranhada. "Infelizmente entidades que deveriam estar preocupadas verdadeiramente com o meio ambiente, defendendo investimentos em saneamento básico, evitando a contaminação do lençol freático de Natal , e proibindo os esgotos jogados nas belas praias de Natal, por exemplo, procuram se promover montando uma farsa com o apoio de entidades que se dizem ambientalistas", encerra.

Decreto

Ontem, a Prefeitura de Natal publicou a revogação do decreto no. 8090/2006 e definiu que os pedidos de licenciamento para a Vila de Ponta Negra deve seguir estritamente o Plano Diretor. Isso, na prática, anulou as possibilidades de permissão administrativa, por parte da Semurb, para a construção de qualquer um dos espigões de Ponta Negra. O imbróglio também está na Justiça.

A reportagem da TRIBUNA DO NORTE entrou em contato com o juiz da 1a. Vara da Fazenda Pública, Virgílio Fernandes, que cuida de um dos processos relativo aos "espigões", do Villet del Sol, no caso. Ele disse que o decreto da Prefeita é um novo elemento a ser analisado no processo. "Não posso me pronunciar a respeito, por estar julgando essa questão. Mas esse decreto é uma nova variável a ser considerada", diz. O processo do Costa Brasilis foi extinto, a pedido da própria CTE Construtora. "Quando houve a liberação administrativa, eles pediram a desistência do processo", afirma.

No canteiro de obras do Costa Brasilis, não havia movimento na manhã de ontem. Segundo funcionários, ainda não havia sido retomada a construção, o que estava marcado para o dia 15 de fevereiro.

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comentários

nerivanj@...06/02/2010 @ 11h43
realmente fica divicil investir em Natal, você pode ter uma licença concedida, depois de gastar uma certa quantia vem o mp Público e embarga a obra, quem vai arriscar, e os investidores p a copa do mundo será que vão arriscar?
luisneto13@...06/02/2010 @ 10h38
Parabens para o MP e para a prefeita que acatou as recomendações da pericia. "Quando o último rio tiver secado, Quando o último peixe for pescado, Vocês vão entender que o dinheiro não se come".
ubelo@...06/02/2010 @ 11h26
Indignação. Esta é a palavra para definir a declaração de um tal de Rogério das quantas de uma tal de CTE Engenharia. Qume é o Rogério e quem é a CTE? não conheço, nunca vi em nenhuma reportagem a não ser que estavam agredindo Ponta Negra. Não entro no mérito da questão da construção, mas agredir a UFRN que me formou e permitiu o meu desenvolvimento, não ia deixar passar. Se esse cara, senhor seria muito formal para o indivíduo, pretendia que a população ficasse ao seu lado, agora perdeu de vez. Não acredito que ninguém, formados na UFRN, concorde com tamanho racismo. Não tenho nada contra USP e outras citadas que são grandes instiutições e que TAMBÉM forma grandes profissionais, mas a afirmação é cheia de preconceito desnecessário. Vê-se claramente o despreparo dessa empresa sem renome nacional, que provavelmente não conhecia a legislação e suas implicações, nem tem um diretor decente que pelo menos seja preparado para dar entrevistas. Rogério, seria melhor voce se calar e deixar alguém competente discutir essa questão no âmbito da justiça, que é o local apropriado para essa discussão. Não dê mais opinião sobre copa do mundo, empregos, investidores, etc, que parece que não é sua área. Limite-se ao seu problema, que já é grande demais para o seu nome, acho.
ed340ms@...06/02/2010 @ 08h43
Prefeitura tentou colocar uma laje tumular sobre os Espigões. O que estamos presenciando são os comentários do velório e o debate do suposto espólio. Em beneficio da Lei da educação ambiental caberia a Prefeitura promover um esclarecedor debate, a exemplo do Fórum Técnico do CREA ? RN, no qual Copa 2004, no qual surgiram iluminações vitais ao empreendimento da FIFA, mas que a SEMURB não as acatou. Atingir a nossa UFRN é distanciar-se da tese de defesa. Observemos: A "licença prévia" não gera direitos para o requerente, mesmo que tenha despendido recursos com o planejamento da obra ou da atividade. Trata-se, repita-se, de fase de estudo em que não há engajamento definitivo da Administração pública com o pedido. Além disso, quando o projeto comportar o estudo de impacto ambiental , qualquer decisão precipitada da Administração pública licenciando antes do RIMA é nula, e a nulidade pode ser pronunciada pela própria Administração pública ou pelo judiciário.". MACHADO, Paulo Affonso Leme. Direito Ambiental Brasileiro. Malheiros Editores, 6 ª edição. 1996, pag. 180.
ed340ms@...05/02/2010 @ 23h29
Observemos a Lei no. 6950, de 20 de agosto de 1996. Dispõe sobre o Plano Estadual de Gerenciamento Costeiro e dá outras providências. ?Art. 20. São áreas de preservação, os ecossistemas frágeis que compõem a Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, tais como:I - as dunas, com ou sem cobertura vegetal; § 1º. As atividades potencialmente degradadoras a serem desenvolvidas nessas áreas, deverão ser, obrigatoriamente, objeto de licenciamento ambiental pelo órgão estadual competente, cabendo, quando for o caso, o Estudo de Impacto Ambiental. § 2º. O licenciamento das atividades será realizado com base nas normas e critérios estabelecidos no Zoneamento Ecológico-Econômico, sem prejuízos das demais normas específicas federais, estaduais e municipais.? Fica esclarecido a incompetência da SEMURB para licenciar os espigões de Ponta Negra localizados na área de influência das dunas, principalmente sem a observância do preceito constitucional (Art. 225, da CF).
joseanpierre@...06/02/2010 @ 15h33
A UFRN é referencia nacional na área das engenharias, acho que a UFRN deveria acionar a justiça federal e dar um belo "cale a boca" nesse povo que so pensa em dinheiro. Chega de tudo isso. Ponta Negra, atualmente, nem parece mais pertencer aos natalenses. Imagine com essas liberações absurdas que alguns teimam em insistir
risfilho@...06/02/2010 @ 17h43
Sou solidário ao Reitor,prof. Ivonildo Rego, e professores da UFRN. Achei muito infeliz a nota da empresa em querer desqualificar uma Instituição séria e respeitada. Vivemos em um país democrático e cabe a empresa, que se diz prejudicada, buscar judicialmente seus direitos. Todavia, não cabe a ela, CTE Construtora, num ato de tempestade, querer desconstruir a história de uma Instituição de elevada contribuição, QUER SEJA NO ENSINO, NA PESQUISA E NA EXTENSÃO, para o desenvolvimento do RN.
sademar.dias@...06/02/2010 @ 20h11
É bom este tal de Rogério Torres - diretor desta empresa CTE - puxar o carro e se conformar com a decisão da Prefeitura. Cobre a indenização do que foi gasto lá e pronto. Aproveita e vai par o RJ construir no morro do Corcovado, antes venda os aptos para os gringos na planta. Este cara é um forasteiro na nossa cidade, respeite o nosso povo e vc sabe que obra dá emprego sazonal, acabou a peãozada é dispensada, não venha com essa de gerar varios empregos. Mesmo com este disse mim disse, a PMN esta de parabéns.
anita.dias@...07/02/2010 @ 23h54
Fiquei indignada com essa nota. O preconceito contra a UFRN ficou claro. Isso só mostra as verdadeiras intenções desses empresarios que só pensam no dinheiro e não estão nem aí para o meio-ambiente ou para a população local. Se está cheio de boas intenções, então que vá construir no topo do Morro da Urca no Rio de Janeiro. Quem sabe a USP, Unicamp ou UnB, aprovam o projeto.
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