Uma decisão liminar do desembargador Henrique Baltazar publicada na tarde de ontem determina que o Sindicato dos Trabalhadores em Educação (Sinte/RN) encerre a greve, considerando a paralisação abusiva e ilegal. O Sinte bate o pé, e diz que leva para a categoria a orientação pela continuidade do movimento.
Alex Régis
Professores decidem em assembleia, hoje, se continuam com paralisação ou se voltam para as escolas
A tutela antecipada foi um pedido do procurador geral do município, Bruno Macedo, diante do impasse com o sindicato. "A greve era ilegal porque não garantia o quantitativo mínimo de profissionais para manter uma parcela da rede municipal funcionando", explicou o procurador.
Ele sustentou ainda que a greve era abusiva porque a Prefeitura de Natal teria comprovado através de cálculos orçamentários que já havia atendido razoavelmente aos pleitos dos professores.
O desembargador indeferiu o pedido do procurador para que os dias de greve fossem descontados dos salários dos professores, mas atendeu ao pedido para que as aulas sejam repostas. O desembargador definiu ainda uma multa diária de R$ 5 mil, caso o Sinte/RN não cumpra a determinação. "Se eles não cumprirem, fica caracterizado o crime de desobediência", comentou o procurador Bruno Macedo.
O secretário de Educação de Natal, professor Elias Nunes, também comemorou a liminar. Foi uma medida justa. Nós atendemos todos os pedidos possíveis, a matéria já estava passada e estamos honrando os compromissos que estavam atrasados. O secretário disse que por isso, espera a compreensão dos professores, para que voltem ao trabalho ainda hoje.
Segundo Elias Nunes, a greve foi um movimento político, já que a negociação foi aberta até que chegaram a um ponto em que não havia mais possibilidades de avanço. "O problema é que o sindicato sabe começar uma greve, mas não sabe terminar", disse.
Para Fátima Cardoso, coordenadora geral do Sinte/RN, a luta não está perdida. Depois de se reunir com a assessoria jurídica do sindicato, ela disse que vai levar para a assembleia da categoria, a orientação de continuidade da greve. "Essa é a posição do sindicato. A greve continua", disse a sindicalista, apesar da multa determinada pela justiça.
Nova assembleiaSegundo Fátima Cardoso, o Sinte/RN vai recorrer, já que a decisão publicada ontem foi em caráter liminar, não havendo ainda o julgamento do mérito em si. "Houve o voto do relator e precisamos aguardar a decisão do grupo de juízes. Mas, com certeza, vamos recorrer e lutar por nossos direitos", disse a sindicalista.
De acordo com a coordenadora do Sinte, é preciso que os juízes ouçam os professores da rede municipal e tomem conhecimento da real situação deles e da estrutura das escolas.
Uma nova assembleia com os professores da rede municipal está marcada para acontecer na Escola Estadual Winston Churchill, hoje, às 14h.
Paralisação iniciou em 18 de fevereiroA greve dos professores do município começou em 18 de fevereiro, que seria o primeiro dia de aula este ano. Os profissionais reivindicam o Plano de Cargos e o terço de férias de educadores infantis, o pagamento de atrasados, como promoções verticais e horizontais, a carga suplementar de trabalho, as horas extras pela preparação de alunos para a Prova Brasil, e os salários dos professores do Pró-Jovem. Além do repasse das verbas das escolas.
A rede municipal de Natal tem cerca de 50 mil alunos e segundo o Sinte/RN, o movimento alcançou uma adesão de 90%.
Os professores da rede estadual também estão em paralisação, desde 1º de março. Eles reivindicam um reajuste de 18% e negaram a última proposta do governo, feita no fim da semana passada. Ainda ontem os professores haviam marcado mais uma reunião com o secretário Estadual, Otávio Augusto, para a apresentação de uma contraproposta.