Yuno Silva - repórter
A vocação boêmia da Ribeira, a possibilidade de aumentar o som até o talo e a presença de representantes da atual safra da música independente deram o tom do Festival DoSol neste sábado (5). Com uma programação extensa de 20 shows iniciada no meio da tarde e que entrou pela madrugada, maratona considerada exagerada para os mais cansados, o evento cumpriu bem o papel de abrir espaço para novas bandas da cena natalense. Também supriu a necessidade dos roqueiros antenados de plantão interessados em conferir ao vivo performances de artistas já conhecidos através da internet, nomes que fazem relativo sucesso online e que ainda não tinham pisado em solo potiguar. Caso da paulistana Tulipa Ruiz, grande destaque da primeira noite, ao lado da bandas cariocas Do Amor e Canastra.
Emanuel Amaral
Tulipa Ruiz foi o grande destaque da primeira noite do Festival DoSol
O aguardado show de encerramento com BNegão, pela primeira vez em Natal com sua banda completa (Os Seletores de Frequência), passou seu recado, tirou tudo o que podia e um pouco mais do equipamento de som e mostrou com quanto suingue se faz um bom funk-soul-hipehopeado legitimamente tupiniquim, mas acabou ofuscado pelo brilho gótico de Tulipa - que destilou hits de seu álbum "Efêmera" e comandou o coro da plateia aglomerada na borda do palco. Era nítido o semblante de surpresa e satisfação da cantora diante da calorosa recepção.
Emanuel Amaral
BNegão e Os Seletores de Frequência
Também vale registrar a versão inusitada, e energizada, para "Lindo lago do amor" (Gonzaguinha) feita pelo quarteto Do Amor. Grata surpresa, a banda carioca tem fã clube em Natal, mostrou uma mistura interessante de rock-carimbó e é séria candidata a queridinha da edição 2011 do Festival DoSol.
Entre as atrações locais, os anfitriões Camarones Orquestra Guitarrística e a prata da casa Talma&Gadelha protagonizaram apresentações corretas e bem resolvidas que atraiu a atenção de uma plateia fiel e curiosa - entre os curiosos, músicos e produtores vindos de outras partes do país como Rodrigo Lariú, capitão do selo Midsummer Madness (RJ/SP) e figura conhecida do circuito indie brazuca que circulou com equipe pelo evento.
Emanuel Amaral
DuSouto (RN)
Apesar do esforço dos conterrâneos, a banda DuSouto estava inspirada e roubou mais uma vez a cena com um show perfeito: repertório afiado, público turbinado pelas batidas do samba-rock-eletrônico e participações especiais de MC Priguissa, Danina Fromer e um MC inglês de nome esquisito e descendência árabe que subiu no palco como quem não quer nada e fez a festa. O figura, cujo nome nem mesmo Gabriel e Paulo Souto souberam pronunciar, mora em São Miguel do Gostoso e já tinha feito uma participação com a banda naquela praia do litoral norte do RN.
Emanuel Amaral
Talma&Gadelha (RN)
Os Inflamáveis (RN), O Sonso (CE), Hellbenders (GO), os argentinos da Satan Dealers, a baiana Vivendo do Ócio e a gaúcha Rinoceronte foram outras bandas destacadas na programação de sábado, que por sinal funcionou como um relógio: troca de palco sem atrasos (alternadamente no Centro Cultural DoSol e no Armazém Hall) e sonoridade impecável - pontos altos da festa.
Como nem tudo é perfeito, três detalhes importantes devem ser considerados para o próximo ano pela equipe de produção: primeiro o número insuficiente de banheiros químicos para atender um público estimado (no sábado, dia 5) em 2,5 mil pessoas; segundo a questão das opções alimentícias: por mais resistente que seja, não há corpo que aguente mais de dez horas seguidas de rock apenas com crepezinho suíço para repor energias. A terceira observação é uma reincidência grave: falta d'água. Pouco antes da uma da madrugada não tinha um gole do precioso líquido para molhar a goela. Para agravar a situação, o público não tinha permissão de sair do espaço reservado ao Festival para comprar uma garafinha azul-transparente nos ambulantes instalados no largo da rua Chile.
Emanuel Amaral
Camarones Orquestra Guitarrística (RN)
No quesito segurança, tudo correu dentro dos conformes e sem atropelos. E é melhor nem pensar na possibilidade de alguma emergência diante da dificultosa e lenta saída do público de um local para outro durante a alternância de palcos. Ainda no trecho interrompido da rua Chile, que abraçou Armazém Hall, Centro Cultural DoSol e o casarão histórico do poeta Ferreira Itajubá, bancas foram montadas para comercialização de CDs, camisetas, bottons entre outros itens do universo roqueiro.
Hoje, tem mais Festival DoSol até às 23h, que volta a partir de quarta-feira (9) e até domingo (13) com a etapa Música Instrumental e Contemporânea na Casa da Ribeira. Entre as atrações escaladas para esta próxima etapa, que terá acesso gratuito, destaque para os potiguares Maguinho daSilva e d'malassomBROSband, Camila Masiso, Romildo Soares, Khrystal e Gato Lúdico. O evento conta com patrocínio da Petrobras, Oi, Ministério da Cultura e Governo do RN através da lei Câmara Cascudo.