Agora você já pode ler a tribuna em versão FLIP
Ir para página inicial
  • Natal - 30°Natal - 30°

Viver

Natal, 11 de Fevereiro de 2012 | Atualizado às 11:41

Fim de festa

Publicação: 10 de Dezembro de 2009 às 00:00
tamanho do texto A+ A-

Michelle Ferret - Repórter

"Tenho a sensação de um aborto", descreveu o ator e professor de artes cênicas Jonas Sales ao receber a notícia de que a Festa do Menino Deus (auto de natal promovido pela Fundação José Augusto) não aconteceria mais. Depois de seis meses de produção e quase dois de trabalhos cênicos diários, a Fundação José Augusto precisou interromper a festa alegando falta de verba.

AnchietaEspetáculo Auto do Menino Deus, do ´ governo do Estado,   criado há dois anos para substituir Espetáculo Auto do Menino Deus, do ´ governo do Estado, criado há dois anos para substituir "Um Presente de Natal", foi cancelado por falta de verba
Jonas, assim como os mais de 150 artistas que participavam da preparação da Festa, sentiram na pele a ausência de uma política cultural sólida e planejada. "A partir do momento que um governo desmonta um espetáculo quando está prestes a estrear, a sensação é essa, de perda, de desolamento. Estamos desolados enquanto artistas", desabafou Jonas.

A notícia veio através do próprio diretor da Fundação José Augusto, Crispiniano Neto, que na tarde da última terça-feira foi até o ensaio explicar o que havia acontecido. "O orçamento do espetáculo era de R$ 500 mil reais e entramos com a solicitação de recursos ao conselho de desenvolvimento do Estado pois não tínhamos mais verba na Fundação e o pedido nos foi negado. Não posso fazer julgamento de valor, me cabe apenas dizer que não foi liberado. Esse é um reflexo da dificuldade financeira que o Estado vem passando. Mas não é só aqui, isso está acontecendo em todo o Brasil e no mundo. E em cultura, infelizmente temos que lidar com isso. Se tira verba da cultura para suprir as necessidades das outras áreas como saúde e educação", disse Crispiniano em entrevista ao VIVER.

A realidade também bateu na porta de outros projetos da cidade como o Seis e Meia que precisou ser interrompido em outubro. "Suspendemos o projeto de outubro, novembro e dezembro e estamos lutando para pagar o que devemos para os músicos", disse Crispiniano.

A Fundação José Augusto teve em mãos este ano R$ 22 milhões, sendo R$ 18 milhões destinados a suprir custos internos do órgão. "Nossa luta é que seja concretizada a nova proposta no Governo Federal de implementar a lei de destinar 1,5% do orçamento da união para os estado. "Se for concretizado, passaremos de R$ 22 milhões para R$ 110 milhões de verba anual destinado a cultura do RN. Isso modificará completamente este quadro difícil que temos hoje. Aí sim poderemos planejar uma política cultural mais sólida. Ao contrário é a eterna mendicância, vamos mendigar recursos a vida inteira. Isso é massacrante, é cruel", desabafa.

Além de gestor, Crispiniano é também autor de textos literários e diz sentir a mesma perda de Jonas (o ator citado no início da matéria). "Ontem, conversando com os atores, eu senti a mesma estranheza de quando há 4 meses eu ouvi que o Auto da Liberdade de Mossoró não seria concretizado. Eu, como autor do auto, fiquei perplexo.   Posso dizer que dar essa notícia aos atores ontem foi o dia mais triste da minha gestão", completou.

Encaixotando os figurinos

O bater do martelo anunciando o cancelamento de um espetáculo reflete em um conjunto de desilusões e desconstruções. Não só o tempo gasto com os ensaios e a construção de um personagem, mas o todo que isso envolve. "Isso fere a classe artística inteira. É muito triste ver pessoas que iniciaram agora na arte e se sentem frustradas. O espetáculo educa artista, educa público e foi muito frustrante ver aquelas pessoas tristes, chorando por isso. Foi uma das perdas mais comoventes de minha vida enquanto artista e isso inclui fortemente ver a cena dos atores, bailarinos e quadrilheiros desiludidos", disse Jonas Sales.

Segundo João Marcelino, diretor do espetáculo, estavam envolvidos 150 artistas entre atores, cantores, quadrilheiros, técnicos, contra regras, criadores de imagem, produtores e figurinistas. "Estavam trabalhando Haroldo Maranhão na construção e desenho do cenário, Racine Santos na assinatura do texto e Danilo Guanais na construção musical. O projeto começou há seis meses. Desde a conversa com Danilo Guanais e o tempo longo para trabalhar a música, até a construção do próprio Racine e as mudanças no texto. É um processo muito intenso. Além disso, os figurinos, mais de 30 desenhados e aquarelados estão todos prontos. Quando a gente chega na parte do ator tudo isso já está levantado. E com a força de todos, Wanie Rose coreografando, a gente trabalha a tal ponto que estávamos com tudo pronto, incluindo aí adereços e figurinos", contou João Marcelino.

Trabalho dos técnicos

Dentro dos 150 artistas estavam cinco pólos de quadrilhas estilizadas e os artistas pessoal do Circo Grock, além de atores de diferentes cidades do Rio Grande do Norte na intenção de "descentralizar" a arte. "Vieram artistas de Currais Novos, artistas de Mossoró e de outras partes, envolvendo o Estado", disse Marcelino.

Ao todo, seriam cinco apresentações no Largo Dom Bosco que aconteceriam entre os dias 26 a 30 de dezembro. "Fizemos a escolha das datas para que não houvesse choque na programação com os outros autos", disse João Marcelino.

Crispiniano Neto informou que a Fundação José Augusto está estudando uma forma tentar ressarcir as perdas causadas para os atores e todos os envolvidos na produção.


Publicidade
  • 600 caracteres
  • separar os emails por vírgulas
  • 600 caracteres
  • Encontrou algum erro nesta matéria? Envie pra nós.

  • 400 caracteres

comentários

tiberiotrigueiro@...10/12/2009 @ 12h10
Só lamentações e decepção com o quanto não se dar valor a arte e a cultura popular. Espetáculos dignos e assistir e aplaudir são raros em nossa cidade. Imagino que cultura para um povo carente de educação só resta muita cachaça e carnatal. Que pena.
izancoelho@...10/12/2009 @ 11h08
Os atores devem processar a fundaçao por danos morais.
aclmusica@...10/12/2009 @ 10h17
É triste, lamentável e vergonhoso. Uma falta de respeito com os artistas potiguares que dedicaram o seu tempo preparando o espetáculo, abrindo mão de outras atividades profissionais em prol deste projeto tão importante para a nossa cidade(julgo eu), onde vários turistas vem conhecer natal e sua cultura e quando chega aqui não temos nada para apresentar, sinceramente isso é um descaso com o povo norte-riograndense tb. A marca de um povo é a sua cultura!"Agente não quer só comida, agente quer comida, diversão e arte"
tbdomingos@...10/12/2009 @ 12h51
Fato lamentável. O cinismo é se afirmar que se direciona dinheiro da cultura para outros setores como educação e saúde, como se esses estivessem sendo beneficiados. :|
heliogc40@...10/12/2009 @ 15h02
Gostaria de saber quanto o governo do estado gastou com a parceria do carnatal,sim,porque o que vimos pela imprensa foi que estavam de maos dadas, e a senhora governadora pelo que vi na tv,nâo perdeu um só dia,nada contra ela se divertir,é um direito de todos,e agora lendo essa noticia,fico triste,pois á anos que eu e minha familia assistimos esse espetaculo,torço que mudem de ideia e volte a ser apresentado ainda esse ano,depois nâo venham falar de cima dos palanques que cultura é prioridade nesse governo,pelo que conheço do senhor presidente da fja,dar essa noticia deve ter sido muito dificio,pois sei que o mesmo transpira cultura,sê falta o pâo na mesa,pelo menos nâo deixe faltar o circo.
hyou2@...11/12/2009 @ 02h02
Isso tudo é reflexo da falta de conhecimento dos nosso governantes, Cultura é Educação, se é desviada a verba da Cultura para cobrir a de outras áreas, como foi sitado na matéria, foi desviada da Educação. Educação, como querer educação de uma raça de pessoas que não se importam com o seu bolso. Alegam falta de verba, né, Carnatal, Os Artistas Globais quem irão vir para levar gente para ver os outros Autos, O Desfile natalino (que vai ter pela 1ª vez), foram as festas de Fin de Ano, enfim fiquemos de olho!A tribuna do norte é uma das grandes testemunhas de quanto a ARTE POTIGUAR vem agonizando em 2009 Feliz Natal e sobrevivam para o próximo ano
keli_sexylove@...10/12/2009 @ 19h03
Acho que não é bem a Fundação que deve ser punida com a falta de respeito aos dançarinos,ao autor do texto,ao grande João Marcelino,mais sim a Prefeita Micarla que com seus administradores não estão sabendo construir uma cidade como deveria.
andre_trindad1@...10/12/2009 @ 18h14
Gastaram o dinheiro todo na parceria com o Carnatal.Ou pior, meteram mesmo a mão na grana, garantindo o revellon em Paris de muitoa gente.
otavio39_filho@...10/12/2009 @ 17h40
É lamentável o cancelamento de um espetáculo desse. O Geoverno tem idéia do que é isso. Por isso não temos memória cultural nenhum, não é dado o devido valor. Viva os estados, como é o caso de Pernambuco, onde acontece de tudo com relação a cultura local e geral. Parabéns ao Governo e fundação por mais uma frustação. E não esquecem 2010 é período de eleição!!!
carlinhos_6209@...10/12/2009 @ 16h55
Lamentável, desrespeito, vergonha e falta de consideração, essas são palavras para tal atitude do governo do estado. Sra Governadora, um espetáculo teatral não pode ser considerado como uma obra inacabada, que se inicia, se ergue, mas no meio da construção, para, alegando falta de verba. Admirava muito seu trabalho Governadora, mas diante dessas atitudes (Divisão do ICMS e Cancelamento do Auto de Natal), não posso mais admirar tal administração que despreza nossa capital, cortando o pouco que temos. Vamos deixar as brigas com nossa prefeita de lado e pensar mais no cidadão natalense.
socorrofh@...10/12/2009 @ 16h19
LAMENTO ISSO O Q ESTA ACONTECENDO, COMO PODE ACONTECER?? NÃO EXISTE DESCULPA.....ACREDITO Q TODOS NÓS PERDEMOS COM ESSA ATITUDE?? O PODER PUBLICO Q NÃO INVESTE NA CULTURA?? VEJA A NOSSA VIZINHA MOSSORÓ..... EXEMPLO.... POBREZA DEMAISSSSSS FaLTA DE COMPROMISSO.. KEDê as verbas?? estão aonde?????????????????????????????????????????
Tribuna do Norte