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Natal, 24 de Maio de 2012 | Atualizado às 23:17

Infiltração é causa mais provável de queda

Publicação: 08 de Fevereiro de 2012 às 00:00
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William Cardoso

São Paulo (AE) - Uma infiltração na cobertura pode ter sido a causa do desabamento de lajes das salas de final 4 nos 13 andares do Edifício Senador, na noite de segunda-feira, no centro de São Bernardo do Campo, no ABC paulista. A explosão de um botijão de gás ou a queda de uma caixa d'água são hipóteses praticamente descartadas pela polícia. Ontem a noite, o Corpo de Bombeiros encontrou o corpo da enfermeira Patricia Alves, 25, no prédio onde as lajes desabaram. Ela trabalhava no mesmo consultório onde uma criança de três anos morreu, localizado no 6º andar do edifício.

Na cobertura do prédio, a polícia encontrou indícios de que foi executada recentemente uma obra para combater uma infiltração, com partes vedadas possivelmente com selante à base de piche. Em princípio, também teria sido instalado um ralo para escoar a água das chuvas. Responsável pelo inquérito, o delegado titular do 1.º DP de São Bernardo, Vitor Lutti, disse que a obra não foi "conveniente".

A única obra em andamento no prédio atualmente era a pintura do hall dos elevadores e de corredores. Cláudio Fortunato, de 37 anos, responsável pela intervenção, estava no local no momento do acidente. Ele vistoriava os andares, à espera de funcionários do turno da noite, quando tudo veio abaixo. "Foi coisa de cinco segundos." A prefeitura de São Bernardo diz que o prédio foi vistoriado no ano passado e estava em situação regular.

A enfermeira Patrícia Alves Farias, encontrada a noite, segundo informações da Folha Online, estava na sala 64, onde também se encontravam o metalúrgico José Fabrício Oliveira Moraes, de 37 anos, e a filha dele, Júlia, de 3, que morreu.

O marido de Patrícia, também metalúrgico Florisvaldo Cristóvão de Lima, de 34 anos, acompanhava a distância o trabalho dos bombeiros. "A gente sempre conversa por telefone por volta das 20h, quando ela deixa o serviço. Liguei, mas dessa vez ninguém atendeu, só dava caixa postal." Ela era coordenadora de enfermagem da clínica.

Já haviam sido retiradas, até a noite de ontem, cerca de 300 toneladas de entulho do local.

O desabamento deixou desalojados médicos, dentistas, advogados e outros profissionais liberais que ocupavam as 74 salas do Edifício Senador. Cercados por um cordão de isolamento em uma das calçadas ao lado do prédio, eles contabilizavam o prejuízo e tentavam recuperar o que sobrou.

O piso da sala 94, consultório do urologista Carlos Bezerra, de 51 anos, ruiu por completo.


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