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Economia

Natal, 24 de Maio de 2012 | Atualizado às 23:17

Fiern lança livro sobre a industrialização no RN

Publicação: 11 de Fevereiro de 2012 às 00:00
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Margareth Grilo - repórter especial

A história moderna tem um pé, sempre muito firme no passado. Lançado, ontem à noite, no Solar Bela Vista, na Ribeira, o livro "História da Industrialização do Rio Grande do Norte - Uma indústria de resistência" não deixa dúvidas disso. O livro, elaborado pelos geógrafos José Lacerda Felipe e Aristotelina Pereira Rocha, ilustrado com imagens do fotógrafo Giovanni Sérgio Rêgo, revela a diversidade dos desafios dos primórdios da atividade industrial no Rio Grande do Norte. O lançamento foi realizado ontem.

Uma indústria que teve como tripé a cana-de-açúcar, a pecuária e o algodão e que, hoje, na era da economia sustentável encontra novas matrizes de desenvolvimento, como a energia eólica. "A ideia do livro", diz um dos autores, o geógrafo José Lacerda, "é resgatar a memória de um setor importante na vida econômica e social de nosso Estado". Ele lembra que as indústrias fizeram nascer vilas, bairros, povoados e cidades.

A pesquisa que traça os contornos históricos da indústria potiguar levou dois anos para ser concluída, segundo a geógrafa Aristotelina Pereira Barreto Rocha.  O material foi garimpado em arquivos públicos, de jornais e no Instituto Histórico e Geográfico, entre outras fontes como os livros da coleção Mossoroense e acervo pessoal das famílias de empresários retratados. "O mais difícil", disse ela, "foi  resgatar os arquivos familiares, porque as pessoas não tem o hábito de preservar a memória dos acontecimentos".

Além de empresários de diversos ramos econômicos, estiveram presentes autoridades e pesquisadores da UFRN. O projeto tem patrocínio da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e da Federação das Indústrias do RN (Fiern) - que está completando 58 anos, este ano, - e o intuito é transformar a obra em fonte de pesquisa. A tiragem, de mil exemplares, será distribuída entre empresários, bibliotecas, instituições comerciais, industriais e imprensa.

Para o fotógrafo Giovanni Sérgio o livro "é uma forma de entender o nosso Estado e buscar na história o seu sentido". Na solenidade, o 3º vice-presidente da CNI, Flávio Azevedo, afirmou que a Fiern investiu na publicação porque "não se pode esquecer o passado". Em seguida, citou empresários pioneiros, entre os quais João Motta, e disse que "foram heróis da resistência", que servem "como espelho" para as gerações de hoje.

Ao encerrar o discurso, o empresário disse  estar feliz porque, com essa publicação, "a Fiern está dando a oportunidade de contar a história da indústria da resistência". A publicação faz parte de um movimento nacional, promovido pelas federações de cada estado, cujo foco é o registro definitivo sobre o desenvolvimento da industrialização no Brasil.

O trabalho dos professores Lacerda e Aristotelina, ambos da UFRN, também traça um panorama atualizado. Partindo de registros do Engenho Cunhaú, considerada a primeira indústria em atividade aqui no RN, até as atuais montadores de computadores. O título abrange todos os segmentos como a produção de café, têxtil, laticínios, boné, doces, frutas, castanha de caju, farinha, sal à construção civil.

Bate-papo

Amaro Sales » Presidente da Fiern

A indústria potiguar se transformou nas últimas décadas.  Que avanços o senhor destaca?

Foram muitos avanços na industrialização e homens como Francisco Souto, Walter Dore, Thiago Gadelha, heróis dessa resistência, contam a história, e nos motivam a partir dos passos que deram. Hoje, nossa indústria é altamente competitiva, mesmo num estado pequeno como o Rio Grande do Norte. Para se ter ideia, a Fiern tem agregados a ela 28 setores econômicos da indústria. Isso é bastante significativo.

Que desafios o setor tem pela frente?

De ampliar a competitividade e de se modernizar. Hoje, a indústria da confecção compete com a China, de uma forma muito desigual porque aqui temos um custo fiscal, tributário e trabalhista bastante elevado. Mas a Fiern está posta para coordenar ações que possam aproximar o máximo o custo Brasil ao custo de outras em nações, para que nossa indústria possa se tornar ainda mais competitiva.

Que mudanças são necessárias?

As reformas nas áreas tributárias e trabalhistas são urgentes, mas fortalecer a indústria passa também por uma reforma sindical e política que, com certeza, influencia essas outras. O que temos visto é que a presidenta Dilma está bem intencionada, mas ninguém espere  por uma grande reforma, porque não vai ter. Vai ser como ver um navio passando. Acho que, no caso da reforma tributária, ela acontece, mas de forma paulatina.

Qual o diferencial da indústria potiguar?

Comparado a outros estados nordestinos e, até do país, nosso grande diferencial é a diversificação.  Identificamos facilmente 30 matrizes que dão sustentação à nossa indústria. Isso é muito positivo, porque não temos dependência de uma ou outra matriz industrial. Além disso, nossos empresários são grandes empreendedores. Indústrias com a Dore, Café Santa Clara e Candy Pop/Simas se instalaram no Estado, há décadas, e competem em pé de igualdade com a industria de qualquer outro país.


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