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Por Michelle Ferret
Histórica. A palavra traduz a segunda e última noite do Festival MADA. O Nação Zumbi, com seus tambores tocando forte no espírito da música brasileira, fez um show inesquecível com direito ao passeio por faixa a faixa do disco “Da Lama aos Caos”, lançado em 1994 tendo à frente o imortal Chico Science. Disco considerado um dos melhores e mais revolucionários da música brasileira.
Logo depois do rock de Pitty, o público já lotava a arena do Imirá, quando o som da percussão e a voz grave de Jorge du Peixe anunciaram com “Monologo ao Pé do Ouvido” que “organizar o passado é uma evolução musical...”. De tremer o chão e fazer girar até quem nunca tinha escutado uma canção sequer do Nação.
O convidado da vez foi o cantor e compositor Otto, quem participou da primeira formação do Nação, ainda na década de 90 como percussionista. No palco, ele dançou, fez vocal e ainda tocou percussão e gritava a todo o tempo o nome de Chico Science, parecendo evocá-lo.
Para quem viveu e respirou a presença de Chico Science nos palcos, o show do MADA trouxe a sensação de vê-lo em cena de novo, quando suas canções e genialidade permanecem vivas em cada um dos integrantes do Nação. “Maracatu de Tiro Certeiro”, “Risoflora”, “Samba Makossa”, “A Praieira”, “A Cidade”, “Antene-se”, “Lixo do Mangue” e ainda “Maracatu Atômico”, explicam um pouco a citação de compositores brasileiros como Lirinha (Cordel do Fogo Encantado) quando falam que o Nação Zumbi é a melhor banda do Brasil.
Além do tremor de terra do Nação Zumbi, importantes bandas do cenário da música independente como Copacabana Club (PR) – com sua identidade inglesa à flor da pele –, Sonic Junior (AL) e seus múltiplos sons e Ana Cañas com sua irreverência, leveza, boas letras, com direito a homenagem a Led Zeppelin e ainda acompanhada de Fernando Nunes (um dos maiores baixistas do Brasil), marcaram a segunda noite do Festival. Ganeshas (RJ) e Nublado (PB) também fizeram sons honestos e com direito a boas letras.
A décima primeira edição do MADA ficará na memória de quem esteve no Imirá e dos que ouvirão por muito tempo o comentário sobre o show que fez tremer as estruturas. A estrutura dita aqui, não só física, mas o som mangue beat que mexe com a memória e traz a reflexão de que o Nação Zumbi conseguiu modificar a história da música brasileira, quando diluiu a bateria, transformando o som em mil possibilidades, indo além na poesia, no som e no que virá pelas próximas gerações.
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