FHC recomenda cautela ao governo
Publicação: 25 de Outubro de 2009 às 00:00
Belo Horizonte (AE) - O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso criticou ontem uma suposta precipitação do governo em torno da campanha eleitoral e defendeu que o PSDB não tome uma decisão apressada na definição do candidato à Presidência da República entre os governadores de São Paulo, José Serra e de Minas, Aécio Neves. Para ele, a escolha do melhor candidato virá em um tempo "oportuno".
Ao ser questionado sobre a pesquisa realizada pelo Ibope que teria irritado o governador mineiro, com os nomes de Serra e Aécio na mesma chapa, Fernando Henrique disse que não havia visto os resultados. "Me disseram que na pesquisa os dois juntos, em qualquer posição, aumentam o potencial de votos. Isso é bom porque mostra que a população confia em dois importantes governadores do PSDB, mas não quer dizer que se deva decidir agora quem seria o candidato."
Fernando Henrique esteve na sexta-feira em Belo Horizonte para uma palestra no encerramento de uma convenção de contabilidade, mas não se encontrou com o Aécio. O ex-presidente enfatizou que o governo federal tem precipitado as discussões sobre a corrida presidencial porque o presidente Lula aposta em "uma candidata sem prática de contato eleitoral". "Isso é problema dele, que tem uma candidata que tem de ser conhecida. Os nossos (pré-candidatos), de acordo com a pesquisa, são bem conhecidos e bem quistos." Para ele, a definição entre Serra e Aécio é complexa, uma vez que ambos são apreciados pelos seus Estados. "Não se pode tomar uma decisão precipitada nessa matéria, tem de dar chance de equivalência aos dois."
Fernando Henrique minimizou ainda o pré-acordo entre PT e PMDB para a união das legendas na eleição presidencial de 2010, que foi selado na noite de terça-feira. "Não se pode comprar lealdade por antecipação, mas já que o presidente (Lula) está empenhado em precipitar tudo, ele tem de se empenhar em provocar os apoios. Mas os apoios são sempre reversíveis, até que se faça convenção (partidária). É um fato mais jornalístico do que político-eleitoral."
Ao comentar a polêmica declaração do presidente Lula em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo esta semana, de que se Jesus Cristo fosse governante do Brasil teria de chamar Judas para fazer uma coalizão, Fernando Henrique ironizou. "O ruim é quando se faz alianças espúrias, quando as alianças são feitas não em vista de um programa para eleição, mas depois da eleição, sobretudo para ganhar votos no Congresso. E em um momento parece que tem mais fariseus do que cristãos."
Para ele, o Brasil tem um problema político sério, em que o presidente se elege sem que seu partido tenha maioria no Congresso, o que leva a uma política de coalizões que podem ser feitas antes ou depois das eleições. Segundo o ex-presidente, a responsabilidade de quem vence as eleições é conduzir o País para melhor.