FIFA terá luco dobrado no Brasil
Publicação: 20 de Maro de 2010 às 00:00
Zurique (AE) - Se a Copa do Mundo no Brasil irá gerar algum benefício real para o País ninguém ainda pode dizer. Mas o Mundial de 2014 será o evento que mais irá gerar renda para os cofres da Fifa na história de mais de cem anos da entidade. O campeonato irá colocar nas contas da entidade um volume quase 100% superior ao que a Copa da Alemanha gerou em 2006. A entrada de recursos com o Brasil será ainda US$ 600 milhões a mais que na África neste ano.
Com suas contas repletas, o prêmio para as 32 seleções que irão ao Brasil atingirá um valor três vezes maior que o que os times ganharam na Copa de 2002.
As contas foram aprovadas nesta sexta-feira, no orçamento da Fifa para o período 2011-2014, em uma reunião em Zurique que contou com a presença do presidente da CBF, Ricardo Teixeira.
Para esse triênio, a Fifa prevê que irá ter uma renda de US$ 3,8 bilhões. Mais de 95% disso é gerado com o Mundial no Brasil. Para 2010, a previsão é de que a renda chegue a US$ 3,2 bilhões. Já na Copa de 2006, na Alemanha, a renda havia sido de US$ 2,1 bilhões.
Jerome Valcke, secretário-geral da entidade, explicou que parte do sucesso é a atração gerada pelo futebol no campo de negócios. Segundo ele, os acordos comerciais assinados entre a Fifa e empresas para o Mundial de 2014 já superam o que a entidade havia fechado quatro anos antes da Copa de 2010. Cerca de US$ 2,2 bilhões serão lucrados com a venda de direitos de transmissão. O restante virá de acordos comerciais. "Brasil e África do Sul são dois mundos separados. O que vemos como empresas no Brasil não é o que vemos na África do Sul. A economia brasileira é sólida e resistiu bem à crise", disse.
Segundo Valcke, vários acordos comerciais já fechados com empresas ainda estão sem ser anunciados. Mas serão revelados nos próximos meses.
Bilionária, a Fifa também investirá mais no Brasil que na África do Sul. Segundo o orçamento, a entidade gastará com o evento no País cerca de US$ 1,38 bilhão, mais de US$ 300 milhões a mais que na África do Sul.
As 32 seleções receberam um pacote de US$ 454 milhões em prêmios, o maior da história das Copas do Mundo. Para 2010, o prêmio será de US$ 420 milhões. Já na Alemanha em 2006, as 32 seleções receberam um total de US$ 261,4 milhões. Na Copa de 2002, vencida pelo Brasil no Japão, o prêmio foi de apenas US$ 154 milhões. A operação de TV será o segundo maior gasto, com US$ 228 milhões. Só em escritórios no Brasil a Fifa gastará US$ 16 milhões até 2014.
Preocupações
Mas nem tudo é motivo de tranquilidade para a Fifa em relação ao Brasil. À Agência Estado, Valcke já tinha alertado que a Fifa irá modificar a forma de vender ingressos para garantir que todas as 64 partidas tenham lotação esgotada. Para a Copa de 2014, apenas 75% dos ingressos foram vendidos e a Fifa não disfarça o desespero.
Outra preocupação é a de garantir que turistas estrangeiros viagem ao Brasil em 2014. Na Copa de 2006, a Alemanha recebeu 2 milhões de turistas. Já em 2010, o número não deve chegar a 350 mil. "Temos que garantir que os torcedores de seleções europeias tenham como viajar ao Brasil", disse Valcke.
Ele defende a criação de conexões não apenas à São Paulo e Rio de Janeiro, mas também voos diretos para as demais cidades que receberão jogos."Precisamos aprender com os erros da África do Sul para evitar que eles se repitam no Brasil", completou.