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Economia

Natal, 22 de Fevereiro de 2012 | Atualizado às 23:53

Hotéis potiguares esperam 'pior réveillon da década'

Publicação: 07 de Dezembro de 2011 às 00:00
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Renata Moura - editora de Economia

Enquanto o comércio vibra com medidas de estímulo ao consumo que prometem impulsionar as vendas neste fim de ano, os hotéis do Rio Grande do Norte esperam que o período seja "o pior da década". Uma mostra do pessimismo é apontada em pesquisa da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis no Estado (ABIH RN), realizada junto a 40 hotéis localizados em Ponta Negra, na Via Costeira, na Praia do Meio e em Pipa. De acordo com o levantamento, haverá queda de no mínimo 20% nas taxas de ocupação em dezembro, em relação à média anual. Em relação ao mesmo período do ano passado - quando a média no mês foi de 85% de leitos ocupados - a redução projetada é de no mínimo 15%. Os número foram revelados à TRIBUNA DO NORTE ontem.
Adriano AbreuPara hoteleiros, taxa de ocupação será, no mínimo, 15 por cento menor que a do mesmo período de 2010Para hoteleiros, taxa de ocupação será, no mínimo, 15 por cento menor que a do mesmo período de 2010

"Teremos o pior Reveillon dos últimos dez anos", desabafou o diretor comercial e de marketing do hotel Ocean Palace, Ruy Gaspar, por meio do microblog Twitter. O desempenho será registrado, segundo ele, em um segundo semestre já "catastrófico", com taxa de ocupação média de 53% - abaixo dos 57% registrados nos primeiros seis meses do ano. "E o segundo semestre, historicamente, é em torno de 20% a 30% superior ao primeiro", calcula.

A falta de uma campanha agressiva de divulgação do destino é apontada como principal razão da desaceleração . "Enquanto  o RN é pouco divulgado, outros estados como Ceará, Pernambuco e até a Paraíba ganham cada vez mais força", diz o gerente financeiro do hotel Parque da Costeira, Flávio Alexandre de Pontes e Silva.

O presidente da ABIH RN, Habib Chalita, reforça o coro de que o problema é a falta de uma política constante e mais forte de divulgação do estado. O dólar, que favorece viagens a outros países, segundo ele, não foi suficiente para atrapalhar a média ocupacional no ano, puxada pelos brasileiros. A crise no exterior também não, considerando que é o fluxo nacional e não internacional que vem sustentando o movimento no setor.

O resultado do que chamam de pouca agressividade em promoção tem sido menos movimento nos estabelecimentos e, reforçam, nas diversas atividades que faturam mais com a chegada de turistas. Para se ter ideia do cenário nos hotéis, o Ocean Palace - que no ano passado já estava lotado no início do mês - está hoje com metade dos leitos preenchidos. "O que vendemos foi para o público brasileiro, mas agora não está mais havendo procura", conta o diretor, Ruy Gaspar.

No Parque da Costeira, o movimento também está fraco. "Temos uma perspectiva de ocupação em torno de 50% para o Reveillon. Geralmente alcançamos esse índice entre outubro e novembro, mas este ano isso não aconteceu", diz o gerente. Nem a redução no valor da diária, que segundo afirma chega a 20% em relação ao ano passado, tem aquecido a procura.

No Hotel Rifóles, em Ponta Negra, a taxa de ocupação, que chegou a 95% em 2010, agora está em torno de 50% e as perspectivas para os próximos dias não são tão promissoras. "Se chegarmos a 70% estaremos satisfeitos porque quem compra Reveillon compra com  antecedência e acreditamos que as vendas para o período já foram feitas", diz o diretor, Geraldo Magela. Para os hoteleiros, em curto prazo não há mudança prevista no cenário. Eles esperam, entretanto, garantir uma fatia a mais de recursos para divulgação no próximo ano, por meio de emendas parlamentares.

O secretário estadual de Turismo e presidente da Empresa Potiguar de Promoção Turística (Emprotur), Ramzi Elali, foi procurado no final da tarde de ontem para falar sobre os investimentos em divulgação e o cenário que se desenha, mas participava de uma reunião e não atendeu nem retornou as ligações.

Para o "Hotel BRA", futuro ainda é incerto

Andrielle Mendes - repórter

Enquanto os hotéis preveem baixa ocupação, um outro empreendimento continua sem previsão de quando sequer terá as obras retomadas e concluídas. A audiência de conciliação que definiria o destino do hotel BRA, marcada para ontem na 5ª Vara da Fazenda Federal, na Justiça Federal, foi remarcada para o dia 14 de dezembro a pedido do Ibama, do Ministério Público Federal (MPF) e do Município de Natal. Segundo o MPF, a audiência foi adiada porque as modificações no projeto ainda estão sendo negociadas.

A obra, na Via Costeira, está embargada desde 2005. O grupo HWF, dono do hotel, construiu um pavimento acima da altura permitida pelo Plano Diretor de Natal à época e enfrenta uma disputa judicial desde então. Segundo Kaleb Freire, advogado do grupo, os clientes entregaram à Justiça um estudo técnico, apontando modificações do ponto de vista ambiental e de edificação, na data determinada, e estão dispostos a entrar em acordo. O estudo ainda está sendo analisado pelo juiz federal

Ivan Lira de Carvalho, titular da 5ª Vara Federal. Nem a Justiça nem o grupo divulgaram o conteúdo.

O grupo ainda não sabe que modificações o projeto sofrerá ao final do processo, e por isso, não sabe informar quanto deverá investir no empreendimento. A ideia é que a obra seja concluída antes da Copa. O hotel levará três anos para ficar pronto, segundo Kaleb Freire. O projeto inicial estava orçado em R$ 100 milhões. Humberto Folegatti, presidente do Conselho de administração do grupo HWF, adiantou que o hotel não será vendido. "Admitiremos outro sócio, no máximo".

O acordo, segundo Kaleb,  antecipa o desfecho do caso e permite que as obras sejam retomadas após cinco anos de paralisação. De acordo com o último levantamento realizado pelo grupo, o prejuízo com a interrupção da obra chegava a R$47 milhões - quase metade do valor do projeto. Tanto Humberto quanto Kaleb afirmaram que o grupo está disposto a demolir a ala norte do oitavo andar (4º andar, tomando por base o meio-fio da Via Costeira no trecho do hotel).  A audiência, marcada para o dia 14, definirá quando as obras serão retomadas e quando o 'pavimento da discórdia', como ficou conhecido o oitavo andar, será demolido.

A reportagem procurou a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb) para saber se já havia encaminhado as modificações propostas à Justiça, mas não obteve resposta até o fechamento da edição. O secretário-adjunto, que trata do assunto, estava em reunião e não pôde atender as ligações.

A construção do Hotel BRA, na Via Costeira, foi embargada pela Semurb, mas a obra continuou por força de uma liminar judicial. Na época, a Procuradoria da República ingressou com uma ação civil pública, exigindo a paralisação da obra. Em 2007, a Procuradoria enviou uma petição à Justiça Federal, exigindo a demolição do pavimento irregular. A Justiça determinou a demolição. O grupo, que havia paralisado as obras em 2006, recorreu da decisão. Em 2008, o Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5) concedeu liminar autorizando a retomada da obra, mas a Procuradoria-Geral do Município se opôs à decisão, afirmando que a decisão suspendia a demolição dos pavimentos, mas não suspendia o embargo. Com o possível acordo, o grupo espera por fim a o embate e concluir o hotel.


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comentários

elionbarreto@...07/12/2011 @ 08h39
Se baixassemos os valores cobrados nas hospedagens, assim como os praticados em passeios turísticos, teríamos com certeza um maior volume de turistas. A rede hoteleira de Natal é caríssima. A cidade é suja, não tem atrações turísticas, os passeios são caros. Se gasta muito menos indo ao exterior do que fazendo turismo no Brasil. O que temos para ver no litoral do RN ? Praias ? (sujas e caras). Ir ao Caribe é muito mais barato (passeios, hotéis e visitas). Quais as atrações noturnas que temos em Natal ? O forró dos turistas ? JESUS !!!!!
filipenunes.portugal@...07/12/2011 @ 06h05
Natal teve a sua oportunidade e não aproveitou, é muito caro e não têm infrastruturara para um turismo cada vez mais exigente, eu já escrevi uma vez no tribuna que mais importante que fazer o novo estádio para o mundial era investir numa marina, calçadão a sério, limpar Ponta Negra, mais apoio à cultura para que haja mais teatros, forros, concertos, cidade mais limpa, melhor urbanismo, e mais espaços verdes, tudo é que atrai turismo com dinheiro e já agora não se esqueçam que é mais barato uma semana em Maiami do que em qualquer parte do Brasil
debynharn@...07/12/2011 @ 11h36
Eu como moradora desta terra, acho melhor fazer turismo em outros estados, sai bem mais em conta, além de tudo em Natal ser muito caro, como passagens, hospedagens, passeios, comidas, etc, o atendimento é 00000.
aiubr@...07/12/2011 @ 11h17
Os hoteleiros querem investimentos, mas não baixam seus valores, caros demais para aquilo que oferecem, muito mais caro ainda se comparado com o oferecido por hotéis de outros países. Melhor ir para outros países então. A cidade gasta milhões com um estádio para realização de 4 jogos, quando poderia apenas reformar o que existia e o restante do dinheiro investir em infraestrutura para o turismo e para a população. Turista quer ver cicade limpa, segura, organizada, com opções de lazer a preço justo. No Brasil existem referências neste sentido. Região Serrado do RS, que investiu muito nisso.
carlithocs@...07/12/2011 @ 10h43
Mataram a galinha dos ovos de outro e agora reclamam, ja viram o calcadao de ponta negra, de areia preta, da praia do meio, a refavela da praia de ponte negra, tapumes guardando cadeiras e isopor, esgoto pra todo lado, querem o que, vao ter que se contentar com espetinho e montila com coca......
deuto_lima@...07/12/2011 @ 10h40
Domingo recente, na Praia de Ponta Negra 4 cervejas, 3 pequenas porções de camarão e 2 águas de coco - R$ 60,00 absurdo de caro e sem estrutura nenhuma. Ninguém ver policiamento, estacionamentos não existe em canto nenhum, os flanelinhas dominam tudo e de cara feia. Imaginem diária em pousadas e hoteis !!! o trânsito travado de domingo a domingo, ninguém merece. Deus queira que não venha mesmo nenhum turista pra cá, a cidade não aguenta. Sem falar de esgoto correndo a céu aberto em plena Av. Prudente de Morais no bairro de Candelária, o maior mau cheiro. Pior que já reclamei até através de ouvidoria da prefeitura e do estado e ninguém resolve. É só passar na porta da Delegacia de Candelaria que todo vão perceber o abandono total. A Tribuna do Norte já fez matéria a respeito e nada, a Intertv também e nada até agora. Uma vergonha mesmo !!!
gporpino@...07/12/2011 @ 10h37
A avaliação do empresários de que a baixa ocupação deve-se à falta de promoção do destino Natal é muito simplista. Voar para Natal, partindo de SP e Brasília, dois importantes emissores, é mais caro do que ir para Bahia, Pernambuco ou Ceará. Esse custo maior também pesa bastante para o turista de classe média. Outro exemplo, viajar de São Paulo para Lima, Buenos Aires ou Montevideu também sai mais em conta do que ir para Natal. O RN também perde turistas para essas capitais.
castilhos@...07/12/2011 @ 13h00
Natal é uma cidade que falta tudo! Falta bom atendimento, falta preços justos, falta infra-estrutura, falta atração descente para os turistas e para o seu povo. Estou morando aqui já fazem alguns meses e fico espantada como esse paraíso é mal explorado tanto pelos hotéis, restaurantes, empresas turísticas quanto pelo seu governo que está deixando a cidade literalmente às moscas. É absurdo ver as areias da praia de Ponta Negra, cartão postal da cidade completamente pretas do esgoto que corre. O governo não se deu conta ainda que turismo gera receita, mas que sem investimento não tem turista!
castilhos@...07/12/2011 @ 13h12
Seguindo comentário anterior... Em contrapartida ao governo que não faz nada, o comércio e hotéis de Natal também nada fazem! Deveria haver investimento das duas partes para atrair os turistas. Quanto as praias além da segurança e limpeza, penso que deveriam ser revistos, pela prefeitura, as concessões dos quiosques e barracas na beira da praia, pois somos MUITO mal atendidos, parece que não estão ali prestando serviços - vendendo produtos e sim prestando favores remunerados. Enquanto Natal não acordar que é uma cidade turística continuaremos assim - e só tende a piorar!
solange.thomaz@...07/12/2011 @ 15h13
Fui recentemente à João Pessoa e me surpreendi: cidade limpa, calçadão amplo e iluminado para caminhadas dia e noite, ciclovia em toda a orla, quiosques bonitos e distantes do mar, preços melhores nos restaurantes... Natal pode até ter praias mais bonitas, mas isso não é suficiente para impressionar o turista. Natal poderia aprender com o exemplo de João Pessoa.
romulosartoretto@...07/12/2011 @ 14h24
Infelizmente os governantes não levam o turismo a sério no RN. Uma rápida volta pelos locais turísticos já revela muita coisa. Querem que o turismo ande por si só, mas turismo demanda investimentos! A questão não é só de propaganda! Tem de melhorar acessos aos locais turísticos, a limpeza e infraestrutura dos locais e tentar qualificar a mão de obra que trabalha nesse ramo, conscientizando de que é melhor ganhar pouco vendendo muito, do que enfiar a faca no pescoço do turista. Turista que é bem recebido volta sempre, e indica o local para os amigos e familiares!
felipearthurpaz@...07/12/2011 @ 13h40
Como estudante de Economia e Auditor noturno de hotel digo. Natal tem belezas naturais, bons restaurantes, mão de obra formal hospitaleira. Isso são características que podem impulsionar o turismo da cidade, mas elas sozinhas são apenas características. O parque das Dunnas poderia ser melhor explorado, como os museus, Teatros e parte histórica da cidade, não só com informações e sim com atrações. Natal tem uma deficiência que é não oferecer serviços 24h, Em vários segmentos, os básicos como alimentação, hospitais e farmácias são precários, mobilidade urbana é necessária e investimento privado.
vivian@...07/12/2011 @ 13h29
Já me hospedei em um hotel da Via Costeira e foi péssimo. Quarto com cheiro forte de mofo, péssimo atendimento. De noite, precisei esquentar a mamadeira da minha filha, que era bebê naquela época, e acho que andei uns 3km dentro do hotel até conseguir encontrar um local onde pudesse esquentar o leite. Na Praia de Ponta Negra, além do esgoto correndo bem ao lado de onde estávamos, meus filhos estiveram brincando por um bom tempo ao lado de um pedaço de garrafa. Um vidro enorme enfiado na areia, com a parte cortante para cima. Difícil.
karlamarthinna@...08/12/2011 @ 16h08
Segundo Rosalba e Micarla, não existe dinheiro p/ nada neste estado, imagine p/ turismo! Outra, coisa quem espantou o turismo aqui em Natal foi a prostituição causada pela grande publicidade de Natal pela Europa, fora os valores de diárias e serviços cobrados neste estado que são exorbitantes! Já que querem turismo, tirem do próprio bolso de vocês (empresários) e invistam, afinal são ricos, milionários e possuem mt dinheiro pra gastar c/ propagandas. Isso n é função do governo. O governo tem que prestar atenção aos serviços essenciais e nem isto está fazendo.
phnm13@...08/12/2011 @ 17h56
As praias centrais de Natal estão tão esquecidas que nem críticas ruins recebem mais. Estão literalmente mortas. Graças ao desleixo das autoridades, nasceu, cresceu e desenvolveu ali, às custas de invasão de um imenso terreno da Aeronaútica em frente à praia do Forte, uma grande favela. Com ela, em consequência da miséria e falta de oportunidades, vieram a violência e a prostituição entre outros males. A única solução a curto prazo: remoção da favela. Alguém (candidato) se habilita?
natalfamainternacional@...12/12/2011 @ 19h27
muito facil a resposta pra isso.............a crise na europa está afetando os turistas e fazendo com que a queda na rede hoteleira caia em todo o mundo............não adianta investir fora do Brasil, tem que ser no Brasil agora................e Natal é uma cidade voltada pra ricos..........principalmente a via costeira................fica o aviso
Tribuna do Norte