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Jornal de WM

Natal, 23 de Maio de 2012 | Atualizado às 14:16

Gonzaga e o EU

Publicação: 27 de Dezembro de 2011 às 00:00
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Marechal Porpa passa cedo (vinha de uma missa) pela Heráclito Vilar  e me deixa os jornais de João Pessoa por onde andou no rastro da estrela de Belém. Nascido em  Nova Cruz, Porpino jamais esquece a Paraíba do outro lado do Curimataú. As mesmas águas do mesmo rio. A mesma gente. Primeira coisa que o Marechal faz ao chegar numa cidade  é comprar seus jornais. Se a cidade não tem jornal,  busca os da capital. Quando vai ao  exterior leva o mesmo vício. Saudável vício. Ainda não descobriu a internet e gosta mesmo é de pegar no papel.  Ontem me trouxe o Correio da Paraíba, A União e o Jornal da Paraíba, todos os três de domingo.

No Jornal da Paraíba tem a crônica de Gonzaga Rodrigues, que está entre os melhores cronistas brasileiros. Veteraníssimo. Já fez tudo em jornal. O jornal  foi a passagem para a literatura. Luiz Augusto Crispim, outro mago da crônica, o chamou de "um entalhador da ficção".  Tenho alguns de seus livros. O Café Alvear é uma beleza.  Agora, acabo de ler sua crônica de anteontem em que fala do centenário  da primeira  edição de o EU, de Augusto dos Anjos:

- Publicado em 1912 por uma tipografia sem nome, magro como o autor  e em papel ordinário, em junho que vem o EU de Augusto dos Anjos chega aos 100 anos e à sua 45ª edição regular. Edição rica, próxima da perfeição, relida por exegetas de textos e mais ainda pelo povo. Poucos dos que torceram o nariz ao sacrifício de vida e ao livro estranho do paraibano (reis e súditos da bélle époque do Rio) raríssimos o acompanharam nessa corrida editorial.

Adiante, Gonzaga dá uma passada por Coelho Neto:

- Tinha visto, numa das revistas da Academia Brasileira de Letras, um ensaio sobre o velho Coelho Neto, autor que eu havia deixado para trás desde a gremiação  com Evaldo Gonçalves e Juarez Farias, iniciada em  Campina. Era, entre os autores selecionados, o mais presente, sobretudo pela copiosidade vocabular. E a nota de agora  botava lá  em cima o "Turbilhão", seu romance  mais famoso. Apanhei o dito cujo, obra prima de fino lavor editorial, a capa de tecido verde-lodo com uma efígie em relevo do escritor, impressa no Porto. Em 1919 estava na 2ª edição. Agora, 72 anos depois, o registro de um sebo do Paraná creditava-lhe a quarta. Coelho Neto fazia parte da confraria do chá da Colombo, da qual o poeta Augusto passava por longe.

E volta a Augusto dos Anjos:

- O livrinho magro, sem editora, com um esquisito EU vermelho e assimétrico na capa e na folha de rosto, terminou enterrando o autor augusto longe de sua terra antes dos 30 anos. E desenterrando a poesia mais encantatória, mais estudada e mais popular da literatura brasileira. Salva pelo povo no louvor de Fausto Cunha.

Mais  poesia

Certamente levado pelo "espírito de natal" o poeta Sanderson Negreiros pegou o telefone e ligou para o poeta Thiago de Melo, firmíssimo nos seus 85 anos e morando (depois de percorrer o mundo) na cidade onde nasceu, Barreirinhas, cercada pela selva e pelos rios amazônicos. Conversa vai conversa vem, Thiago Melo lembrou de sua passagem por Natal - era  amigo de Odilon Ribeiro Coutinho -  e do seu namoro com Zila Mamede. Não sabia da morte de Zila (há 26 anos) e pediu a Sanderson que lhe mandasse  as obras  completas de grande poeta.

Por  sua vez Sanderson falou do primeiro livro de poesia que leu logo após deixar o Seminário. Andava pelos 13, 14 anos, e gostava de frequentar a livraria Boi Tatá, de Abelardo Morais (térreo na Liga Artístico-Operária, avenida Rio Branco esquina coma Cel. Cascudo, Cidade Alta, onde depois seria estúdio de Jaeci; nada disso existe mais). Foi na Boi Tatá, onde Newton Navarro expunha seus quadros, que Sanderson descobriu o Silêncio da Palavra, primeiro livro de Thiago Melo. Segundo Sanderson foi por ali que ele começou a andar pela poesia.

Metais do Seridó 

Começou ontem e termina hoje, em Cruzeta, o I Encontro de Metais do Seridó com oficinas de Trompa, Trompete, Trombone, Tuba e Bombardino. Comemora-se os 25 anos da Filarmônica de Cruzeta.

Casamento político

Deu no Estado de S. Paulo

- Para manter o casamento com o maior partido de sua  base aliada, o PT estuda ceder ao PMDB nas eleições de 2012 até13 cabeças de chapa em municípios considerados estratégicos. Com foco na reeleição da presidente Dilma Rousseff, o comando nacional petista pressiona dirigentes locais a desistirem de lançar candidatos próprios para apoiar nomes indicados por legendas amigas.

- Um levantamento interno do PT, a que o Estado teve acesso, mostra que o partido cogita abrir espaço para seus aliados em até 40 das 118 capitais e cidades com mais de 150 mil eleitores - apontadas como prioridades da próxima disputa e batizadas de "joias da coroa" pela direção nacional da sigla.

Praça da Paz 

Como o governo do Estado, através de decreto, proibiu qualquer manifestação de protesto no Centro Administrativo, onde fica o gabinete da governadoria, o pessoal já está chamando o largo de Praça da Paz.  Comparação com os ruídos de Pequim.

Lixo

Com os festejos natalinos aumentou a quantidade de lixo na Cidade. A sujeira é em toda parte. Papai Noel é um sujo e faz uma dupla perfeita com a prefeitura.

Do Brasil 

Perdemos para o Barcelona, mas o Brasil  ultrapassa o Reino Unido (Inglaterra, Escócia, Irlanda do Norte e País de Gales) e chega no aceiro da sexta maior economia do Mundo. ´Está nas capas dos cadernos econômicos de todos os jornais do mundo. A pesquisa é dos próprios jornais britânicos. O Brasil fica atrás apenas dos Estados Unidos, China, Japão, Alemanha e França.

Na Favela do Maruim não se fala de outra coisa.


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