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Natal, 12 de Fevereiro de 2012 | Atualizado às 01:45

Expansão da Gripe A é inevitável de acordo com médicos

Publicação: 06 de Dezembro de 2009 às 00:00
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Isaac Lira - Repórter

Se existe um consenso entre os infectologistas, independente da influência do Carnatal, é que a epidemia de Gripe A (H1N1) irá se expandir. Como a rede de atenção básica dos municípios do Rio Grande do Norte, e de Natal em particular, está bastante aquém das necessidades, a expansão da epidemia irá desaguar, na opinião de gestores, nos hospitais de referência, a exemplo do que já ocorreu em outras epidemias, como a última de dengue.
Alex RégisGustimário Ribeiro Bezerra esteve com toda a família em busca de atendimento no Maria AliceGustimário Ribeiro Bezerra esteve com toda a família em busca de atendimento no Maria Alice

Os principais hospitais de referência são o Walfredo Gurgel, o Santa Catarina, o Maria Alice Fernandes, o Deoclécio Marques, o Giselda Trigueiro, entre outros. Para se ter uma ideia, durante a última epidemia de dengue o número de atendimentos do Hospital Santa Catarina, por exemplo, chegou a 25 mil por mês. Atualmente, esse número está em torno dos 15 mil. "Nosso pronto socorro está sempre cheio e, apesar de ser um hospital de urgência e emergência, a nossa maior demanda é a clínica médica", explica o diretor administrativo do Santa Catarina, José Carlos da Silva. E complementa: "Como os pronto-atendimentos não estão estruturados, a população da Zona Norte vem direto para o Santa Catarina, que já tem tudo pronto para receber. Por isso, o nosso PS está sempre cheio".

O mesmo panorama pode ser encontrado no Hospital Maria Alice Fernandes, que de acordo com a diretora Lana Brasil, tem cerca de 70% de seu atendimento direcionado para demandas que deveriam ser resolvidas em postos de saúde. "Como as pessoas não encontram atendimento nos postos, vêm para o Maria Alice. Temos recebido uma demanda alta de pessoas preocupadas com a gripe", diz Lana Brasil, acrescentando que está esperando um grande aumento da demanda, a exemplo do que aconteceu durante a última epidemia de dengue.

A tendência de superlotação dos hospitais de referência não está apenas nas palavras dos gestores. Também pode ser percebido na realidade. Na manhã da última sexta-feira, o policial militar Gustimário Ribeiro Bezerra, de 36 anos, estava com toda a família, mulher e dois filhos, à procura de atendimento no Hospital Maria Alice Fernandes. Seu filho, Guthierry, de 11 anos, estava com febre, tosse, dores musculares e dispnéia (dificuldades de respiração).  Gabrielle, de apenas sete, também já começava a manifestar alguns sintomas. "Fui nos pronto-atendimentos e não consegui atendimento, por isso vim para cá", conta Gustimário. Ele estava no Maria Alice há uma hora e meia quando conversou com a reportagem. De acordo com a diretora Lana Brasil, durante o surto de dengue o tempo de espera por atendimento na clínica era de até seis horas.

A secretária municipal de Saúde, Ana Tânia Sampaio, afirma que a deficiência no sistema de saúde pública existe e independe da epidemia de gripe. "O que existe é uma deficiência na atenção básica à população, independente dessa epidemia", aponta Ana Tânia.

Novos leitos e excesso de demanda

Com o déficit de leitos de UTI e clínica médica, a Prefeitura de Natal procedeu, por orientação do Ministério Público, com a contratação de leitos na rede privada. Desde então, foram contratados 50 leitos, sendo 10 de UTI no Natal Center e no Hospital do Coração, e 40 leitos de clínica médica, sendo 10 no Hospital Memorial e 40 no Natal Center.

Esses contratos, de acordo com Ana Tânia Sampaio, já são para dar vencimento à demanda da Gripe A. "Iríamos contratar de qualquer maneira, até porque a cidade precisa, mas antecipei os contratos por conta da gripe", informa Ana Tânia.

Quanto às notificações, a secretária admite uma falha no esclarecimento da população, o que leva a um natural excesso de demanda. "Temos um número de notificações muito maior do que o de casos confirmados", diz Ana Tânia. De acordo com dados do Município, são 673 notificações e 45 casos confirmados, embora seja importante ressaltar que muitos exames estão retidos no Laboratório Evandro Chagas. 

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comentários

cesarzbc@...06/12/2009 @ 12h37
É absurdo e inadimissível o "abafa" que a mídia está fazendo sobre a gripe suína. Ela já chegou em Natal e chegou com força, mas em detrimento de uma micareta tudo foi colocado debaixo do pano. A UFRN está orientando seus alunos para a prevenção, uma parte do Centro de Biociências está interditado pra evitar contaminação, pois um aluno foi infectado. Na UnP da Av. Eng. Roberto Freire, já morreram dois alunos, vítimas da H1N1, mas a direção da instituição com conivência da mídia faz um "abafa" grande. Me espanta muito a imprensa, que adora dizer que tem compromisso com a INFORMAÇÃO", está fazendo isso. Das autoridades não esperava algo diferente, eles sempre agem de acordo com seus interesses próprios, o povo que se dane. A imprensa que nunca me enganou está fazendo a mesma coisa. Depois do Carnatal aí sim vão começar a divulgar a chegada da pandemia na cidade. Não ficarei surpreso se o meu comentário for censurado.
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