Igreja beatifica, hoje, freira potiguar de Assu

Publicação: 2007-12-02 00:00:00 | Comentários: 1
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CATÓLICOS - Irmã Lindalva é a primeira mulher a ser beatificada no Brasil

O arcebispo da Bahia e cardeal primaz do Brasil, Dom Geraldo Majella Agnelo, celebra neste domingo, a partir das 16h no estádio Manoel Barradas, “o Barradão” (Salvador/BA), a cerimônia de beatificação de irmã Lindalva Justo de Oliveira, feira potiguar da Ordem das Carmelitas assinada enquanto trabalhava em um abrigo para idosos e moradores de rua.

Irmã Lindalva nasceu no município de Açu, no Rio Grande do Norte, em 1953, e coordenava o Abrigo Dom Pedro II, em Salvador, onde cuidava de 40 idosos do pavilhão masculino. Ela foi assassinada na Sexta-feira Santa de 1993, com 44 facadas, por Augusto da Silva Peixoto, um dos abrigados. Peixoto tinha 46 anos, mas foi acolhido no abrigo de idosos. Ele assediava irmã Lindalva e a matou depois de ter recusadas as suas vontades sexuais.

O corpo de irmã Lindalva está na capela do abrigo onde ocorreu o crime. A beatificação dela, anunciada durante a visita do Papa Bento XVI ao Brasil, em maio deste ano. Irmã Lindalva, que começou a trabalhar com a assistência aos idosos no abrigo Jovino Barreto, em Natal, será a primeira mulher a ser beatificada pela Igreja Católica no Brasil. Duas freiras do abrigo viajaram para Salvador, a fim de participarem da cerimônia de beatificação.

De Açu, cidade onde a irmã Lindalva nasceu, dois ônibus com parentes e fiéis também foram a Salvador. A mãe da beata, Maria Lúcia da Fé, tem 85 anos, não esquece a filha. “Estou confiando em Deus. Toda noite eu rezo um terço pela alma da minha filha. Sempre que posso, meu filho me leva para a missa.” O professor Veridiano de Oliveira, de 48 anos, irmão de Lindalva, lembra do convívio com a religiosa em casa. Eles eram 13 irmãos. “Toda a família tinha uma certa dificuldade de se relacionar com ela, que sempre foi muito recatada, muito fechada. Essa era a forma que ela tinha de expressar o amor pela família.”

O Estádio Manoel Barradas, em Salvador, mais conhecido como Barradão, se prepara para uma grande festa no próximo domingo, liderada pela comunidade católica. Toda a estrutura para a beatificação da irmã Lindalva Justo de Oliveira, a primeira realizada em Salvador, está com os dias contados para ficar pronta.

A arquidiocese de Salvador espera cerca de 35 mil pessoas para a missa, presidida pelo arcebispo de Salvador e primaz do Brasil, cardeal dom Geraldo Majella Agnelo. Antes, haverá uma programação especial.

Quem proclamará a beatificação da freira será o representante do Vaticano, cardeal José Saraiva Martins. Por volta das 13h30, os portões serão abertos para acesso à população, cujos ingressos foram distribuídos gratuitamente nas paróquias e já esgotaram.

A partir daí, a banda Canção de Vida, formada por jovens do município de Candeias, começará a entoar os primeiros acordes até as 15h, com animação do padre Edson Menezes. Depois que a banda encerrar o repertório, uma apresentação teatral será feita por 110 jovens, a maioria vinda das paróquias de São Gonçalo do Retiro, no bairro que leva o mesmo nome, e São Daniel Comboni, de Sussuarana.

“Durante uma hora, eles vão apresentar um auto sobre a ação missionária na Arquidiocese, com músicas como Pais e filhos do Legião Urbana”, antecipa o padre Manoel de Oliveira Filho, coordenador do evento.

Na próxima segunda-feira, na Catedral Basílica, será celebrada a primeira missa para a beata irmã Lindalva. A primeira beatificação ocorrida no Brasil foi do padre Anchieta, em 1980, que ainda não foi santificado.



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Comentários

  • walterm.nat

    A tragédia e o martírio da beata que nasceu no Vale do Assu --- Walter Medeiros* (02.12.2007) Bela tarde de domingo Nestas terras do Brasil Nossa pátria varonil Onde um assunto distingo: Coisa que nunca se viu De forma aberta ou sutil No oceano ou num pingo. Pois eu vou aqui contar Sobre um ato de louvor Que hoje se realizou Com uma freira potiguar: Beata ela se tornou O Brasil acompanhou Num belo e solene altar. É uma freira vicentina Que lá no Assu nasceu E um dia se converteu No seu sonho de menina Com treze irmãos conviveu A mãe e o pai convenceu Mas cumpriu severa sina. A origem da beata Que a Igreja homenageia Sítio Malhada de Areia Que soa como sonata Ambiente que permeia Um Santuário de aldeia Onde já foi densa mata. Nascida em cinqüenta e três Do século que passou Nunca se acomodou Com o mundo camponês Um convento procurou Em freira se transformou E muita bondade fez. Mês de outubro, dia vinte, Nasceu a filha de João Maria Lúcia, então, Tinha na fé seu requinte Foi sexta na relação Gostava de oração E ajudava pedinte. Moça muito recatada Com pouca gente falava E sua mãe lhe deixava Ficar sempre concentrada Ela só não esperava Que a filha que criava Fosse tão abençoada. Cultivando um ideal Foi trabalhar num abrigo Que era o mais antigo Da cidade de Natal Ali deixou muito amigo Sem medo de errar eu digo E foi pra outra capital. Lá no Juvino Barreto, Abrigo onde trabalhou Teve gente que chorou Disfarçando no coreto Saudade ela deixou Pois muito se dedicou A branco, mulato e preto. Predestinação divina Ela sempre demonstrou Aos pobres se dedicou Desde o tempo de menina Seu pai doente cuidou Até que ele passou E ela virou vicentina. Instalou-se em Salvador Aquela querida irmã Em belíssima manhã Desde o dia que chegou Mantendo a mente sã Respeitava até pagã Em sua vida de amor. Com sua experiência E um destemor profundo No abrigo Pedro Segundo Tinha muita paciência Via as desgraças do mundo E assim tudo redundo Reforçava sua crença. Fazia belo trabalho No pavilhão masculino Onde estava seu destino Oferecendo agasalho Carinho ao pobre franzino Era um tratamento fino Dizia “com Deus me valho”. Trinta e três anos era a idade Quando foi pra Companhia Que no credo reunia As Filhas da Caridade Foi difícil aquela dia Mas logo acostumaria Na nova realidade. No São Vicente de Paulo Servia Cristo no pobre Com atitude tão nobre Rezava até pra Saulo Nunca deu valor a cobre Dizia tudo que sobre Não pode ir para o ralo. As suas superioras Viviam muito contentes Com seus gestos penitentes Caridade abrasadora Ela era bem diferente Tipo especial de gente De têmpera lutadora. Pra se dedicar melhor Como todos os bons agem Fez curso de enfermagem Nunca se sentia só Rezava junto à imagem Daquelas que interagem Com detalhes rorocó. Mas um dia apareceu Augusto Silva Peixoto Com um traje meio roto E um canto alguém lhe deu Não era mais um garoto E foi algo muito torto Aquilo que aconteceu. Quarenta e seis anos tinha Aquele novo abrigado Era um homem atirado E logo saiu da linha Assediou do seu lado E não foi autorizado A sonhar com o que não tinha. Dizendo-se apaixonado Ele tratou da questão Mas Lindalva disse não Mandou ele pro seu lado Porém sem contemplação Ele disse que era em vão Ficando descontrolado. Era Sexta-Feira Santa As alas bem arrumadas As Freiras muito animadas Lindalva arrumou a manta, Quando então foi agarrada Quarenta e quatro facadas Dali não mais se levanta. Ainda com tanta vida Que podia usufruir Ela teve de partir E triste foi a partida Daquela que por aqui Veio o bem distribuir E aos pobres dava guarida. Quarenta anos contava Quando a maldade se fez Foi lá em noventa e três Que aquela freira brava Disse com toda altivez Meu sangue, digo a vocês, É forte como a palavra. Sugeriram pra sair Quando foi ameaçada Mas ela disse que nada Ia fazer desistir Preferindo ser sangrada A mudar sua jornada Disse “não saio daqui”. O homem premeditou Aquela horrenda ação E com a arma na mão Seu intento consumou Era de manhã então Ela com o café na mão Quando ele abordou. Outro homem inda tentou Impedir aquele crime Contra mulher tão sublime Mas logo se esquivou Pois quando a faca ele esgrime Disse: “eu faço outro crime” E o outro recuou. Ninguém tivera notícia De inusitado fato Depois do assassinato Ele esperou a Polícia Foi preso e no seu relato Não fez nenhum desacato Nem mostrou maior malícia. Até hoje ele está preso Diz até que quer perdão Se tiver religião Deve ter sentido o peso Da sua fútil ação Que parou um coração E só merece desprezo. Catorze anos passaram Daquele triste delírio Que foi também o martírio Os cristãos já confirmaram E rápido, conseguiram, Os cardeais decidiram Por fim beatificaram. Pois naquela Sexta-feira Cristo morria na cruz Quando um raio de luz Mostrava a morte da freira E pelo que se deduz A história se reproduz De uma forma inteira. Na morte sacrificada Jesus, 39 açoites, E cinco chagas na noite A marca totalizada; Em Lindalva apurou-se Ao mesmo total chegou-se: Quarenta e quatro facadas. À noite, na procissão Trouxeram o Senhor Morto, E todo mundo absorto Passava no quarteirão Lindalva teve seu corpo Lá na capela exposto Foi grande a contemplação. Com seu hábito azul De irmã de caridade Lindalva é a verdade No Brasil de Norte a Sul. Nunca se ateve à vaidade Entregou-se à piedade Sem valorizar tabu. Rápido é o que se diz Mas bom tempo precisou Para um postulador Pesquisar desde a raiz O fato que se passou Pras bandas de Salvador Bem perto de uma matriz. A pesquisa do ocorrido Foi para os cardeais Que então estudaram mais Pra ver se tinha sentido E entre as decisões papais Bento não ficou pra trás Logo havia decidido. Depois que tudo foi dito Logo em dois mil e dois Nem antes e nem depois Foi publicado o posito Ao papa então se expôs Concluído estava, pois, Pronto para o veredito. Disse Bento XVI Que via toda razão Pra beatificação Lindalva, é tua vez, Por sua dedicação Com Deus em seu coração, O martírio sim, se fez. Dali saiu o decreto Ainda em dois mil e seis Agora digo a vocês Que um bispo bem dileto Veio aqui, por sua vez, Dizer o que a Igreja fez Agora é caso concreto. Durante todo apurado Descobriram muito mais Lindalva dava sinais Do seu beatificado Com gestos especiais Com piedade e com paz Tinha um amor redobrado. Lindalva Justo Oliveira Eis aqui a sua história Para ficar na memória Da nossa Nação inteira; Saudamos por esta hora, Pois sabemos que agora É a beata brasileira. Aqui termino a história Desta digna mulher Que viveu na sua fé E deixou forte memória; Seu martírio foi de pé Mas Lindalva agora é Para nós a maior glória. FIM Mais cordéis no site Poemas de Cordel: http://www.rnsites.com.br/cordeis.htm .