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Natal, 24 de Maio de 2012 | Atualizado às 23:17

Governo pune grevistas e paralisação perde força

Publicação: 11 de Fevereiro de 2012 às 00:00
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Salvador (AE) - O governo baiano começou a punir os policiais militares que promovem, desde o dia 31, uma paralisação no Estado. De acordo com a administração estadual, quem não compareceu aos batalhões até o meio-dia de ontem vai passar a sofrer sanções. "A partir de hoje, o comando está tomando (a paralisação) como ausência ao serviço e vai abrir processo administrativo para avaliar as punições", afirma o comandante-geral da PM na Bahia, coronel Alfredo Castro. Os policiais foram informados da decisão do governo por volta das 10 horas. Seguiu-se uma corrida aos batalhões de Salvador - pelas ruas, carros e motos de PMs e viaturas tentavam abrir caminho nos congestionamento da cidade para não perder o prazo. Muitos PMs que chegaram aos batalhões foram imediatamente mandados para a rua - e alguns não esconderam o descontentamento com o rumo que as negociações com o governo tomou.
Gildo Lima/AECoronel Alfredo Castro garante que 85 por cento do efeito policial estava trabalhando ontem em SalvadorCoronel Alfredo Castro garante que 85 por cento do efeito policial estava trabalhando ontem em Salvador

"Tive de voltar porque não tenho como compensar corte no ponto (desconto por dia de trabalho perdido), mas era mais certo continuar com a greve", afirmou um PM ao desembarcar no Pelourinho no início da tarde, com outros sete colegas, em duas viaturas. "O governo tem dinheiro para pagar o que deve, mas fica nesse cabo-de-guerra, em vez de valorizar o policial."

Segundo Castro, 85% do efetivo policial está trabalhando em Salvador e na região metropolitana e 80% estão nas ruas no interior. Para ele, na maior parte do Estado, o policiamento é "normal". "Tudo tem início, meio e fim - e, na minha ótica, o fim da greve está decretado", avalia. "Agora, existe apenas uma pequena minoria que resiste à convocação do comando."

O coronel admite ainda haver áreas com carência de policiais na Bahia. Ele citou a área do Subúrbio Ferroviário e o bairro de Cajazeiras, em Salvador, a região sul do Estado e o município de Paulo Afonso, no norte baiano.

"Nesses casos, temos o reforço de tropas de reserva, como o Choque, e de unidades especializadas, como a da Caatinga", diz, ressaltando que o Exército continuarão reforçando o policiamento ostensivo no Estado "até que a sociedade se sinta segura".

Em Salvador, as escolas da rede estadual e na maioria da rede particular funcionaram normalmente. Nas da rede municipal, as aulas estão canceladas até que a greve seja oficialmente concluída. O comércio também abriu as portas, apesar de o fluxo de clientes ainda ser menor que o normal - de acordo com a Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas da Bahia, o prejuízo acumulado no comércio no Estado passa dos R$ 500 milhões.

Lideranças do movimento grevista contestam os dados apresentados por Castro e afirmam que a greve está mantida. "Em muitas cidades, 100% da tropa está parada", afirma o soldado Ivan Carlos Leite, sem listar os municípios. "Esse tipo de agressão do governo, de ameaçar com punições, só serve para inflamar ainda mais os ânimos dos grevistas. Nós temos brios e já mostramos do que somos capazes." Uma assembleia dos policiais grevistas começou no início da noite, após mais de duas horas de atraso. Profissionais de imprensa não tiveram acesso à reunião, realizada na sede do Sindicatos dos Bancários.

No Rio de Janeiro, 270 militares em greve são indiciados

Rio (AE) - No primeiro dia da greve de policiais e bombeiros no Rio, o Governo do Estado indiciou 270 militares das duas corporações e baixou um decreto para agilizar a punição aos líderes do movimento. Publicado em edição extraordinária do Diário Oficial, o decreto nº 43.462 diminui o prazo de julgamento das infrações na PM e no Corpo de Bombeiros para 15 dias. O Corpo de Bombeiros anunciou a prisão administrativa de 123 guarda-vidas por falta ao serviço e abriu processo disciplinar. Uma inquérito no Conselho de Disciplina da corporação pode resultar na expulsão de 18 lideranças, entre elas o cabo Benevenuto Daciolo, que está preso em Bangu 1, dois oficiais e 15 guarda-vidas.

Ontem, sete policiais foram presos em diversos batalhões por desobediência. 147 PMs foram indiciados por crimes militares e 16 presos. Dos 11 líderes grevistas da corporação que tiveram as prisões decretadas pela Justiça da Auditoria Militar, 9 foram detidos ontem, entre eles estão três oficiais da reserva. Um processo disciplinar foi aberto para julgar 14 PMs que poderão ser expulsos.

Alguns líderes do movimento na PM consideram como certa a expulsão. "Isto é muito triste. Sou formado em Direito e permaneci na corporação, pois acreditei que poderíamos melhorar a PM", afirmou o cabo João Carlos Gurgel, que é lotado no QG, minutos antes de ser preso.

A Justiça determinou sigilo no inquérito sobre os líderes do movimento na PM. Entre as prisões decretadas, oficiais da reserva cuja militância ocorria na Internet em blogs e redes sociais, como os coronéis da reserva Paulo Ricardo Paúl e Adalberto Rabello, além do major Hélio Oliveira. Sete cabos e um sargento tiveram as prisões decretadas. Única mulher da lista, a cabo Vivian Sanchez Gonçalves foi presa ontem.

Em Volta Redonda (Sul Fluminense), 129 policiais foram indiciados em um Inquérito Policial Militar por crime militar. O Batalhão de Operações Especiais (Bope) foi para Campos (Norte do Rio) para reforçar o patrulhamento.


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comentários

romeicagondim@...11/02/2012 @ 12h53
Discordo das punições. Penso que como cidadãos e trabalhadores todos devem ter direito a reivindicar melhorias nas condições de trabalho. está é na hora de reverem essa lei, que castra os militares e tiram o direito de manifestarem suas insatisfações. No mundo não há mais espaço para esse tipo de regime, e ditadura. Apoio o movimento grevista dos militares e de todas as classes trabalhadoras, pq as condições de trabalho, e os proventos no final do mês são humilhantes. Coloca esse governador que vai punir os grevistas para fazer ronda nas ruas, arriscar a vida, para receber o que um policial recebe...tenho certeza que nessas condições ele repensaria suas propostas e sua posição diante do movimento.
petmed@...11/02/2012 @ 14h13
O ruim da greve eh quando a população nota que o serviço nao faz falta!!!! de que adianta vc chamar a policia e ela chegar 2 horas depois??
eduardofcec@...11/02/2012 @ 02h44
Os governantes brasileiros sao tudo sem carater mesmo e sem inteligência tambem. O efetivo da PM para proteger os cidadãos já é pouco e os governadores querem a prisao dos PM's. Os bandidos devem ta é rindo disso. Governadores, voces deviam é ir atras de prender bandido! Tomem vergonha na cara e tirem dos salarios astronomicos dos deputados para pagar quem garante a nossa segurança. Nas eleições, os cidadãos tem é que botar p/ fora esses politicos que nao prestam, a exemplo desse governador baiano de cabelo branco, que ja passou do tempo de se aposentar, nao sabe mais fazer nada, ja ta gágá
roberoas@...14/02/2012 @ 09h11
FAZER GREVE NÃO FICOU PARA TODO MUNDO, GREVE É PARA QUEM É MACHO, NÃO FICOU PARA COVARDE, TODOS TEM QUE BOTAR NA CABEÇA QUE QUANDO SE PARTE PARA GREVE TEM QUE SE ARROCHAR, NÃO TREMER AMEAÇAS, AMEAÇAS É A FORMA MAIS COVARDE QUE OS GOVERNANTES TEM DE PRESSIONAR, NOS NÃO PODEMOS NOS IGUALAR!!!
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