Ibama recolhe material em quatro quilômetros
Publicação: 10 de Maro de 2010 às 00:00
As moreias não foram a única espécie marítima encontrada morta neste fim de semana, entre as praias de Santa Rita e Muriú. Segundo o biólogo do Aquário Natal, Douglas Brandão, 95% dos animais vitimados eram moreias, mas 5% eram outras espécies de peixes, como robalo e mariquita.
O analista ambiental do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Frederico Osório, esteve segunda-feira (08) em um dos trechos onde houve a mortandade juntamente com especialistas da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Eles coletaram dados que serão utilizados no estudo para encontrar a razão das mortes. Osório disse que é cedo para levantar hipóteses.
Porém, adiantou que as coletas de animais e água foram realizadas em quatro dos 15 quilômetros afetados. "Ainda não dá para dizer em quanto tempo sairão os laudos. Também será feita a contagem aproximada de quantos animais ao todo, morreram", disse. As análises serão feitas no laboratório de Biologia Pesqueira do Departamento de Oceanografia e Limnologia (DOL) da UFRN.
O Idema solicitou com urgência dos pesquisadores envolvidos nas análises, que seja apresentado um projeto contendo todos os estudos necessários e o nomes dos envolvidos em cada um deles. Uma das análises a ser realizada é a de ecotoxicologia, que vai detectar se há presença de alguma substância tóxica nos animais.
Segundo a professora do DOL e diretora da ONG Oceânica, Tatiana Leite, serão feitos ainda, teste de Histologia, para saber se os peixes estavam doentes, com algum tipo de parasitas, por exemplo; morfologia, que vai mostrar o que havia no estômago dos animais, como uma infecção por algum alimento contaminado; e análise de água; além da coleta de outros organismos para saber se eles também foram atacados.
O fato chama a atenção do biólogo Douglas Brandão, principalmente pela quantidade preponderante de moreias "verde" mortas. "Não há como arriscar uma razão, mas é possível descartar, por exemplo, a hipótese da morte por pesca com rede, uma vez que a moreia é um animal que vive em região de pedra, então não passa pela rede de arrasto", explicou.
Sobre o comentário de um leitor na edição de ontem (09) da Tribuna do Norte online, que disse ter encontrado muitos bagres mortos em Jenipabu, Douglas disse que possivelmente também não há relação com as mortes das moreias. "O bagre é peixe de fundo, vive mais em regiões arenosas, enquanto a moreia vive em região de pedra. Em princípio, não há relação".
Houve ainda a hipótese apresentada por outro leitor, de que com o movimento das placas tectônicas, a liberação de CO2 (gás carbônico), matou os bichos. "Se fosse por esse motivo, outras espécies também poderiam ser afetadas, como os polvos, que vivem na mesma região", disse Douglas. "O interessante é que foram mais moreias verdes mesmo, e em pouco tempo, menos de 48 horas", comentou o biólogo.
Segundo ele, isso leva a descartar também, inicialmente, morte por contaminação, alguma doença ou por mudança de temperatura da água em um ou dois graus. "Pelo menos essa mudança de temperatura no aquário não influencia nesses peixes", disse ele, que tem 11 anos de experiência no Aquário Natal.