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Natal, 24 de Maio de 2012 | Atualizado às 00:39

Histórias e estórias do folclore

Publicação: 20 de Dezembro de 2011 às 00:00
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Valério Mesquita - Escritor

Essa "estória" é do folclore social de Angicos. O vereador José Barbosa (Zé Doido), num final de ano, promoveu um almoço à brasileira, puxado a panelada, buchada de carneiro, etc. Naturalmente, Zé comeu até se empanturrar. Mais tarde, com sua esposa, na hora das intimidades, o vereador esqueceu a sesta e tratou de fazer amor. Não deu outra. Uma forte congestão levou o J.D. dessa para outra. A pobre mulher, todavia, assustou-se com o quadro que se deparou: o "desbravador" de Zé manteve-se retezado. Chamou o pessoal e grande foi o alvoroço. O funcionário da casa funerária não conseguia fechar o caixão, tal era a teimosia do bilolão do Zé, que fazia jus ao dono. Depois de algumas reuniões com a viúva, ficou acertado que cortariam o dito cujo, e com manteiga da terra, a coisa seria introduzida atrás para ir junto com o invólucro corpóreo. Afinal, foram "vizinhos" a vida toda. Trabalho feito, sigilo total. A chorosa viúva foi ao quarto verificar como ficou o serviço. Tudo muito natural. Ao revirarem o inditoso que estava em decúbito dorsal, a chorosa mulher notou que duas frias lágrimas desciam da face do falecido. A esposa tomou ânimo e desabafou ali mesmo dedo em riste: "Tá vendo aí, Zé!! E você dizia que era tudo manha minha; num era não "visse"?...".

02) Esta é de Mossoró. Rosalba Ciarline, surgia no cenário político, filiada ao PDT de Leonel Brizola. Como logomarca, "A rosa" adotou o cravo da revolução portuguesa. José Andrade, o Zé Gago, de imediato tomou a linha de frente, posto que era "brizolista" de quatro costados. Orgulhava-se de andar pelas ruas conduzindo sempre "um cravo", símbolo maior do PDT. Segundo ele, chegou a fazer mil e cem comícios, sem microfone, isto é, "no gogó". Não confie muito. A polícia estava de olho, pois o tinha em conta de agitador político. Passada a campanha, Zé Gago foi convidado a comparecer a delegacia. "Que história é essa! O senhor andou agitando a cidade, com um cravo português nas mãos? O senhor quer ser o novo Salazar, é?", indagou o delegado. Zé Gago, olhou para o militar e explicou-se definitivamente: "Que Sa, sa, lazar, que nada! Meu negócio é com com o cravo de Brizola e a Ro, Rosa de Mossoró. O senhor pa, é, pa, rece que é a, anal, fa, a, beto, em pó,o, lítica!". O delegado franzil o sobrecenho: "É, mas em termo de desrespeito, eu sou bom. Antonio Cão! (o ordenança), tranca esse subversivo, até segunda ordem!". A gagueira de Zé Andrade o condenara por desacato a autoridade.

03) Tentando enfraquecer a já frágil oposição, os bacuraus angicanos dos anos sessenta, teciam boatos e intrigas entre o vereador José Barbosa, o Zé Doido, e o líder arara Vander Linden Germano. Boatos eram espalhados, falando da adesão do vereador dinartista para a cruzada da esperança. Num comício, Zé Doido reforçou: "Nada disso tem fundamento! Meu caro Vander Linden, nossa amizade para quem não sabe, é como catinga em beira de c..., não se acaba nunca!". Cortaram o som do Zé, mas, já era tarde demais.

04) Juvêncio Ferreira, moço trabalhador, muito avarento, levou a vida só em ganhar dinheiro em Apodi. Aos quarenta anos, fez duas bobagens de uma só vez. Entrou na política, elegendo-se vereador e em seguida, casou-se com uma moça vinte e cinco anos mais jovem que ele. Juvêncio não botou fé, com a nova vida. Começaram as reuniões, as ausências e viagens. Depois, começou a notar duas pontas naturais brotarem na sua testa. Mas não ligou a causa com o efeito. Ficou no campo da imaginação. O amor era maior e superava tudo. Um amigo não suportando tão deslavada infidelidade, procurou convencê-lo: "Juvêncio, larga essa mulher. Ela não merece você. A rua toda sabe que ela bota chifre". O bom Juvêncio não se alterou: "Calma amigo. Eu sou cristão, vou à missa todos os domingos e não vou deixar minha esposa. Aliás, esse negócio de chifre, é como catimbó: só pega em quem acredita."


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