Agora você já pode ler a tribuna em versão FLIP
Ir para página inicial
  • Natal - 30°Natal - 30°

Natal

Natal, 11 de Fevereiro de 2012 | Atualizado às 13:38

"Estou por um fio"

Publicação: 26 de Novembro de 2009 às 00:00
tamanho do texto A+ A-

Discussões, intrigas, denúncia,  expulsão e ameaças. Foi assim, durante muito tempo, a relação entre Marisa Mariano de Moura, 32 (mãe de Maisla) e o ambulante Osvaldo Pereira de Aguiar. Desde 2006 que Marisa e Osvaldo estão em "guerra".

Roberta TrindadeMarisa Mariano de Moura, mãe de MaislaMarisa Mariano de Moura, mãe de Maisla
O ambulante foi denunciado pela mãe da estudante à polícia por insistir em aliciar menores da Igreja Adventista do Sétimo Dia, localizada em São Gonçalo do Amarante, da qual ambos participavam. Osvaldo - que seria diácono da igreja - não pôde assumir o cargo devido à denúncia de Marisa. Osvaldo também foi afastado dos cultos o que, segundo parentes da vítima, teria deixado o acusado revoltado.

Marisa recebeu a reportagem da Tribuna do Norte no trabalho, em Igapó. Ela é auxiliar de cozinha, na sede do  PETI (Programa de Erradicação do Trabalho Infantil). Seis meses após a morte da filha, ainda fragilizada, Marisa lembra da menina educada e estudiosa, fala com revolta de Osvaldo, lamenta a atuação da polícia, dos peritos do Itep e da justiça. Conta como está a família depois do crime e o que deve acontecer daqui para frente.

A senhora soube que o exame de DNA nos pelos encontrados no colchão de Osvaldo deram negativo, ou seja, não pertenciam à sua filha?
Eu soube que a informação foi publicada na Tribuna do Norte. Não entendo como a imprensa ficou sabendo do resultado primeiro que eu. Só sei que Osvaldo matou minha filha.  

Como a senhora tem certeza que o ambulante é o assassino de Maisla?
Eu tenho certeza absoluta que ele matou minha filha. Ele estava com raiva de mim e disse para uma pessoa que eu iria chorar "lágrimas de sangue". Ele é covarde.

Se a senhora tem tanta certeza, onde acha que o acusado matou Maisla?
Eu acho que ela foi morta na casa dele. Ele iria levar Maisla para onde, naquele horário (início da tarde)? Eu quero que a justiça seja feita. Ele pode até não pagar pela lei dos homens, mas vai pagar pela lei de Deus.

O que leva a senhora a ter tanta certeza que Osvaldo é mesmo um assassino?
Ele sabia que minha filha havia completado 11 anos e ficou de ajudar na festinha de aniversário dela com uma lata de leite condensado. Ele esquartejou minha filha em onze partes, por causa da idade dela. Tenho certeza disso - dá uma pausa, respira fundo e continua: Maisla desapareceu quando estava perto de um posto de saúde, no Jardim Lola, quase em frente à casa dele. A bicicleta também foi encontrada próximo à residência de Osvaldo. Ele fugiu. Se escondeu embaixo da cama da irmã. O porquê de tudo isso se não matou?   

Na sua opinião, quem matou sua filha, agiu sozinho?
Eu acho que Osvaldo matou Maisla sozinho, mas alguém ajudou a esconder a bicicleta. Alguém ajudou a levar os sacos com partes do corpo.  

A senhora acredita que a polícia e a perícia do Itep trabalharam corretamente, na apuração deste crime?
Claro que não. Se fosse um ladrão de galinha, a polícia tinha "dado uma surra nele" e Osvaldo já tinha confessado que matou Maisla. Deixaram a casa dele abandonada. Muita gente  entrou lá. Eu mesma entrei para procurar o corpo da minha filha. Quem achou as partes do corpo de Maisla foi minha família. A polícia não teve competência para procurar.

E a justiça?
Nem sei o que dizer sobre isso (respira fundo). O juiz disse que não era para fazer dramatização e que a morte da minha filha era um crime como qualquer outro.

E, diante dos laudos periciais que não incriminam Osvaldo. O que pensa em fazer caso ele seja solto?
Eu vou me tornar bandida. Mato ele. Estou "por um fio" para ficar louca. Acabo com a vida dele.

Como está sua família hoje?
Meu marido deixou o trabalho. Ele tinha um comércio de conserto de relógio, em Igapó. Éramos uma família normal como qualquer outra. Agora, ele fica em casa, perambulando. Está depressivo e não quer mais trabalhar. Minha outra filha que vai completar nove anos, em dezembro, chora, sente falta da irmã, também está depressiva. É difícil demais. Continuamos na mesma casa, no mesmo bairro. Agora somos apenas três pessoas, unidas pelo amor e, principalmente pela dor. Somente eu estou trabalhando. A verdade é que pessoas de bem como nós, não temos direito a nada. A justiça não é feita.

E a vida daqui para a frente?
É a morte. É só esperar para morrer (os olhos enchem de lágrima). A vida se tornou um inferno. 

Publicidade
  • 600 caracteres
  • separar os emails por vírgulas
  • 600 caracteres
  • Encontrou algum erro nesta matéria? Envie pra nós.

  • 400 caracteres

comentários

tuninafigueiredo@...26/11/2009 @ 09h02
Acredito que essa senhora se encontra muito revoltada, sou mãe e acredito que deve ser muito dificil ou até mesmo impossivel se controlar diante dessa situação, mas temos que lembrar que esse cidadão foi preso devido ao clamor dessa mãe que afirma com todas as letras que foi esse individuo que cometeu essa atrocidade, ai fica a pergunta e "se não foi esse homem"? A policia usa de mecanismos legais pra saber se as provas encontradas tem relação com a garota morta, nesse caso não se acharam ainda coisas que possam provar que foi ele, é triste ver a dor dessa mãe mas temos que provar que foi esse cidadão que matou a menina, e se não tiver sido?! O verdadeiro culpado pode estar ai nas ruas se preparando pra atacar outras inocentes...se foi esse homem a verdade vai aparecer, até porque a policia não tem necessidade de proteger esse cidadão, que não passa de um joão ninguém...não conheço esse cidadão nem tampouco essa mãe que chora, mas a justiça está para todos não é verdade?!
girleyne_37@...26/11/2009 @ 08h53
É lamentável a situação de uma mãe desesperada dessa. "Dramatização" porque não é a filha dele, que morreu como se abate um boi.... mas Marisa, tenha certeza que sua filhinha está no céu ao lado do Senhor Jesus, que Deus te abençoe e te de forças para vencer esta batalha.
camillercorreia@...26/11/2009 @ 08h48
Caramba...tenho 35 anos de idade e já li e assiti sobre muitas atrocidades e consequentemente , entrevistas com parentes da vitima. Mas nada tão forte quanto as palavras desta mulher.Ela dá tapas com força na cara da policia e do próprio juiz.Deu uma tapa forte inclusive na cara da sociedade no trecho " -E, diante dos laudos periciais que não incriminam Osvaldo. O que pensa em fazer caso ele seja solto?Eu vou me tornar bandida. Mato ele. Estou “por um fio” para ficar louca. Acabo com a vida dele. " Eu não faria diferente, até diria diferente , mas faria a mesma coisa...Parabéns a TN . Isso foi uma entrevista com nível de Jornal Nacional.Oro para essa mulher encontrar a paz e que a justiça seja feita... se não a dos homens a de Deus, mas que condene o culpado seja quem for do modo mais cruel que uma pessoa possa ser condenada!
cferreira3520@...26/11/2009 @ 13h23
"E a justiça?Nem sei o que dizer sobre isso (respira fundo). O juiz disse que não era para fazer dramatização e que a morte da minha filha era um crime como qualquer outro."Quem é o Juiz que disse isso??????
Tribuna do Norte