Falta de empregos no império

Publicação: 12 de Janeiro de 2014 às 00:00 | Comentários: 0
A+ A-
Altamiro Silva Júnior
correspondente da AE

Nova York - A queda na taxa de desemprego dos Estados Unidos em dezembro para o menor nível desde 2008 esconde fraquezas e pode não ser uma boa notícia, avalia o Center for Economic and Policy Research (Cerp), um centro de pesquisas e estudos econômicos de Washington. A razão é que o indicador caiu principalmente porque as pessoas desistiram de procurar trabalho e não por conta do aumento da oferta de vagas e contratações.
Arquivo TNOferta de empregos nos EUA, no balanço em dezembro, frustrou expectativas e acende sinal de alerta entre os especialistas quanto às perspectivas para o ano de 2014Oferta de empregos nos EUA, no balanço em dezembro, frustrou expectativas e acende sinal de alerta entre os especialistas quanto às perspectivas para o ano de 2014

O economista do Cerp, Dean Baker, explica que o Departamento de Trabalho usa a estatística conhecida como “força de trabalho” para calcular a taxa de desemprego. Esse indicador é composto pelas pessoas empregadas e os desempregadas que estão procurando emprego nos últimos meses. Em dezembro, a força de trabalho se reduziu em 347 mil pessoas.

“A queda do desemprego em dezembro ocorreu quase inteiramente por conta das pessoas deixando a força de trabalho”, afirma Baker. O que tem ocorrido nos EUA é que muitas pessoas, sem expectativa de contratação, ou por estarem há muito tempo desempregadas ou por não terem mais a qualificação necessária exigida das empresas, simplesmente desistem de procurar emprego. Com isso, deixam de fazer parte da força de trabalho e a taxa de desemprego se reduz.

Baker cita que esse problema tem sido maior entre os negros. A taxa de participação na força de trabalho dos afroamericanos caiu em dezembro para o menor nível desde 1977, cita ele em uma análise comentando os dados divulgados hoje.

O Departamento de Trabalho divulgou nesta sexta-feira que a taxa de desemprego caiu de 7% em novembro para 6,7% em dezembro, o menor nível desde outubro de 2008. Ao mesmo tempo, o país criou 74 mil no mês passado, o menor nível em três anos.

Baker acha que esse baixo nível de contratação pode se temporário e se reverter neste começo de 2014. Desse total de novas vagas, só o comércio criou 55 mil, por conta das vendas de final de ano. Para ele, uma das surpresas foi o baixo nível de contratação de setores como restaurantes, que normalmente criam muitas vagas.

MEMÓRIA

São Paulo - A economia dos EUA criou 74 mil empregos em dezembro, segundo o Departamento do Trabalho, ficando muito abaixo da previsão de economistas consultados pela Dow Jones, que esperavam 200 mil novos postos de trabalho. O resultado marcou a menor criação de empregos para um mês em três anos. A previsão dos analistas da Dow Jones anteriormente era de 191 mil novos postos de trabalho, mas foi revisada para cima na véspera da divulgação do relatório.

O salário médio por hora subiu US$ 0,02, para US$ 24,17 por hora em dezembro e o número médio de horas trabalhadas diminuiu 0,1 hora, para 34,4 horas. O setor privado criou 87 mil vagas em dezembro, representando toda a alta na criação de empregos vista no mês. O governo, por outro lado, cancelou 13 mil vagas em dezembro. O setor industrial dos EUA criou 9 mil empregos no mês passado.

Enquanto isso, a criação de vagas em novembro foi revisada para 241 mil, da leitura inicial de +203 mil.

O relatório pode ser volátil e sujeito a grandes revisões. Os números de outubro e novembro, juntos, foram revisados para cima em um total de 38 mil, levando o ganho médio mensal dos últimos três meses a 171.667.


Deixe seu comentário!

Comentários