Júlio Pinheiro - repórter
Foram seis meses de silêncio, com pequenas declarações esporádicas e quase sempre abordando assuntos de maneira lacônica. Agora, o empresário George Leal, marido da ex-chefe da Divisão de Precatórios do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte, Carla Ubarana, resolveu falar. Em pouco menos de 48 horas, foram três entrevistas. Para a TRIBUNA DO NORTE, George Leal falou durante quase 20 minutos, relatando os problemas pelos quais o casal vem passando e que vão desde a falta de recursos até a insegurança. Também reclamou do tratamento dado aos dois delatores do esquema investigado na Operação Judas. De acordo com o empresário, eles estão à base do “pão e água”, apesar da colaboração. Sobre o bloqueio dos salários de Carla Ubarana, como servidora efetiva da Justiça potiguar, George Leal afirma que a mulher deveria estar recebendo e que, assim como o processo administrativo no TJRN foi anulado, também deveria ser anulado o conteúdo do relatório da inspeção interna realizada na Divisão de Precatórios. Na entrevista a seguir, George Leal também detalha a suposta tentativa de assalto que a família sofreu e as ameaças a Carla Ubarana. O casal tem medo, mas não quer escolta policial.
O senhor divulgou dois vídeos do dia em que teria ocorrido a tentativa de invasão à sua residência. Por que a Polícia não foi chamada logo após o episódio?
Não adiantaria chamarmos a Polícia depois que o fato já estava consumado. Se chamássemos, só iria assustar meus filhos, que estavam acordados, e também poderia acabar juntando imprensa em frente à nossa casa, causando algum tipo de tumulto. Preferimos prestar a queixa somente depois.
O senhor chegou a dizer que foram quatro pessoas que tentaram invadir a casa, mas nos vídeos exibidos não é possível perceber a presença de todos...
Um deles estava no telhado e as câmeras da minha casa não conseguiram pegá-lo. Nem as do prédio. Mas ouvimos a movimentação no telhado. Com certeza tinha alguém em cima porque o telhado estava todo quebrado. No outro dia choveu e tive que chamar uma pessoa para consertar porque havia goteiras onde nunca teve.
Acredita que o crime pode ter algum tipo de motivação além do furto à residência?
Não sei o que eles queriam. O que sei é que moro há treze anos aqui e nunca aconteceu nada. Mas em um mês, minha esposa sofre uma tentativa de facada e escuta um ‘ainda vou lhe pegar’ de um marginal, e teve a tentativa de invasão na minha casa. Eles foram embora e não deixaram os fios que cortaram porque ia mostrar que era uma tentativa real de invasão. Eles se esconderam das câmeras da minha casa, mas não dava para verem a câmera do prédio.
Pensa em mudar de residência devido ao episódio?
Não. E não quero que a Polícia me dê segurança diferente do que dá à população. A segurança tem que ser pública. Mas o que aconteceu foi na rua, e não em área particular. Não sei se a Secretaria de Segurança vai devolver minhas armas, mas elas estão todas legais e são autorizadas pela Polícia Federal e foram adquiridas antes de tudo (irregularidades no TJRN). Existe o direito constitucional que a pessoa tem para se defender em casa com armas aptas. E minhas armas são aptas.
A família mudou a rotina por causa dos acontecimentos?
Antes e depois continuamos do mesmo jeito. Saímos muito pouco.
O primeiro processo administrativo contra Carla Ubarana foi anulado, mas ela segue sem receber os salários. Há alguma tentativa judicial para que os salários sejam liberados?
Já tentamos. Existe uma lei que permitiria pagar, mas outra que permitiria bloquear. E a presidente, desembargadora Judite (Nunes) optou por não pagar. Carla hoje é uma colaboradora da Justiça e deveria ser tratada com uma visão diferenciada. Tentamos de todas as maneiras que os salários fossem pagos, mas não conseguimos. Em todos os países desenvolvidos os que fazem a delação premiada têm recebido um tratamento diferenciado, mas aqui não. E a própria presidente do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), Eliana Calmon, disse que aquela havia sido a maior delação da história do CNJ. É complicado. Queríamos a atualização da presidente com relação ao tratamento dado aos que fazem a delação. Nós também pedimos a anulação da inspeção...
Por quê?
Primeiro porque o desembargador Caio (Alencar, aposentado) estava de licença durante a inspeção e participou, foi o presidente da comissão que realizou a inspeção. O processo foi fracionado e o desembargador Caio usou informações privilegiadas para falar com o genro para ele retirar do nome de Carla um Selvagem que havia comprado. E foi retirado. O desembargador Osvaldo Cruz também pediu a anulação da inspeção pelos mesmos motivos.
Sobre o leilão dos bens, o senhor acredita que o valor que será arrecadado vai compensar o que foi desviado?
Devolvemos além da conta, até. Os carros foram avaliados em R$ 900 mil, mas é a pedida inicial. Vai aumentar. Os imóveis valem, no mínimo, R$ 4 milhões. O que deveria ser feito pelo tribunal é pagar os precatórios, que não pagam há muito tempo. Quando Carla saiu de férias, deixou cinco mil processos prontos, individualizados e legalizados. Havia também aproximadamente R$ 7 milhões em caixa. Por que não foi pago ainda? Ou é uma questão de vontade ou de incompetência.
Foram seis meses de silêncio, com pequenas declarações esporádicas e quase sempre abordando assuntos de maneira lacônica. Agora, o empresário George Leal, marido da ex-chefe da Divisão de Precatórios do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte, Carla Ubarana, resolveu falar. Em pouco menos de 48 horas, foram três entrevistas. Para a TRIBUNA DO NORTE, George Leal falou durante quase 20 minutos, relatando os problemas pelos quais o casal vem passando e que vão desde a falta de recursos até a insegurança. Também reclamou do tratamento dado aos dois delatores do esquema investigado na Operação Judas. De acordo com o empresário, eles estão à base do “pão e água”, apesar da colaboração. Sobre o bloqueio dos salários de Carla Ubarana, como servidora efetiva da Justiça potiguar, George Leal afirma que a mulher deveria estar recebendo e que, assim como o processo administrativo no TJRN foi anulado, também deveria ser anulado o conteúdo do relatório da inspeção interna realizada na Divisão de Precatórios. Na entrevista a seguir, George Leal também detalha a suposta tentativa de assalto que a família sofreu e as ameaças a Carla Ubarana. O casal tem medo, mas não quer escolta policial.
Frankie marcone - 30/04/2012
Empresário George Leal, marido da ex-chefe da Divisão de Precatórios do TJRN, Carla Ubarana.
Empresário George Leal, marido da ex-chefe da Divisão de Precatórios do TJRN, Carla Ubarana.O senhor divulgou dois vídeos do dia em que teria ocorrido a tentativa de invasão à sua residência. Por que a Polícia não foi chamada logo após o episódio?
Não adiantaria chamarmos a Polícia depois que o fato já estava consumado. Se chamássemos, só iria assustar meus filhos, que estavam acordados, e também poderia acabar juntando imprensa em frente à nossa casa, causando algum tipo de tumulto. Preferimos prestar a queixa somente depois.
O senhor chegou a dizer que foram quatro pessoas que tentaram invadir a casa, mas nos vídeos exibidos não é possível perceber a presença de todos...
Um deles estava no telhado e as câmeras da minha casa não conseguiram pegá-lo. Nem as do prédio. Mas ouvimos a movimentação no telhado. Com certeza tinha alguém em cima porque o telhado estava todo quebrado. No outro dia choveu e tive que chamar uma pessoa para consertar porque havia goteiras onde nunca teve.
Acredita que o crime pode ter algum tipo de motivação além do furto à residência?
Não sei o que eles queriam. O que sei é que moro há treze anos aqui e nunca aconteceu nada. Mas em um mês, minha esposa sofre uma tentativa de facada e escuta um ‘ainda vou lhe pegar’ de um marginal, e teve a tentativa de invasão na minha casa. Eles foram embora e não deixaram os fios que cortaram porque ia mostrar que era uma tentativa real de invasão. Eles se esconderam das câmeras da minha casa, mas não dava para verem a câmera do prédio.
Pensa em mudar de residência devido ao episódio?
Não. E não quero que a Polícia me dê segurança diferente do que dá à população. A segurança tem que ser pública. Mas o que aconteceu foi na rua, e não em área particular. Não sei se a Secretaria de Segurança vai devolver minhas armas, mas elas estão todas legais e são autorizadas pela Polícia Federal e foram adquiridas antes de tudo (irregularidades no TJRN). Existe o direito constitucional que a pessoa tem para se defender em casa com armas aptas. E minhas armas são aptas.
A família mudou a rotina por causa dos acontecimentos?
Antes e depois continuamos do mesmo jeito. Saímos muito pouco.
O primeiro processo administrativo contra Carla Ubarana foi anulado, mas ela segue sem receber os salários. Há alguma tentativa judicial para que os salários sejam liberados?
Já tentamos. Existe uma lei que permitiria pagar, mas outra que permitiria bloquear. E a presidente, desembargadora Judite (Nunes) optou por não pagar. Carla hoje é uma colaboradora da Justiça e deveria ser tratada com uma visão diferenciada. Tentamos de todas as maneiras que os salários fossem pagos, mas não conseguimos. Em todos os países desenvolvidos os que fazem a delação premiada têm recebido um tratamento diferenciado, mas aqui não. E a própria presidente do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), Eliana Calmon, disse que aquela havia sido a maior delação da história do CNJ. É complicado. Queríamos a atualização da presidente com relação ao tratamento dado aos que fazem a delação. Nós também pedimos a anulação da inspeção...
Por quê?
Primeiro porque o desembargador Caio (Alencar, aposentado) estava de licença durante a inspeção e participou, foi o presidente da comissão que realizou a inspeção. O processo foi fracionado e o desembargador Caio usou informações privilegiadas para falar com o genro para ele retirar do nome de Carla um Selvagem que havia comprado. E foi retirado. O desembargador Osvaldo Cruz também pediu a anulação da inspeção pelos mesmos motivos.
Sobre o leilão dos bens, o senhor acredita que o valor que será arrecadado vai compensar o que foi desviado?
Devolvemos além da conta, até. Os carros foram avaliados em R$ 900 mil, mas é a pedida inicial. Vai aumentar. Os imóveis valem, no mínimo, R$ 4 milhões. O que deveria ser feito pelo tribunal é pagar os precatórios, que não pagam há muito tempo. Quando Carla saiu de férias, deixou cinco mil processos prontos, individualizados e legalizados. Havia também aproximadamente R$ 7 milhões em caixa. Por que não foi pago ainda? Ou é uma questão de vontade ou de incompetência.