BEIRUTE, Líbano (AE) - A União Europeia (UE) imporá embargos econômicos mais duros contra o governo da Síria, disse sob anonimato um funcionário da UE em Bruxelas ontem, no momento em que a Rússia tenta estabelecer o diálogo entre o vice-presidente sírio Faruk Sharaa e a oposição. Na Síria a violência continua e ativistas disseram que pelo menos 50 pessoas foram mortas ontem pelo governo na cidade de Homs. O governo da Turquia declarou nesta quarta-feira que quer coordenar uma reunião sobre a Síria para harmonizar as políticas dos países vizinhos do Mediterrâneo e das potências mundiais, após a resolução que condenaria o governo sírio ter sido rechaçada na Organização das Nações Unidas (ONU).
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População vai às ruas da Síria, e funerais de mortos no conflito se transformam em protestos
A Rússia, aliada próxima da Síria desde a era soviética, mantém diferenças grandes com o Ocidente sobre a crise política síria. Após bloquear no sábado passado no Conselho de Segurança das Nações Unidas uma resolução apoiada pela Liga Árabe pelos países ocidentais, que condenava a violência e a repressão do governo sírio, a Rússia apresentou uma iniciativa para resolver o conflito que já dura 11 meses.
Moscou pede por uma combinação de reformas feitas pelo governo do presidente sírio Bashar Assad e por negociações, sem pedir explicitamente que o mandatário renuncie ao cargo. Até agora a iniciativa russa não encontrou nenhuma resposta da oposição síria, que afirma serem as promessas de reformas feitas por Assad gestos vazios. A oposição afirma que a renúncia de Assad é a única opção para resolver a crise.
O primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin, disse nesta quarta-feira que os sírios devem resolver o conflito internamente. "Não deveríamos agir como um touro em uma loja de louças", disse Putin, em matéria da agência de notícias russa Itar-Tass. O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, que visitou Damasco nesta semana, disse que Assad delegou ao seu vice, Faruk Sharaa, a responsabilidade de abrir o diálogo com a oposição. Lavrov culpou nesta quarta-feira tanto o governo sírio quanto a oposição pela violência, que ameaça escalar para uma guerra civil em larga escala. Mais de 5.400 pessoas foram mortas na Síria desde março do ano passado, quando começou a rebelião contra Assad, segundo informações das Nações Unidas. "Nas duas partes existem pessoas que têm o objetivo de levar a um confronto armado, não ao diálogo", afirmou o chanceler russo.
Em Bruxelas, um funcionário graduado da UE disse que o bloco de 27 países imporá em breve um embargo econômico ainda mais forte à Síria para enfraquecer o governo de Assad. Entre as medidas, estaria a proibição de importar fosfato da Síria, de voos comerciais entre a Síria e as cidades europeias e de transações entre bancos europeus e o Banco Central da Síria. A União Europeia importa atualmente 40% do fosfato que consome da Síria. Segundo o funcionário, as medidas poderão ser adotadas em 27 de fevereiro.
Na Síria, as tropas do governo persistiam nesta quarta-feira no assalto a Homs, cidade de 800 mil habitantes e parcialmente controlada pela oposição. O Observatório Sírio Pelos Direitos Humanos, grupo da oposição sediado em Londres, disse que pelo menos 53 pessoas foram mortas hoje e que as tropas regulares continuam a bombardear bairros inteiros de Homs, como Bayada, Baba Amr, Khaldiyeh e Karm el-Zeytoun. Segundo o grupo, 23 casas foram muito danificadas no bairro de Baba Amr.
O número de mortos não pôde ser confirmado de maneira independente. O governo sírio restringiu o trabalho da imprensa internacional na Síria. Omar Shaker, um ativista e morador do bairro de Baba Amr em Homs, disse que contou cinco corpos nesta quarta-feira. Shaker disse que o bairro continua a ser bombardeado e que os moradores estão aterrorizados, sem alimentos e remédios."Queremos que Lavrov venha para Homs e passe aqui uma noite para sofrer o que estamos sofrendo", disse Shaker, sobre o chanceler russo.
Em outras regiões sírias, a violência também continua. Tropas regulares lançaram um assalto contra o vilarejo de Tseel, no sul da província de Deraa, enquanto continuam a atacar a cidade de Zabadani, na fronteira libanesa. Tropas leais a Assad também entraram em confronto com soldados desertores na província de Idlib, na fronteira com a Turquia.