Fraude alimentar: CSI e a carne de cavalo (1)

Publicação: 03 de Março de 2013 às 00:00

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Letras & pratos - Michele Maisto - madrelingua@supercabo.com.br

O “escândalo” sobre o consumo involuntário de carne de cavalo pelos europeus possui ao menos dois aspectos dignos de nota (1). O primeiro diz respeito à credibilidade dos produtos da indústria. Por que deveríamos acreditar cegamente nela se, está provado, nos engana? O segundo remete ao arranhão que provocou no padrão cultural de carne que o Ocidente consome. Boi é para comer; cavalo, para esportes.

A primeira grande suspeição em relação à carne industrial surgiu por ocasião da chamada “crise da vaca louca”, em 1986, na Inglaterra. Só com a epidemia no rebanho britânico é que o governo proibiu a utilização de farinha animal na ração. Mas o estrago já estava feito. E até hoje floresce uma próspera indústria de rações que formula sem transparência a alimentação de bois, aves ou peixes - ministrando restos orgânicos de um gênero ao outro, o que poderia produzir uma contaminação cruzada.

No entanto não estamos dispostos a conceder que qualquer carne seja admissível na nossa dieta. Apesar de se ver carne de cavalo à venda em açougues franceses e italianos, não são todos os consumidores que consideram esse produto comestível. Repugna-nos que certos povos possam comer cães - esses pets tão maravilhosos que vêm num longo processo de “humanização” no Ocidente até culminar na “Declaração Universal dos Direitos dos Animais” (Unesco, 1978), que praticamente os considera membros da família humana. A velha noção de canibalismo (2) perturba nosso espírito quando descobrimos um animal de espécie próxima (doméstica) ou distante (selvagem) sendo comida. Proíbe-se a caça e exige-se tratamento humanitário para os animas de abate; não é à toa que os antigos matadouros foram rebatizados como frigoríficos, substituindo a consciência do sangue e do sacrifício pela imagem da rigidez cadavérica.

A chamada “angústia alimentar moderna” - a certeza de que não sabemos o que comemos - aviva-se agora no cotidiano europeu por conta da fraude na composição de hambúrgueres, kebabs e lasanhas. a abertura da “caixa-preta” certamente trará novas revelações. Enquanto isso, a Europa se escandaliza com a clara ruptura de um padrão alimentar, histórico e consagrado, por uma sórdida estratégia de capitalistas gananciosos (3).

O que acontecerá no futuro próximo? Por enquanto o teste de DNA, essa verdade moderna vulgarizada por séries como CSI, nos ajudará a desvendar as fraudes.

1Para ler o artigo completo, Assinado pelo sociólogo Carlos Alberto Dória,

ver http://www.estadao.com.br/noticias/suplementos,o-hamburguer-das-cavalgaduras,997753,0.htm

2Em seu livro “O que iremos comer amanhã ?” (Editora SENAC São Paulo, 2009) o historiador norte-americano Warren Belasco mostra como, no Ocidente, “comer carne bovina se tornou sinônimo de “civilizado”. Mas sem esse mito ocidental do século 19 não compreenderíamos a expansão do faroeste norte-americano nem a ocupação dos pampas argentinos. E foi a invenção dos navios frigoríficos que permitiu, a partir de 1880, à frozen meat cruzar o oceano em direção às mesas europeias”.

3Em 1869, o químico francês Mège-Mouriès aplicou a saponificação para produzir manteiga diretamente da gordura dos bovinos - a prosaica margarina - os agricultores franceses se levantou em pé de guerra taxando a descoberta de “falsificação”. A manteiga “falsa” levou anos para encontrar seu lugar no mercado, num percurso cheio de compromissos que incluiu a produção da beurrine - composto misto de manteiga e margarina.

Receita

Salada de milho com
codorna marinada
Rendimento: 2 pessoas

INGREDIENTES:

1 espiga de milho
2 codornas
1 berinjela média
1 pêra
1 limão
Radicchio (ou alface roxa)
Azeitonas verdes
1 dente de alho
4 colheres de sopa de azeite extra virgem
1 colher de sopa de molho de soja
1 colher de sopa de óleo de girassol
Tomilho
Manjerona
Pimenta do reino
Sal

MODO DE PREPARO:

Com uma tesoura retire a espinha dorsal das codornas. Coloque-as numa tábua e abra-as em folha. Numa tigela coloque as codornas e adicione o tomilho, o alho picado, 1 colher de sopa de azeite, o molho de soja e uma pitada de pimenta do reino moída na hora e esfregue esses ingredientes nas codornas. Deixe marinar durante uma hora na geladeira. Cozinhe o milho em água e sal por 5 min e escorra-o. Misture o óleo de girassol com o resto do azeite e pincele sobre rodelas de berinjela de 1 cm de espessura. Grelhe-as numa chapa e, em seguida, grelhe as codornas durante 4 min de um lado e 2 de outro. Corte o milho em discos de 1 cm de espessura. Retire algumas folhas do radicchio. Corte a polpa da pêra em 8 pedaços. Para montar o prato, faça uma base com o milho e a berinjela. Em seguida misture o radicchio, a pêra, as azeitonas, as folhas de manjerona numa tigela. Coloque esta salada por cima da base. Coloque a codorna cortada (peito e pernas) em cima da salada.

Receita de Mediterrâneo Buffet – Telefones: 4141-6437 / 9991-0876


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