Everaldo Lopes - Repórter e Pesquisador
No auge da sua carreira como homem-gol do extinto Globo Sport Clube, o atacante Luiz Gonzaga Pereira era simplesmente conhecido como "Lavanderia". Boa estatura para atacante, chute forte e drible fácil, era o menino de ouro da pequena torcida do Globo SC, principalmente nas tabelinhas infernais que fazia com o meia Talvanes, outras vezes com o irrequieto ponteirinho Elcinho, tão arisco que chegou a fazer testes no Santos/SP e por lá ficou. Como o time industrial (assim chamado porque seus dirigentes eram os mesmos da Fábrica de Móveis Globo) onde se destacava o húngaro Imre Fried, teve vida curta, logo cedo Lavanderia buscou outros destinos. Andou peregrinando pelo Nordeste, ora defendendo o Santa Cruz do Recife, outras vezes o América pernambucano, andando pelo Ferroviário do Ceará, Guarabira/PB, Limoeirense/PE, entre outros.
Ana Silva
Luiz Gonzaga Pereira era conhecido como "Lavanderia"
"Fui uma espécie de judeu errante do futebol", cita Lavanderia, hoje com 68 anos completos. O que deixa esse antigo artilheiro potiguar encucado é quando vê, hoje, qualquer jogadorzinho ter salário entre R$ 10 a 20 mil, com a maior naturalidade. "Eu faturava um salário mínimo por mês, em qualquer clube do Nordeste por onde passei. Pra faturar mais, só se fosse um cracaço daqueles considerados ídolos da torcida, goleador nato, tipo Nado e Bita no Náutico, Mituca no Santa Cruz, Traçaia, Fernando Santana e Betencour no Sport, todos, nomes respeitáveis nos seus clubes.
Quando parou com a bola, Lavanderia foi ser soldador no interior de Pernambuco, até se aposentar. Ele diz que era praticamente impossível a um jogador, mesmo razoável, fazer um bom pé-de-meia. "Profissional comum, não ganhava mais de um salário mínimo, pegando numa grana um pouco melhor quando renovava o contrato, quando recebia as luvas", frisa. Muitos clubes ofereciam eletro-domésticos a título de luvas, e aí a gente recebia geladeira, toca- discos, fogão, um quarto completo. Se fosse um craque ídolo da torcida, conseguia um fusca, mas eram raros os que tinham essa sorte, lembra "Lavanda".
Sua carreira no futebol só não foi mais longa porque teve problema de ruptura dos meniscos, foi cirurgiado pelo dr. Bulhões, na época muito conceituado nessa área. Lavanderia diz que hoje mora só, os filhos são todos casados, cada um vive pra seu lado. Lembra a boa equipe do Globo SC treinada por Eugênio Barros e depois José Djalma (Tenen), que decidiu o título de 1962 com o ABC. Uma das boas formações lançadas pelo treinador Eugênio foi esta: Damião, Setúbal, Rodrigues (hoje médico, reside em Brasília), Dico e Jácio, Pedrinho e Ronaldo, Elcinho, Montanha, Lavanderia e Ireno. De todos jogadores do alvirrubro, o mais cobiçado foi Ireno, que chegou a fazer parte de uma equipe excelente que o Campinense lançou nos anos 60, ao lado de Jácio, Massangana, Chiclets, Araponga, Augusto (goleiro) o grande goleador Ruitter, entre outros. Esse time rubro negro campineiro chegou a passar 40 jogos sem perder, no Nordeste.
Já avô hoje de vários netos, lembra suas primeiras peladas no Racing das Rocas, os confrontos com o Palmeiras também do bairro, as primeiras investidas como juvenil do América treinado por Lelé e Lu. Lavanderia parou de jogar em 1967.