Estórias do Fusca
Publicação: 10 de Fevereiro de 2012 às 00:00
A cidade do Recife já foi a capital nordestina onde tinha o maior número de revendas Volkswagen. Até fins dos anos 90 operavam lá nada menos do que 10 concessionárias, incluindo a de Olinda, que é dentro do perímetro urbano recifense.
Nos anos setenta, o Fusquinha tinha enorme predominância no serviço de taxis da cidade, à exemplo do que ocorria nas restantes capitais e grandes cidades brasileiras.
Era comum os taxistas retirarem o banco dianteiro do lado direito do Fusca, para facilitar o acesso a seus clientes, sempre acomodados no assento de trás, onde sentavam dois passageiros com certa folga e três apertadamente.
Como o carrinho tinha motor traseiro e o tanque de gasolina ficava na frente, havia um fino tubo de metal que passava sob um "túnel" ao longo do chassi, levando a gasolina ao carburador.
Tais tubos enferrujavam com o uso e qualquer furo decorrente da corrosão - ainda que milimétrico - além de ocasionar o desperdício de combustível, deixava o interior do taxi impregnado com o cheiro forte e tóxico da gasolina.
Assim - brasileiramente - os motoristas recifenses adaptavam uma finíssima mangueira de plástico para suprir o carburador, muitas vezes sem a preocupação de embuti-la no "túnel".
Daí que, quando o taxista levava dois passageiros, o Fusquinha andava normalmente.
Mas quando três pessoas se espremiam no banco traseiro, o bicho se "amarrava" na primeira esquina.
Chefes de oficinas autorizadas e mecânicos independentes coçavam as cabeças e queimavam os neurônios à procura de uma explicação para o fato, que já tava "rasgando a carta" dos cobras locais.
Até que um espírito mais iluminado matou a charada.
Quando entrava o terceiro passageiro, o peso do que tava sentado no meio pressionava a mangueira de plástico, cortando a passagem da gasolina...
O QUE CAUSAVA O "DEFEITO",
ERA MAIS UM PASSAGEIRO.
MECÂNICO NUM DAVA JEITO,
MESMO O MAIS EXPERIENTE,
MAS, ACHARAM, FINALMENTE,
O QUE CAUSAVA O "DEFEITO":
UM CONDUITE ESTREITO,
SOB O ASSENTO TRASEIRO,
NUM DEIXAVA NEM O CHEIRO
DA GASOLINA PASSAR,
POIS QUEM O TAVA A PRENSAR,
ERA MAIS UM PASSAGEIRO.