Governo muda comando das forças federais em Salvador
Publicação: 09 de Fevereiro de 2012 às 00:00
Brasília (AE) - O general Marco Edson Gonçalves Dias, da 6ª região militar, foi afastado das funções que exercia de comando das operações em Salvador, onde os policiais militares estão em greve desde a ultima terça-feira. Ontem mesmo, o comandante da Força, general Enzo Martins Peri, determinou ao comandante militar do Nordeste, general Odilson Sampaio Benzi, que seguisse para a capital baiana e assumisse o comando da tropa local. A postura do general G. Dias, que foi chefe da segurança do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, desagradou não só o Exército, como o Palácio do Planalto.
A presidenta Dilma Rousseff durante não escondeu a sua "indignação" com o episódio. Chegou a comentar que considerou "inaceitável" a postura do general G. Dias de "apagar velinhas", mesmo sendo seu aniversário, passando a ideia de que estava confraternizando com os manifestantes. "Isto é inadmissível", desabafou, acrescentando que "não esperava isso dele. Dilma relatou ainda que o governador Jacques Wagner, telefonou para ela, na noite de terça-feira, se queixando do comportamento do general e ressaltando que este fato "atrapalhava as negociações" com os grevistas.
Em conversas com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, o governador baiano, de quem G. Dias é amigo, reconheceu que o general "extrapolou" e enfraqueceu as negociações, que acabaram se arrastando por mais tempo, quando se esperava que elas fossem concluídas ontem. No Exército, o gesto de G. Dias de dizer que ele estava na manifestação presente "sem colete a prova de balas", na avaliação de militares, causou um tremendo mal-estar porque ele parecia mais aliado dos grevistas, considerados fora da lei pelos oficiais das Forças Armadas, do que da população que precisa de proteção.
Militares comentaram ainda que o general enfraqueceu a capacidade de negociação do governo porque deixou claro para os líderes do movimento que não ia haver confronto com eles.
"A postura dele foi fora do contexto e sem consultar ninguém", disse um dos oficiais consultados pelo Grupo Estado, "Ele apareceu defendendo o grupo que esta transgredindo a lei e sendo combatido. Com isso, passou uma mensagem negativa, equivocada e foi péssimo para a Força", comentou outro militar.
Esta postura, na avaliação de militares, atrapalha até mesmo futuras operações de garantia da lei e da ordem, conhecida pela sigla GLO, dando demonstração de que o Exército não vai invadir uma assembleia tomada por PMs grevistas, enfraquecendo o poder de dissuasão da força.
Diante do ocorrido, o comandante do Exército, general Enzo, que está como ministro Interino da Defesa, telefonou para o general Benzi, superior hierárquico de G. Dias, e comandante do Nordeste, e determinou que seguisse para Salvador, para comandar a operação.
Entidades confirmam carnaval
Salvador (AE) - Uma reunião realizada no início da tarde de ontem entre as 19 principais entidades de carnaval da Bahia - entre associações de blocos e entidades carnavalescas e sindicato de músicos profissionais - garantiu a realização da folia em Salvador e cobrou do governo baiano a segurança na festa. "O governo tem a responsabilidade e o dever de garantir a segurança e a Polícia Militar precisa fazer a sua parte", diz trecho do comunicado oficial divulgado após a reunião. "Um evento desse porte não depende apenas de alguns, depende sim do desejo e da organização do povo. E o povo da Bahia quer o carnaval". "Vamos colocar o bloco na rua", afirmou o presidente da Associação dos Blocos de Trio, a principal entidade do setor no Estado, Fernando Boulhosa.
"Nosso entendimento sobre a realização da festa é unânime, todos os envolvidos estarão na rua promovendo o evento", acrescentou. O sócio da Central do Carnaval, principal empresa de produção de blocos e camarotes da Bahia, Joaquim Nery, concorda - e cobra do governo a garantia de ordem na folia. "A estrutura para os foliões está garantida e cabe ao governo saber como será feita a segurança, caso a greve continue".