Inseticida enfraquece o ‘aedes’

Publicação: 28 de Julho de 2012 às 00:00

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São Paulo (AE) - Se, por um lado, mosquitos da dengue que adquirem resistência a inseticidas são mais fortes que seus colegas, já que sobrevivem a altas doses do produto, por outro lado, eles têm suas funções fisiológicas prejudicadas. Demoram mais tempo para chegar à fase adulta, têm menor capacidade de acasalar, colocam menos ovos e ingerem menos sangue em uma picada. A conclusão dos pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC), que fizeram testes em mosquitos coletados em cinco cidades, é que os mosquitos Aedes aegypti pagam um preço alto pela resistência ao inseticida. O que parece, a princípio, uma boa notícia, já que o fenômeno levaria ao fim do mosquito resistente, não anima os pesquisadores. Eles afirmam que essa seria apenas a primeira fase da resistência. Em um segundo momento, os mosquitos seriam também imunes a esses efeitos deletérios. Ou seja: o uso de inseticidas levaria ao desenvolvimento de um mosquito superforte.
Rodrigo SenaPesquisa feita pelo Instituto Oswaldo Cruz colheu amostra dos aedes aegypti que receberam veneno aplicado pelo fumacê em NatalPesquisa feita pelo Instituto Oswaldo Cruz colheu amostra dos aedes aegypti que receberam veneno aplicado pelo fumacê em Natal

Para se chegar a esse resultado, foram utilizadas duas abordagens. O primeiro grupo de mosquitos, coletados em Natal, recebeu doses de inseticida no laboratório, o que forçou um processo de resistência. Em seguida, suas funções foram avaliadas. “O que a gente esperava era ter indivíduos cada vez mais resistentes. Mas observamos que a população ficava mais resistente, mas, ao mesmo tempo, muito fraca”, diz o pesquisador Ademir Martins, que desenvolveu o estudo com a estudante Camila Ribeiro e outros pesquisadores dos Laboratórios de Fisiologia e Controle de Artrópodes Vetores e de Biologia Molecular de Insetos do IOC/Fiocruz.

No segundo grupo de mosquitos, coletados em Fortaleza, Maceió, Uberaba, Aparecida de Goiânia e Cuiabá, os insetos foram avaliados em seu ambiente natural. Martins relata que, apesar de não ser possível precisar qual é a parcela de insetos resistentes no meio ambiente, a maioria tem essa característica. “É raro encontrar população que não seja resistente”. Nessa população também foram constatados maior nível de resistência e maior comprometimento fisiológico.

De acordo com Martins, o estudo mostra a importância de não utilizar o inseticida como primeira forma de combate aos mosquitos. Ele faz um paralelo com a questão da resistência bacteriana provocada pelo uso de antibióticos. “Se alguém dá um espirro, não vai usar antibiótico. O mesmo cuidado deveria ter com o inseticida”. Ele acrescenta que o uso doméstico de inseticidas tem contribuído para essa resistência. “Hoje tem um grande problema de condomínios que contratam o carro fumacê para passar todo dia. Existem evidências de que grande parte da resistência se dá pelo uso doméstico”.

SC registra 10 mortes por gripe suína

Florianópolis (AE) - Último relatório da Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina sobre a gripe suína indica que foram registrados mais dez óbitos pelo vírus H1N1. Cinco mulheres e cinco homens entre 27 e 88 anos morreram no período de duas semanas. Neste ano, segundo dados apurados até quinta-feira, foram notificados 2.536 casos decorrentes de síndrome respiratória aguda grave, sendo que 741 (30,1%) foram confirmados laboratorialmente como gripe suína. Em 2009, ano de aparecimento do H1N1 no mundo, foram registradas em Santa Catarina 1.425 casos por todos os tipos de gripe; 1.390 em 2010 e 1.627 em 2011.

Das 175 mortes causadas por diferentes tipos de vírus neste ano no Estado, 72 são de responsabilidade do H1N1. No ano passado não houve nenhuma morte em decorrência da doença. Segundo o diretor de Vigilância Epidemiológica do Estado, Fábio Galdenzi, a tendência agora é de queda. Para ele, isso ocorrerá principalmente pela mudança de comportamento dos indivíduos com os hábitos de higiene, além de uma certa imunidade adquirida pelas pessoas infectadas nos últimos três anos. “Trata-se de um fenômeno cíclico e ninguém, mesmo aqueles vacinados, estão livres de contrair o vírus”, explicou.

A higiene respiratória, a vacinação aplicada principalmente nos indivíduos mais vulneráveis e o uso adequado e no tempo certo de medicação estão entre os fatores que reduzem o risco de contrair o vírus. A taxa de proteção com a aplicação da vacina contra a gripe é de 60% a 70%, sendo que em gestantes o porcentual cai para 56%. Em âmbito nacional, dados do Ministério da Saúde mostram que a gripe suína causou mais mortes neste ano que em 2010 e 2011 juntos. Até agora foram 159 mortes em decorrência da doença, enquanto em 2010 e 2011 foram 113 e 30, respectivamente. Apesar do alerta, o número atual representa apenas 7,7% do total de mortes registradas em 2009, quando a gripe suína matou 2.060 pessoas em todo o País.

Em Santa Catarina, a maioria das mortes ocorreu em cidades que não haviam registrado óbitos pela doença. Em 10 de julho, São Bento do Sul, no norte catarinense, teve sua primeira vítima, uma idosa de 82 anos. Em Cunha Porã, no oeste, um homem de 67 anos morreu, também o primeiro óbito pela doença. Um homem de 39 anos e outro de 31 anos morreram em Lages, na serra catarinense - agora o município contabiliza três vítimas. Videira, no meio-oeste, registrou a quinta morte no dia 16 de julho, de um homem de 88 anos. E São José, na Grande Florianópolis, teve seu segundo óbito, de uma mulher de 58 anos.

Em Fraiburgo, uma mulher de 58 anos morreu no dia 19, o terceiro óbito do município. As cidades de Orleans, Indaial e Forquilhinhas tiveram suas primeiras mortes por gripe suína, um homem de 58 anos, uma mulher de 59 e outra de 27 anos. Apesar dos dez óbitos, a Diretoria de Vigilância Epidemiológica afirma que houve uma diminuição da proporção de casos de gripe suína confirmados nas últimas semanas.

O Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers) está preparando um documento para o Ministério da Saúde pedindo que seja reforçado o combate à doença em 2013. Neste ano, a região concentra 80% dos casos. Para o presidente do Cremers, Rogério Aguiar, os três Estados da Região Sul devem ter prioridade na distribuição das doses e a campanha de imunização deve ser antecipada.


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