Um dos blocos mais tradicionais do carnaval de Natal durante as décadas de 1960 e 1970, Os Apaches voltará a animar as ruas da capital potiguar este ano. Pouco mais de trinta anos depois de sair pela última vez, antigos integrantes do bloco prometem resgatar um pouco dos carnavais marcados pelos blocos de elite, com direito a uma alegoria para transportar os foliões e a orquestra de frevo, puxada por um trator, além dos bailes realizados em casas de componentes, conhecidos como "assaltos".
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Com alegoria e banda de frevo, Bloco Apaches marcou os carnavais das décadas de 60 e 70
O bloco contará com a participação de 15 casais, saindo no sábado, domingo e terça-feira de carnaval, para dois assaltos diários nos bairros de Capim Macio, Ponta Negra, Lagoa Nova, Tirol ou Petrópolis. "O nome assalto é justamente porque todo o bloco vai em uma casa, comer e beber por conta do anfitrião. Mas, claro, isso é combinado previamente e a pessoa tem todo o prazer em receber os integrantes e a orquestra de frevo, para passar cerca de duas horas fazendo uma festa na casa dela", explica um dos diretores do Apaches, Beto Coronado.
O diretor conta que o bloco não tem fins lucrativos e é formado por amigos que, em sua maioria, participaram do Apaches nas duas décadas em que ele existiu. Esses integrantes vêm promovendo reuniões para discutir questões práticas do retorno, desde meados do ano passado. "Atualmente, nos encontramos todas as sextas-feiras, no bar Maria Bonita, em frente ao ginásio Sílvio Pedroza", diz o diretor.
Para viabilizar o projeto, destaca Coronado, foram conseguidos apoio da Fundação Cultural Capitania das Artes (Funcarte) e da Pitu. "A primeira patrocinará a orquestra e a segunda, a alegoria que começará a ser feita ainda esta semana", revela.
MemóriaO Apaches foi criado por 18 rapazes no sábado de aleluia de 1960, num evento chamado Micareme. Dentre os fundadores estavam Chiquinho PP, Flávio Nóbrega, Cristiano Alves, Carlos Eugênio, Carlos Couto, Abinoam, Raimundo Jarbas e João Alfredo, além dos irmãos Edivaldo e Erivaldo, filhos do agropecuarista Francisco Arnon, que era o patrocinador do trator e caçambas destinadas às alegorias. O primeiro ano em que o bloco saiu foi 1961, tendo como madrinhas Célia Lira e Iara Lamas, mantendo-se no carnaval natalense até 1977.