Homenagem às Palavras
Publicação: 31 de Janeiro de 2012 às 11:47
Nome: Wendell Marcel Alves da Costa
E-mail: marcell.wendell@hotmail.com
Perdi a prática consumista da leitura depois dos meus quinze anos. Antes deles lia ferozmente livros e livretos miúdos de historinhas risonhas e fantasmagóricas. Lia tardes à dentro, e imaginava mundos, e criava existências. Nunca fui obrigado a realizar tal aventura inacreditável, e nem tão menos nunca fui incentivado. Mas, a partir do momento em que minha querida vó me via com páginas em mãos e olhos aguçados em palavras que mal conhecia começou então a me "ceder" obras da pequena biblioteca da escola que há anos trabalhava. E foi assim: de empréstimo a empréstimo fui crescendo e me tornando um apaixonado pela literatura.
Porém, nunca me apaixonei por Machado e nunca tive paciência por Shakespeare. Quando tinha treze anos li Sonhos de Uma Noite de Verão em uma tarde, gostei até à noite, e na manhã seguinte sentia uma dor cerebral incomensurável. Romeu e Julieta? Santo Deus, quase tive um derrame! Mais pretendo retomar nos próximos meses com Macbeth e Júlio Cesar. Não falo isso por que não goste das obras ou dos autores, mas sim porque não me agradam. Alguns fanáticos de Memórias Póstumas de Brás Cubas me arremedarão, mas mesmo assim estou convencido de que a loucura estampada no capítulo O Delírio não são para mim.
Sempre tive receio de começar uma leitura quando o autor era considerado um gênio literário. Aconteceu com Victor Hugo e Graciliano Ramos e suas famosas obras-primas Os Miseráveis e Vidas Secas. Dediquei-me dias e madrugadas à Baleia e a vida de Jean Valjean. Li e reli várias vezes os mesmos capítulos dessas obras e percebi que escrever não é só passar para o papel ideias e crenças pessoais, mas sim viver plenamente o inimaginável, e acreditar piamente que a palavra é objeto de alegria e solidão, tristeza e sofrimento. Marcar acontecimentos e personagens em seus leitores deve ser uma alegria enorme para os escritores, e fico feliz por isso.
Não critico leitores que se cercam de autores estrangeiros, globalização é para isso, mas vejo na cultura literária brasileira um acervo repleto de amores e paixões que nenhum escritor americano se fez ainda. Leia Augusto dos Anjos, Aluízio Azevedo, Euclides da Cunha ou Cecília Meirelles. De grandes paixões se fazem terríveis tragédias: O Ateneu, Inocência e Senhora. Existe pureza maior que ler Manuel Bandeira, Maria Adelaide Amaral ou Vinicius de Morais? Conto nos dedos de uma mão conhecidos meus que leram a magnífica carta de Pero Vaz de Caminha, um retrato descritivo deslumbrante do descobrimento do Brasil.
E leituras de autoajuda? Um preconceito enorme ainda se faz diante dessa leitura que incentiva a reflexão, o pensamento e a colaboração entre pessoas. Penso que seja a mais saudável e filantrópica escrita de todas. É um texto cascata: uma ideia que se enraíza em um, que passa para outro e que se instala em todos. Sendo benéfica coletiviza uma grande maioria que dedica um tempo de sua vida a uma tarefa fácil que é ajudar o próximo. Li há alguns dias O Monge e o Executivo e me surpreendi. Um tema (economia) que aborda vários subtemas (psicologia, educação, atenção, sociologia etc.) e que não perde em nenhum momento o foco de ajudar, de todas as maneiras e formas o leitor.
O mais poderoso livro da existência humana influencia nações e diversos povos em todo o planeta: a Bíblia. Não é a televisão nem a internet, mas palavras. Se você se sentir solitário e não tiver um cão amigo em casa, leia um livro e descubra como é possível fugir por alguns minutos num mundo em que a globalização e o capitalismo selvagem reina. Não importa o gênero ou o autor, só importa entrar num mundo mágico, e descobrir segredos que somente a leitura possibilita, como nos contos de fantasia e enredos.
" Palavras expressam mais que acontecimentos e desejos, elas possibilitam voar e admirar o inevitável ".