Inadimplência registra queda no RN
Publicação: 10 de Fevereiro de 2012 às 00:00
Renata Moura - Editora de Economia
Cerca
de 333 mil consumidores tiveram os CPFs incluídos no Serviço de
Proteção ao Crédito (SPC) do Rio Grande do Norte, no ano passado. O
número, de deixar de orelha em pé os lojistas, já foi, entretanto,
maior. Dados divulgados ontem pela Câmara de Dirigentes Lojistas de
Natal (CDL Natal) mostram que está em queda, no estado, o índice de
inadimplência.
De acordo com o levantamento, a inadimplência
geral, que é a diferença entre registros e cancelamentos de registros no
SPC, recuou 12,54 pontos percentuais em 2011 no RN, na comparação com
2010, passando de 17,77% para 5,23%. Em janeiro deste ano, o movimento
de queda foi mantido, com redução de 9,2%, no mês, em relação ao mesmo
período do ano anterior.
O desempenho no início de 2012 seguiu na
direção contrária a do país, onde houve aumento de 2,91%, e contrariou
também as expectativas da CDL para o mês, quando geralmente o número de
consumidores com o nome sujo aumenta em função de fatores como as
compras para o Natal e o ano novo.
"É uma queda que não estava
dentro do esperado. Janeiro, com parcelamentos das compras de final de
ano, volta às aulas, IPTU e alguns IPVAs é um mês em que
historicamente a inadimplência é alta. Este ano, foi, no entanto,
diferente", diz o vice-presidente da CDL Natal, Augusto Vaz. O
resultado, segundo ele, deve ser comemorado, mas com moderação. "Quer
dizer que nesse mês específico tivemos um resultado melhor que o do
país, mas a inadimplência de janeiro pode estourar em fevereiro",
pontua.
Disfarçada ou não, a queda na inadimplência foi sentida
no caixa dos comerciantes em janeiro. Ainda de acordo com os dados
divulgados pela CDL, o índice de consultas ao SPC, que refletem em certa
medida o nível de atividade no varejo, aumentou 8,72% no período, em
relação a janeiro do ano anterior. O número é o dobro do registrado no
país e indica, segundo Vaz, o crescimento do comércio no período.
"Quanto mais pessoas limpam o nome, mais pessoas com crédito para
comprar. Mas a sensação de poder de compra maior é perigosa. É preciso
consumir com responsabilidade para não se endividar", observa.
A
queda registrada na inadimplência geral, no ano passado, em relação a
2010, segundo ele, foi reflexo da economia aquecida no primeiro
trimestre e principalmente da recuperação em dezembro. "O Brasil estava
razoavelmente blindado contra a crise e este ano a expectativa é que a
situação econômica nos outros países não afetem o mercado brasileiro, de
forma direta", diz Vaz. "Com a taxa de desemprego baixa e a situação
econômica favorável, esperamos queda na inadimplência e crescimento no
comércio este ano", acrescentou ainda.
No banco de dados do SPC,
geralmente as empresas registram o CPF do consumidor após 30 dias de
dívida, embora possam fazer o registro um dia após o não pagamento. As
mulheres respondem pelo maior número de registros. Mas os homens
normalmente têm os maiores montantes devidos. Os valores, no entanto,
não foram revelados. Outro dado divulgado é que cada CPF registrado no
Serviço de Proteção ao Crédito tem uma média de duas dívidas e meia.
O
consumidor que tem o nome incluído no banco de dados fica, na prática,
sujeito a uma série de restrições no comércio e nas instituições
financeiras. Como está listado entre os "maus pagadores", a tendência é
que enfrente dificuldades para fazer compras a prazo, pedir
financiamentos e até alugar imóveis, caso tenha o histórico consultado
na hora de fechar a compra ou a contratação do produto ou serviço.
Para
quem está na relação de inadimplentes, o melhor caminho para "limpar" o
nome é tentar negociar o débito, de acordo com especialistas.
Acesso maior ao crédito ajuda a elevar índice
Brasília (ABr e AE) - O recente acesso das camadas mais pobres da população aos serviços bancários - em especial, a cartões de crédito - é responsável por parte da inadimplência registrada em janeiro, disse o presidente da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), Roque Pellizzaro Junior. Segundo entidade, a inadimplência do consumidor brasileiro subiu 2,91% em janeiro, na comparação com o mesmo mês de 2011.
"O país está tornando os bancos acessíveis às classes baixas, que entram no sistema de cartão sem ter experiência sobre o seu melhor uso. Essas classes ainda não se acostumaram com o maior poder de compra e acabaram se endividando", ressaltou Pellizzaro, ao divulgar o Indicador SPC Brasil de vendas no comércio e inadimplência pessoa física.
Por desconhecerem as ferramentas disponíveis nos cartões, as pessoas acabam comprando sem verificar a melhor forma de parcelamento. "O melhor é sempre pagar o cartão na data de vencimento. Mas, se for para parcelar, que seja a preços fixos, com o lojista concedendo o crédito por meio do cartão. Em geral, a compra pode ser feita em até seis parcelas, com juros bem mais baixos", explicou.
"Todo lojista deveria saber que pode fazer isso. Basta, na máquina do cartão e dentro da opção parcelar, escolher a opção loja, e não a de cartão. O juro é bem menor e pode chegar a um terço ou um quarto do cobrado", detalhou.
Pellizzaro aproveitou a divulgação do indicador para sugerir que os bancos brasileiros regularizem o cheque pré-datado. "Este é um procedimento usual para os brasileiros, que poderia até já vir impresso [como opção] na folha de cheque. A loja pagaria uma taxa ao banco, para fazer uso desse serviço, que poderia inclusive adiantar o pagamento do pré-datado. Assim, seriam diluídos e, consequentemente, a taxa de juros poderia diminuir", disse ele.
ALTA
Os técnicos da CNDL ressaltam que o aumento da inadimplência ocorre há 12 meses consecutivos, desde fevereiro de 2011, tendo como comparação igual mês do ano anterior.
De dezembro de 2011 para janeiro, porém, a inadimplência registrou queda de 6,36%. "Observamos que os consumidores estão procurando manter o orçamento em dia, mesmo com o comprometimento maior da renda em função do pagamento de impostos, matrículas e material escolar", ressaltaram os técnicos em documento distribuído à imprensa.
Sobre a elevação do calote, a CNDL lembrou que em janeiro do ano passado vigoravam medidas contracionistas que tinham como objetivo frear o consumo. "Em outras palavras, a inadimplência provavelmente apresentou variação de maior magnitude como proporção do total de pagamentos sujeitos a serem contabilizados pelo SPC".