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Natal, 24 de Maio de 2012 | Atualizado às 23:17

Família de Deífilo Gurgel pretende criar Fundação

Publicação: 07 de Fevereiro de 2012 às 00:00
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Yuno Silva - repórter

O semblante derradeiro de Deífilo Gurgel (1926-2012) é de descanso, paz e tranquilidade, e a simplicidade que sempre acompanhou o folclorista permanece no ar e comove amigos, familiares e admiradores. Saudado não apenas por sua obra e pelo que ela representa, mas, sobretudo, por sua humanidade, bom humor, sinceridade e compromisso diante das raízes da Cultura potiguar, Deífilo deixa várias lições e uma certeza: a de que há muito trabalho a ser feito.
Aldair DantasO poeta Diógenes da Cunha Lima, reitor da UFRN na época que Deífilo fez pesquisa pelo RN, conversa com Tarcísio Gurgel durante velórioO poeta Diógenes da Cunha Lima, reitor da UFRN na época que Deífilo fez pesquisa pelo RN, conversa com Tarcísio Gurgel durante velório

Prova disso é "Romanceiro Potiguar", livro pelo qual dedicou quase 30 anos de sua vida e que traz mais de 100 entrevistas e cerca de 300 romances ibéricos, bem como ligados à vida sertaneja e à pecuária, registrados entre 1985 e 1995, período que percorreu os rincões do RN munido de sua incansável vontade de revelar as pérolas que fazem do RN um dos grandes redutos do que há de mais original em termos de tradição. Deífilo deixou o título devidamente revisado e pronto para ser impresso.

"Papai se alimentava da cultura popular", disse Alexandre Gurgel, filho do pesquisador, durante velório ocorrido ontem no Cemitério Morada da Paz. "Seu maior receio era a descontinuidade do trabalho junto aos mestres e aos grupos populares", lembrou.

Segundo Alexandre, a família planeja criar uma fundação para cuidar do legado deixado pelo patriarca. "É uma questão de honra manter seu acervo e sua memória. Há livros e poemas inéditos, anotações e pesquisas que precisam ser organizados." Sobre a publicação de "Romanceiro Potiguar", editado com apoio da FJA, informou que "logo que passar esse momento" será organizada uma festa à altura da importância da obra, inclusive com participação de grupos tradicionais. Sem uma data definida, ele estima que em 30 dias deverá ter alguma definição. "Mamãe (Zoraide Gurgel) irá decidir a melhor hora", garante.

Na lista dos 100 poetas mais importantes de sua geração, reconhecimento dado pelo crítico literário carioca Alexei Bueno, Deífilo Gurgel exaltava a cultura e se configurava como "um sonetista centrado e desprovido da tendência do 'cerebrismo'. Ele preferia usar uma linguagem popular, acessível, e se destacava por tratar com naturalidade assuntos considerados tabus como a morte", ressalta o jornalista e escritor Nelson Patriota.

Nascido em Areia Branca e o mais velho de nove irmãos, Deífilo Gurgel "deixa um vácuo no cenário cultural", analisa o jornalista Tarcísio Gurgel, 66. "De sua geração, restam duas figuras importantíssimas: Dorian Gray Caldas e Sanderson Negreiros, baluartes que sustentam o elo entre as gerações." O caçula dos Gurgel se emociona ao lembrar da generosidade do irmão: "Seu humor contagiava, tinha um zelo pelas pessoas e pela Cultura que comovia; um mestre que vibrava junto sem passar a mão na cabeça. Lembro que quando ensaiava meus primeiros versos, me deu régua, compasso e um conselho: 'já pensou em escrever contos?' Tinha um senso acurado".


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comentários

claudioalves20012@...07/02/2012 @ 01h04
Figura inesquecível para a cultura do Rio Grande do Norte. Viva Deifílo eterno imortal ! Um abraço fraterno dos amigos de Areia Branca e São Gonçalo.
petcrim@...07/02/2012 @ 13h05
Este sim merece ser imortalizado em sua cidade natal, Areia Branca, com um monumento à altura da sua importância para a cultura potiguar e nacional. Abraços aos seus familiares, por sinal, meus conterrâneos.
folhademacau@...07/02/2012 @ 17h04
Além da importância de seu trabalho para a cultura do Rio Grande do Norte, Deífilo Gurgel foi uma das maiores figuras humana que eu tive o prazer de conhecer. Um abraço fraterno do amigo macauense. José Antonio Degas
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