A Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (Semsur) está fechando o cerco contra os vendedores de DVDS e CDs piratas. Tanto que em alguns pontos de Ponta Negra o comércio está funcionando de forma inibida e quem se arrisca a comercializar os discos está amedrontado. Agora as blitzen vêm ocorrendo de forma mais ostensiva, com a ajuda da Polícia Militar. Mas muitos populares não concordam com a ação.
Marcelo Barroso
Ambulantes reclamam da fiscalização realizada pela Prefeitura
Na tarde de ontem, três vendedores estavam em frente ao Banco do Brasil da avenida Engenheiro Roberto Freire. Mas não como antigamente, com centenas de DVDs espalhados na calçada. Agora, por causa da fiscalização, carregam poucos discos na mão, para que consigam correr com a chegada do "rapa". "Antes eles mandavam a gente sair. Agora, a gente foge pra não ser preso", disse um jovem que não quis se identificar.
Segundo os ambulantes, os policiais militares participam da ação a bordo de viaturas ou motocicletas e não desistem enquanto não os capturam. "Eles correm atrás da gente. Eu passei uma semana preso na plantão zona Sul, junto dos traficantes, ladrão, assaltante", disse o mesmo garoto. Os vendedores denunciam que muitas vezes os fiscais da Semsur agem com truculência.
O mesmo vendedor que reclama da forma como os fiscais vêm agindo, reconhece que a venda dos "piratas" é ilegal e diz que entende o trabalho da polícia. Segundo ele, largaria a atividade se lhe fosse dada alguma alternativa. "Se me dessem uma oportunidade, trabalharia legalmente. Não pude estudar quando era criança. Ou estudava ou morria de fome e agora não consigo trabalho".
Alguns clientes do banco que entravam e saíam do terminal de caixas eletrônicos, em cuja calçada os vendedores estavam, conversaram com a equipe de reportagem e demonstraram não se importar com a venda dos "piratas" no local. "É o trabalho deles. Não vejo nada demais. É o ganha-pão do pessoal", disse a depiladora Sued Medeiros.
A opinião do gerente de negócios Sandro Silva é a mesma. "Acho normal. Não vejo problemas. Todo mundo precisa trabalhar". Já a psicóloga Isabele Laplanche, defende não só a atividade, como também um apoio da prefeitura, para que os ambulantes tenham uma estrutura mínima. "Deviam arranjar um local específico e que eles tenham bancas organizadas para trabalhar". Se para os vendedores de discos piratas a coisa não está fácil, pelo menos para os ambulantes que trabalham com outros produtos o tempo é de relativo sossego. Os que ocupam o calçadão de Ponta Negra foram cadastrados e têm permissão temporária para a atividade. "Deixaram a gente vender aqui na calçada enquanto não constroem a feirinha, perto do morro do careca", disse que vende telas de pintura.
A vendedora de milho Maria Henrique da Silva trabalha em Ponta Negra há 25 anos. Ela conta que já fez o recadastramento junto à prefeitura, e que agora está mais sossegada. "Pelo menos aqui com a gente não mexeram mais. Graças a Deus".
IFRN vai apresentar um diagnóstico dos ambulantesO secretário adjunto de Operações da Semsur, Flávio Fonseca, garante que o cadastramento que está sendo feito entre os ambulantes terá efeito prático. Ele explica que os dados estão sendo coletados pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN), que vai apresentar um diagnóstico socioeconômico dos vendedores.
"A partir desse estudo é que podemos conseguir os recursos do Governo Federal, para iniciarmos cursos de capacitação", por exemplo, disse Flávio. De acordo com o secretário, a mesma pesquisa foi feita entre os feirantes de Natal, a partir também de um cadastramento. "Falava-se antes que Natal tinha mais de cinco mil feirantes. Hoje sabemos que não chega a dois mil. Sabemos quanto são homens e mulheres, onde moram, onde trabalham e o que vendem".
O secretário disse que todos aqueles de Ponta Negra que receberam a notificação da Semsur e compareceram ao IFRN, receberam um "canhoto" que serve como autorização temporário de trabalho, respeitando as particularidades de cada área. Para instalar os ambulantes a prefeitura pretende ampliar os camelódromos do Centro e do Alecrim, reformar o "mercado da 04" e o centro comercial da avenida Iapissara Aguiar.