Margareth Grilo - Repórter especial
Em 1974, o ambiente político, em todo o país, permanecia sob forte influência militar. No Rio Grande do Norte, as eleições daquele ano prometiam um embate entre o antigo MDB e a Arena, e elas seriam palco para o início, digamos assim, da vida política de um espectador privilegiado. À época, com pouco mais de dez anos, Rogério Simonetti Marinho, neto do então deputado federal Djalma Aranha Marinho (1908-1981), candidato naquele pleito ao senado federal, marcava presença nos comícios que percorriam o interior do Estado. Em um deles, realizado em Goianinha, chegou a participar como orador, fazendo a defesa da candidatura do avô paterno.
“Foi a minha primeira experiência em campanha eleitoral”, relembra o tucano Rogério Marinho, que é o quarto candidato à prefeito de Natal que tem seu perfil publicado na TRIBUNA DO NORTE. Da experiência tirou a seguinte lição: “foi uma descoberta do prazer, do desafio e da angústia que é o processo político eleitoral. São sentimentos contraditórios, mas que convivem nesse espaço”. Nas eleições de 74, o arenista Djalma Marinho, apesar do favoritismo, foi derrotado por Agenor Maria (1927-1997), candidato do MDB.
Ao relembrar o episódio, Rogério destaca que se hoje está na política é pela influência do avô Djalma e não só isso. A referência política no círculo familiar é forte, tanto pelo lado materno, como paterno. O avô materno, Arnaldo Barbalho Simonetti chegou a se eleger deputado federal; o tio avô Kerginaldo Cavalcanti foi senador da República; outros dois tios-avos Milton e Nei Marinho; o tio Márcio Marinho ocupou cadeira na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Norte e o pai Valério Marinho, suplente de senador.
“Na verdade”, conta Rogério, “eu nasci na vida política. Na política, estou desde que me entendo por gente, conversando, ouvindo, convivendo, assistindo, participando do processo político aqui do Estado”. O herdeiro político de Djalma Marinho conta que interagia bastante nesse processo e que teve sempre a atenção muito voltada para a política, enriquecida – segundo ele – porque era bastante provocado intelectualmente pelo avô paterno. Acompanhava Djalma na leitura de livros sobre filosofia, história, biografias e narrativas de faroeste e ficção científica.
De 1985 até agora, Rogério participou de todas as eleições municipais e estaduais, sendo que sua primeira candidatura foi em 1994 à deputado estadual, ainda filiado ao PSB. “Nas eleições de 84, já no processo de redemocratização, eu tinha uma vivência muito grande nas comunidades e nos movimentos sociais e participei ativamente do trabalho de mobilização”, conta. Esse trabalho foi na campanha da então candidata a prefeita, a ex-governadora Wilma de Faria (PSB). A partir daí, Rogério começa a participar de uma forma mais efetiva do movimento partidário institucional. Passados os anos, ele diz que o idealismo continua o mesmo.
“O que me encanta no processo político”, afirma, “é a possibilidade e oportunidade de transformar a vida das pessoas. Isso é a mesma chama que me motiva desde os meus dez anos de idade”. A mudança mais objetiva – continua – “é a experiência, o quilômetro rodado, as cicatrizes que a vida nos deixa, o aprendizado que a vida nos dá”. Ele confessa que ser candidato a prefeito de Natal era um antigo sonho. “Não sei o que vai acontecer, mas estou realizado de poder debater na cidade, de poder provocar de maneira positiva”.
Hoje, Rogério vive a política 24 horas e diz que a postura e as atitudes que percebia e admirava no avô paterno balizaram sua conduta e seus passos. “Meu avô era intransigente nos valores que defendia como a ética, a amizade, o respeito à lei, a gratidão e a solidariedade”, disse Rogério. E completou: ele me inspirou na forma de ser, de independência, de afirmação dos valores democráticos, dos conceitos morais e legais”.
Professor e economista, Rogério trabalhou durante mais de 20 anos na administração pública. Foi secretário, consultor, vereador e presidente da Câmara Municipal de Natal. Deputado federal desde 2007, o potiguar, que preside o PSDB/RN, está em seu segundo mandato e coordena a bancada do partido na Comissão de Educação e Cultura. À frente do legislativo municipal, criou a Federação das Câmaras Municipais (Fecam/RN), em 2005, entidade pioneira no país.
Ficha
Nome: Rogério Simonetti Marinho
Idade: 48 anos
Filiação partidária: PSDB
Naturalidade: Natal (RN)
Grau de instrução: superior (Economia)
Ocupação: professor (atualmente, é deputado federal)
Eleições em que foi candidato:
1994 - deputado estadual (PSB) – RN
Votação: 2.845
2000 – vereador – Natal (PSB)
Votação: 4.758
2004 – vereador – Natal (PSB))
Votação: 9.009
2006 – deputado federal – (PSB)
Votação: 130.063
2010 – deputado federal – (PSDB)
Votação: 105.422
1. À frente do Legislativo municipal, Rogério criou a Federação das Câmaras Municipais (Fecam/RN) e implantou o programa de inclusão digital do RN, instalando telecentros comunitários em mais de 90 municípios do Estado, beneficiando cerca de 80 mil pessoas com aulas gratuitas de informática.
2. Na tribuna da Câmara dos Deputados, em Brasília, no exercício do seu primeiro mandato como deputado federal, onde defendeu a proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Desvinculação de Receitas da União (DRU) para a Educação.
4 perguntas para Rogério:
Qual o seu trunfo para chegar à vitória?
O grande trunfo é que ao contrário das outras candidaturas nós fizemos um caminho inverso. Nos preparamos para ser candidatos, mas nos preparamos para administrar a cidade. Nós temos os dados da cidade, os indicadores da cidade, os problemas da cidade e eventuais soluções, e o fizemos de forma participativa, ouvindo mais de 1.500 pessoas e mais de 80 especialistas. Achamos que esse é o grande trunfo.
Qual cara terá sua campanha?
Muito propositiva. Mas é uma campanha que tem a ver com experiência, porque já tenho 48 anos, já ocupei cargos públicos, conheço de gestão pública. Cheguei a assessorar mais de 40 prefeituras aqui no Estado. Mas, ao mesmo tempo, de alguém que tem a vontade, a determinação de querer contribuir para melhorar a situação de nossa cidade.
Qual é o maior desafio?
O desconhecimento. A população infelizmente não tem o hábito de acompanhar os seus candidatos. Quando se vota num candidato a deputado, a vereador, um ano depois menos de 30% lembra em que votou. Esse é o maior problema que vejo.
Qual foco terá seu discurso?
Num processo político dessa magnitude, ou seja, uma candidatura majoritária, a cidade espera que aquele que tenha êxito no processo e assuma a Prefeitura do Natal tenha uma visão de gerente, uma visão estratégica em relação à cidade. O prefeito tem que ter a consciência de que não vai administrar apenas a folha de pessoal, que os funcionários públicos são importantes, mas a cidade é tão ou mais importante. Queremos estabelecer metas e programas que consigam resgatar a autoestima daqueles que moram em Natal, a credibilidade do município em relação aos seus credores, a recuperação da capacidade de endividamento e de investimento que o município perdeu, a valorização dos servidores públicos.
Em 1974, o ambiente político, em todo o país, permanecia sob forte influência militar. No Rio Grande do Norte, as eleições daquele ano prometiam um embate entre o antigo MDB e a Arena, e elas seriam palco para o início, digamos assim, da vida política de um espectador privilegiado. À época, com pouco mais de dez anos, Rogério Simonetti Marinho, neto do então deputado federal Djalma Aranha Marinho (1908-1981), candidato naquele pleito ao senado federal, marcava presença nos comícios que percorriam o interior do Estado. Em um deles, realizado em Goianinha, chegou a participar como orador, fazendo a defesa da candidatura do avô paterno.
“Foi a minha primeira experiência em campanha eleitoral”, relembra o tucano Rogério Marinho, que é o quarto candidato à prefeito de Natal que tem seu perfil publicado na TRIBUNA DO NORTE. Da experiência tirou a seguinte lição: “foi uma descoberta do prazer, do desafio e da angústia que é o processo político eleitoral. São sentimentos contraditórios, mas que convivem nesse espaço”. Nas eleições de 74, o arenista Djalma Marinho, apesar do favoritismo, foi derrotado por Agenor Maria (1927-1997), candidato do MDB.
Adriano Abreu
Rogério Marinho destaca interesse em debater soluções para os mais graves problemas da cidade
Rogério Marinho destaca interesse em debater soluções para os mais graves problemas da cidadeAo relembrar o episódio, Rogério destaca que se hoje está na política é pela influência do avô Djalma e não só isso. A referência política no círculo familiar é forte, tanto pelo lado materno, como paterno. O avô materno, Arnaldo Barbalho Simonetti chegou a se eleger deputado federal; o tio avô Kerginaldo Cavalcanti foi senador da República; outros dois tios-avos Milton e Nei Marinho; o tio Márcio Marinho ocupou cadeira na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Norte e o pai Valério Marinho, suplente de senador.
“Na verdade”, conta Rogério, “eu nasci na vida política. Na política, estou desde que me entendo por gente, conversando, ouvindo, convivendo, assistindo, participando do processo político aqui do Estado”. O herdeiro político de Djalma Marinho conta que interagia bastante nesse processo e que teve sempre a atenção muito voltada para a política, enriquecida – segundo ele – porque era bastante provocado intelectualmente pelo avô paterno. Acompanhava Djalma na leitura de livros sobre filosofia, história, biografias e narrativas de faroeste e ficção científica.
De 1985 até agora, Rogério participou de todas as eleições municipais e estaduais, sendo que sua primeira candidatura foi em 1994 à deputado estadual, ainda filiado ao PSB. “Nas eleições de 84, já no processo de redemocratização, eu tinha uma vivência muito grande nas comunidades e nos movimentos sociais e participei ativamente do trabalho de mobilização”, conta. Esse trabalho foi na campanha da então candidata a prefeita, a ex-governadora Wilma de Faria (PSB). A partir daí, Rogério começa a participar de uma forma mais efetiva do movimento partidário institucional. Passados os anos, ele diz que o idealismo continua o mesmo.
“O que me encanta no processo político”, afirma, “é a possibilidade e oportunidade de transformar a vida das pessoas. Isso é a mesma chama que me motiva desde os meus dez anos de idade”. A mudança mais objetiva – continua – “é a experiência, o quilômetro rodado, as cicatrizes que a vida nos deixa, o aprendizado que a vida nos dá”. Ele confessa que ser candidato a prefeito de Natal era um antigo sonho. “Não sei o que vai acontecer, mas estou realizado de poder debater na cidade, de poder provocar de maneira positiva”.
Hoje, Rogério vive a política 24 horas e diz que a postura e as atitudes que percebia e admirava no avô paterno balizaram sua conduta e seus passos. “Meu avô era intransigente nos valores que defendia como a ética, a amizade, o respeito à lei, a gratidão e a solidariedade”, disse Rogério. E completou: ele me inspirou na forma de ser, de independência, de afirmação dos valores democráticos, dos conceitos morais e legais”.
Professor e economista, Rogério trabalhou durante mais de 20 anos na administração pública. Foi secretário, consultor, vereador e presidente da Câmara Municipal de Natal. Deputado federal desde 2007, o potiguar, que preside o PSDB/RN, está em seu segundo mandato e coordena a bancada do partido na Comissão de Educação e Cultura. À frente do legislativo municipal, criou a Federação das Câmaras Municipais (Fecam/RN), em 2005, entidade pioneira no país.
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Rogério Marinho
Rogério MarinhoFicha
Nome: Rogério Simonetti Marinho
Idade: 48 anos
Filiação partidária: PSDB
Naturalidade: Natal (RN)
Grau de instrução: superior (Economia)
Ocupação: professor (atualmente, é deputado federal)
Eleições em que foi candidato:
1994 - deputado estadual (PSB) – RN
Votação: 2.845
2000 – vereador – Natal (PSB)
Votação: 4.758
2004 – vereador – Natal (PSB))
Votação: 9.009
2006 – deputado federal – (PSB)
Votação: 130.063
2010 – deputado federal – (PSDB)
Votação: 105.422
1. À frente do Legislativo municipal, Rogério criou a Federação das Câmaras Municipais (Fecam/RN) e implantou o programa de inclusão digital do RN, instalando telecentros comunitários em mais de 90 municípios do Estado, beneficiando cerca de 80 mil pessoas com aulas gratuitas de informática.
2. Na tribuna da Câmara dos Deputados, em Brasília, no exercício do seu primeiro mandato como deputado federal, onde defendeu a proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Desvinculação de Receitas da União (DRU) para a Educação.
4 perguntas para Rogério:
Qual o seu trunfo para chegar à vitória?
O grande trunfo é que ao contrário das outras candidaturas nós fizemos um caminho inverso. Nos preparamos para ser candidatos, mas nos preparamos para administrar a cidade. Nós temos os dados da cidade, os indicadores da cidade, os problemas da cidade e eventuais soluções, e o fizemos de forma participativa, ouvindo mais de 1.500 pessoas e mais de 80 especialistas. Achamos que esse é o grande trunfo.
Qual cara terá sua campanha?
Muito propositiva. Mas é uma campanha que tem a ver com experiência, porque já tenho 48 anos, já ocupei cargos públicos, conheço de gestão pública. Cheguei a assessorar mais de 40 prefeituras aqui no Estado. Mas, ao mesmo tempo, de alguém que tem a vontade, a determinação de querer contribuir para melhorar a situação de nossa cidade.
Qual é o maior desafio?
O desconhecimento. A população infelizmente não tem o hábito de acompanhar os seus candidatos. Quando se vota num candidato a deputado, a vereador, um ano depois menos de 30% lembra em que votou. Esse é o maior problema que vejo.
Qual foco terá seu discurso?
Num processo político dessa magnitude, ou seja, uma candidatura majoritária, a cidade espera que aquele que tenha êxito no processo e assuma a Prefeitura do Natal tenha uma visão de gerente, uma visão estratégica em relação à cidade. O prefeito tem que ter a consciência de que não vai administrar apenas a folha de pessoal, que os funcionários públicos são importantes, mas a cidade é tão ou mais importante. Queremos estabelecer metas e programas que consigam resgatar a autoestima daqueles que moram em Natal, a credibilidade do município em relação aos seus credores, a recuperação da capacidade de endividamento e de investimento que o município perdeu, a valorização dos servidores públicos.