Discussões, intrigas, denúncia, expulsão e ameaças. Foi assim, durante muito tempo, a relação entre Marisa Mariano de Moura, 32 (mãe de Maisla) e o ambulante Osvaldo Pereira de Aguiar. Desde 2006 que Marisa e Osvaldo estão em "guerra".
Roberta Trindade
Marisa Mariano de Moura, mãe de Maisla
O ambulante foi denunciado pela mãe da estudante à polícia por insistir em aliciar menores da Igreja Adventista do Sétimo Dia, localizada em São Gonçalo do Amarante, da qual ambos participavam. Osvaldo - que seria diácono da igreja - não pôde assumir o cargo devido à denúncia de Marisa. Osvaldo também foi afastado dos cultos o que, segundo parentes da vítima, teria deixado o acusado revoltado.
Marisa recebeu a reportagem da Tribuna do Norte no trabalho, em Igapó. Ela é auxiliar de cozinha, na sede do PETI (Programa de Erradicação do Trabalho Infantil). Seis meses após a morte da filha, ainda fragilizada, Marisa lembra da menina educada e estudiosa, fala com revolta de Osvaldo, lamenta a atuação da polícia, dos peritos do Itep e da justiça. Conta como está a família depois do crime e o que deve acontecer daqui para frente.
A senhora soube que o exame de DNA nos pelos encontrados no colchão de Osvaldo deram negativo, ou seja, não pertenciam à sua filha?Eu soube que a informação foi publicada na Tribuna do Norte. Não entendo como a imprensa ficou sabendo do resultado primeiro que eu. Só sei que Osvaldo matou minha filha.
Como a senhora tem certeza que o ambulante é o assassino de Maisla?Eu tenho certeza absoluta que ele matou minha filha. Ele estava com raiva de mim e disse para uma pessoa que eu iria chorar "lágrimas de sangue". Ele é covarde.
Se a senhora tem tanta certeza, onde acha que o acusado matou Maisla?Eu acho que ela foi morta na casa dele. Ele iria levar Maisla para onde, naquele horário (início da tarde)? Eu quero que a justiça seja feita. Ele pode até não pagar pela lei dos homens, mas vai pagar pela lei de Deus.
O que leva a senhora a ter tanta certeza que Osvaldo é mesmo um assassino?Ele sabia que minha filha havia completado 11 anos e ficou de ajudar na festinha de aniversário dela com uma lata de leite condensado. Ele esquartejou minha filha em onze partes, por causa da idade dela. Tenho certeza disso - dá uma pausa, respira fundo e continua: Maisla desapareceu quando estava perto de um posto de saúde, no Jardim Lola, quase em frente à casa dele. A bicicleta também foi encontrada próximo à residência de Osvaldo. Ele fugiu. Se escondeu embaixo da cama da irmã. O porquê de tudo isso se não matou?
Na sua opinião, quem matou sua filha, agiu sozinho?Eu acho que Osvaldo matou Maisla sozinho, mas alguém ajudou a esconder a bicicleta. Alguém ajudou a levar os sacos com partes do corpo.
A senhora acredita que a polícia e a perícia do Itep trabalharam corretamente, na apuração deste crime? Claro que não. Se fosse um ladrão de galinha, a polícia tinha "dado uma surra nele" e Osvaldo já tinha confessado que matou Maisla. Deixaram a casa dele abandonada. Muita gente entrou lá. Eu mesma entrei para procurar o corpo da minha filha. Quem achou as partes do corpo de Maisla foi minha família. A polícia não teve competência para procurar.
E a justiça?Nem sei o que dizer sobre isso (respira fundo). O juiz disse que não era para fazer dramatização e que a morte da minha filha era um crime como qualquer outro.
E, diante dos laudos periciais que não incriminam Osvaldo. O que pensa em fazer caso ele seja solto?Eu vou me tornar bandida. Mato ele. Estou "por um fio" para ficar louca. Acabo com a vida dele.
Como está sua família hoje?Meu marido deixou o trabalho. Ele tinha um comércio de conserto de relógio, em Igapó. Éramos uma família normal como qualquer outra. Agora, ele fica em casa, perambulando. Está depressivo e não quer mais trabalhar. Minha outra filha que vai completar nove anos, em dezembro, chora, sente falta da irmã, também está depressiva. É difícil demais. Continuamos na mesma casa, no mesmo bairro. Agora somos apenas três pessoas, unidas pelo amor e, principalmente pela dor. Somente eu estou trabalhando. A verdade é que pessoas de bem como nós, não temos direito a nada. A justiça não é feita.
E a vida daqui para a frente?É a morte. É só esperar para morrer (os olhos enchem de lágrima). A vida se tornou um inferno.