Rodrigo Sena
Matheus Bezerra foi um dos alunos de uma escola privada a contrair o vírus da gripe A
A Secretaria de Saúde Pública do Estado (Sesap) só deve concluir em janeiro ou meados de fevereiro o levantamento que dimensiona o número de habitantes no Rio Grande do Norte que estariam aptos a receber a vacina contra a Gripe A (H1N1). A coordenadora de Subvigilância Epidemiológica da Sesap, Juliana Araújo, garantiu que os dados já começaram a ser compilados pela equipe do Programa de Imunização.
"A Sesap possui vários sistemas de informações dos programas de Saúde, como preventivo e acompanhamento de diabéticos, por isso demora um pouco para reunir todos, é trabalhoso", disse. Segundo o Ministério da Saúde o primeiro lote de vacinas contra a Influenza A terá 40 milhões de doses e deve chegar ao Brasil antes do próximo inverno. A produção da vacina está mais lenta do que o esperado, e a demanda mundial é maior do que a oferta da empresa canadense Glaxo SmithKline Biologicais (GSK), fornecedora das primeiras doses do Brasil.
VacinasCada dose custará US$6,43, e o investimento total será de R$ 444,698 milhões, recursos que foram liberados pelo governo em outubro passado. Além deste lote, o governo deverá adquirir vacinas produzidas no Instituto Butantan, mas a data de compra e a quantidade não foram definidas.
Mesmo avaliando como positiva a postura do Ministério da Saúde em adquirir as doses, o infectologista Kléber Luz alerta para a necessidade de iniciar a campanha de vacinação antes do prazo, previsto, que é março e abril. "O interessante é que o MS adquira agora, porque é no verão e outono que a epidemia de gripe ocorre em países tropicais", disse.
Ainda segundo o especialista, é importante que os grupos de risco tenham prioridade na imunização, uma vez que o estoque atual é insuficiente para atender a toda a população mundial. "Mas, posteriormente, o ideal é que todos possam ser vacinados". Questionado sobre a situação epidemiológica do RN em relação à Influenza A, Kléber Luz lembra que o vírus continua circulando e as pessoas continuam adoecendo.
"A situação está mais tranquila do ponto de vista dos casos graves, que não são registrados há duas semanas. Mas não se pode baixar a guarda, é preciso continuar com as medidas de prevenção". De acordo com o boletim mais recente da Sesap, o RN tem onze óbitos e 80 casos confirmados pela Gripe A.
Relatos de quem adoeceu com a gripe AMatheus Bezerra foi um dos alunos de uma escola privada de Natal que contraíram o vírus da Gripe A no início de agosto passado. "Foram sete a oito pessoas da minha sala na mesma época, sem contar os alunos de outra turma que adoeceram", relembra o adolescente de 13 anos. Ele diz que sentiu a doença como uma gripe comum. "Tive tosse, febre alta, dor de cabeça e moleza no corpo", relata.
A mãe, Rejane Bezerra, explica que quando levou o filho ao Hospital, voltou para casa sem suspeitas da doença. "Só após dois dias, recebi a ligação da mãe de um colega da turma dele, dizendo que outros alunos adoeceram e foram medicados com o Tamiflu", disse. De volta ao Hospital, Matheus recebeu o remédio para se tratar em casa, e foi orientado a usar máscara cirúrgica.
"Deveria ter ficado 15 dias sem ir às aulas, mas em uma semana eu já estava bem. No início tive medo de morrer, se falava demais nisso", diz ele, e conta que ficou mais preocupado com a saúde da avó. "Ela tem 82 anos e mora comigo. Faz parte do grupo de risco", disse. Eles destacam que mesmo tendo tido contato direto com os parentes, nenhum deles adoeceu.
"Quando o resultado saiu, 15 dias depois, pensei em não ir pegar, porque tinha certeza que daria negativo", disse Rejane. Mesmo assim, durante o período de recuperação de Matheus, ela mudou alguns hábitos da família. "Mantinha todas as janelas do apartamento abertas e todos os utensílios que ele usava eram imediatamente lavados. Também me mantive um pouco distante dele", relata ela.
Outra vítima potiguar da Gripe H1N1 foi o médico intensivista Domingos Sávio, que há uma semana voltou às atividades. Por ser diabético, ele se enquadra no grupo de risco que pelas estatísticas, têm maior risco de morte pelo agravamento da doença. "A médica que me atendeu preferiu que eu me recuperasse no hospital. Fiquei 14 dias internado", explicou.
Mesmo sem complicações da doença, ele defende que os dados sobre a doença precisam ser divulgados com mais clareza. "A mídia explorou bastante o assunto, mas a população precisa estar mais bem informada sobre a realidade de casos internados e óbitos, e não esquecer dos hábitos de higiene na prevenção", opina.