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Natal, 24 de Maio de 2012 | Atualizado às 23:17

Eternamente Deífilo

Publicação: 07 de Fevereiro de 2012 às 00:00
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Por Carlos Gurgel, poeta

Papai sempre foi uma árvore. Frondosa, como uma sombra sábia e educada. Papai sempre se vestiu de paz e da alma do povo. Através do qual, produziu, por sobre milhares de revelações e descobertas, uma intensa luz, límpida e audaz, onde construiu seus castelos e abençoadas fontes.
Alex RégisDeífilo foi, na visão do poeta, um solitário batalhador de loas.Deífilo foi, na visão do poeta, um solitário batalhador de loas.

Por onde andou, como um mártir de muitas estradas, buscou sempre o humilde, o raro, o inquebrantável canto de todos aqueles que fazem parte de uma enorme constelação, repleta de vida e anunciações.

Com seus olhos, percebeu que o mundo, assim como seus dias e suas noites, era como uma armadura, um farol, um porto, repleto de relíquias e reinados.

Foi assim, por um bom tempo, que palmilhou nosso chão, como um missionário espalhando seu suor e sorrisos. Um incansável, sempre, protegendo o desejo de todos aqueles recantos, quando se benzia e enfrenta o escuro e os seus dragões.

O amor de papai para tudo que reluz essência, raiz de uma gente, sempre fez dele um guerreiro, um solitário batalhador de loas, brincantes, romances, rezas, promessas e dos anônimos de uma roça onde se dança cheganças, e de pífanos que anunciam a disputa da celebração do amor e da amizade.

Com papai, todos esses caminhos foram trilhados. E como uma jura, ele fez do brilho das suas visitas e apontamentos, no meio das comunidades e sertões, o seu maior prêmio.

Humano ao extremo, uma criança tão dócil, que, ao primeiro encontro, já conquistava todos como se fosse uma grande confraternização do tempo e de tudo que lembra alegria e bondade.

Assim foi papai. Imenso no seu caráter. Um ser que vai fazer tanta falta, que nem imagino o que possa acontecer, quando o vento e os seus faróis, prenunciarem que a cidade e o seu povo, clamam por suas sandálias e seus garimpos.

Eu, como filho primogênito, ao invés de derramar lágrimas, sorrio; porque sei que lá do infinito céu onde papai se encontra, a folia que ele capitaneará, farão de todos os presentes, uma enorme chama, como deve ser para um homem que sempre procurou pelas palavras, como quem garimpa o ouro e o espírito de todo aquele que crê.

Pois tudo que ele pronunciou e criou, alimenta o coração do povo que ele tanto amou e entregou sua vida.

Amo-te muito, muito mais do que o tempo disser.


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comentários

gibfc@...07/02/2012 @ 04h10
Foi muito bom ler isto. Deífilo era realmente assim. Você é um bom filho.
gustavo.kcnos_26@...07/02/2012 @ 08h46
A manifestação de amor ao seu pai é comovente! Meus cumprimentos pelo que expôs aqui e meus sentimentos pela sua perda!
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