Estórias do Fusca (49)
Publicação: 19 de Maro de 2010 às 00:00
Aurino Araújo
Todo ano, no mês de janeiro, comemorava-se o "Dia do Fusca". Orientadas pela Volkswagen, as concessionárias brasileiras organizavam eventos comemorativos tendo como centro das atenções esse carrinho realmente muito popular e admirado. E, a Marpas, não fugia à regra.
Certa vez, preparamos uma passeata - ou carreata, como preferem os políticos - para comemorar aquela data.
Instituiu-se um concurso para julgar e premiar os carros mais bem caracterizados em várias categorias: o mais novo; o mais conservado; o mais velho; o mais enfeitado, etc. e tal.
A condição "sine qua" à participação no evento, além de, naturalmente a comprovação da propriedade do carro, era uma inscrição prévia, feita na concessionária.
Dessa forma, qualquer proprietário ou motorista ocasional de um Fusca poderia participar da carreata - até porque durante o desfile pela cidade, não havia como impedir que outros Fuscas a ele se agregassem - todavia, do concurso, que teve prêmios diversos, só fazendo a tal inscrição.
Terminado o passeio, houve uma concentração em frente à Marpas, para o julgamento e entrega dos prêmios e enquanto "corria" um chopinho, uma comissão formada por Jornalistas e Publicitários julgava os diversos Fuscas candidatos a prêmios nas várias categorias.
Encostado à calçada, um velho Fusca todo amassado, com a pintura descascada em vários pontos, pneus carecas e forro imundo, foi transformado em bar ambulante, pois, de duas caixas de isopor colocadas sobre o banco traseiro, seu dono retirava cerveja e refrigerantes para vender aos circunstantes. E ele tava lá só p´ra isso.
Mas, a comissão julgadora "comeu mosca" e premiou seu Fusquinha em primeiro lugar, na categoria "mais velho"...Sem inscrição, sem nada.
Esportivamente, comissão julgadora e promotores do evento comemoraram a gafe com chope geladíssimo.
UM FUSCA VELHO, AMASSADO,
GANHOU UM PRÊMIO INDEVIDO
Um julgamento apressado,
Sob calor inclemente,
Laureou erradamente,
UM FUSCA VELHO, AMASSADO,
Em certo tempo passado,
Quando um sujeito atrevido,
Tirou, do engano havido,
P´ra seu carro, uma vantagem
E, com essa malandragem,
GANHOU UM PRÊMIO INDEVIDO