Empresários esperam mudanças após a Rio+20

Publicação: 2012-06-10 00:00:00 | Comentários: 0
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A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, será realizada de 13 a 22 de junho de 2012, na cidade do Rio de Janeiro e, para o empresariado, o evento serve de impulso para aumentar o envolvimento com os temas da sustentabilidade, por parte dos  consumidores, do próprio governo  e das empresas. Essas e outras conclusões fazem parte da pesquisa “Desenvolvimento sustentável no Brasil – Das visões do empresariado às práticas das organizações”, realizada pela consultoria Deloitte com gestores de 108 organizações, de todos os portes e setores, que faturam juntas R$ 700 bilhões.
Marcelo Fonseca-Brazil Photo PressPreparativos para a Rio+20:  A Conferência terá eventos paralelos, como a cúpula dos povos, que ocorrerá no Aterro do Flamengo.Preparativos para a Rio+20: A Conferência terá eventos paralelos, como a cúpula dos povos, que ocorrerá no Aterro do Flamengo.

A pesquisa mostra que dos aspectos a serem discutidos na conferência, o empresariado acredita que os que trarão maior impacto à gestão de suas organizações, após o evento, serão a adoção de novas tecnologias (20% dos apontamentos), a implantação de certificações e auditorias (19%), a racionalização do uso de recursos naturais, com o emprego de matérias-primas e insumos (16%) e a necessidade de aderência a regulamentações na área ambiental (14%).

Para transformar as questões a serem discutidas na Rio+20 em ações concretas, as alternativas mais assinaladas pelo empresariado indicam para a necessidade de definir metas claras a serem cumpridas (item indicado por 30% dos respondentes) e definir sanções legais a países e empresas que não cumprirem as metas (também 30%).

Quase metade dos empresários entrevistados (45%) acredita que a Conferência contribuirá para acelerar as discussões em curso. Enquanto isso, o mesmo percentual de respondentes aposta que a conferência não trará mudanças significativas. Os restantes, 10% dos entrevistados, têm visões também distintas, que vão da aposta no evento para promover grandes transformações, até a possibilidade de que ocorra um retrocesso nas negociações globais.

CONHECIMENTO

A pesquisa identificou que 94% dos entrevistados apresentam algum grau de conhecimento sobre a Rio+20. O Protocolo de Kyoto, por sua vez, é o acordo pelo desenvolvimento sustentável mais conhecido do empresariado brasileiro. Quase a totalidade (98%) dos entrevistados indica ter algum nível de conhecimento sobre o tratado que estabeleceu, em 1997, o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), prevendo a redução da emissão de gases de efeito-estufa em países industrializados e o incentivo a projetos ambientalmente sustentáveis em todo o mundo.

Para Lucilene Batista, gerente sênior da área de Consultoria Ambiental e Sustentabilidade da Deloitte, “essa visão do empresariado se explica pelos impactos que o Protocolo de Kyoto exerceu na própria estratégia de muitas empresas e no mercado como um todo. “Ele foi fundamental para motivar o desenvolvimento da energia eólica, por exemplo”.

Ela lembra também que o Brasil teve papel pioneiro no desenvolvimento de projetos sustentáveis, conforme previsto pelo Protocolo, tanto pela iniciativa privada quanto governamental. “As organizações brasileiras entendem hoje a importância de se discutir as melhores soluções para o desenvolvimento sustentável, especialmente num contexto em que os agentes de negócio se voltam para a construção de uma economia verde, um dos temas centrais da Rio+20. No entanto, o avanço do mercado e da sociedade nessa direção dependerá de definições muito claras e objetivas, tempo de transformação, incentivos, fiscalização e métricas que permitam acompanhar o desenvolvimento e assegurem que os acordos fechados se transformem em realidade”, acrescenta Anselmo Bonservizzi, sócio da Deloitte que lidera a área de Consultoria Ambiental e Sustentabilidade

Dados mostram aumento na adoção de práticas sustentáveis

A adoção de práticas sustentáveis vem ganhando gradativamente maior adesão no ambiente empresarial brasileiro, como se verifica na comparação entre os resultados da pesquisa recém-realizada pela Deloitte com outro estudo promovido pela consultoria em 2009. Na ocasião, 78% das empresas de uma amostra numericamente semelhante à atual responderam que adotavam práticas sustentáveis e 18% pretendiam adotar. Na pesquisa de 2012, 85% afirmam adotar essas práticas e 12% (na sua grande maioria, pequenas e médias empresas) manifestam intenção de fazê-lo.

Outra comparação entre os dois estudos é sobre o montante de investimentos em iniciativas pela sustentabilidade. Em 2009, 29% das empresas direcionavam entre 1% e 3% da sua receita para práticas desse tipo. Em 2012, o índice cai para 7%. Da mesma forma, em 2009, 15% das empresas ficavam na faixa de menor investimento (com apenas 0,1% da receita sendo destinada a iniciativas sustentáveis), contra 21% na amostra atual.

Essa aparente diminuição de investimento merece ser contextualizada, de acordo com Anselmo Bonservizzi, da Deloitte. “No final da última década, principalmente as grandes empresas estavam numa fase mais intensa de aderências a novas práticas ambientais, enquanto, hoje, o foco está na manutenção desse perfil de iniciativa e no aumento de investimentos em outras áreas ligadas à sustentabilidade, como a social. Esperamos, entretanto, que o perfil de empresas aderentes a estas práticas seja expandido”, explica.

Entre os programas e iniciativas pró-sustentabilidade mais adotados hoje pelas empresas, destacam-se, conforme a pesquisa: a coleta seletiva de lixo (73% delas já a praticam e 20% pretendem praticar), ações de responsabilidade social (65% já as realizam na comunidade e 60% entre os funcionários), a racionalização do uso de recursos naturais (54% já o fazem e outras 26% indicam intenção de fazê-lo) e atividades de educação ambiental (51% já adotam e 30% pretendem adotar).



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