Ele já foi um dos homens mais poderosos do Brasil, durante os primeiros anos do período em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ocupou a Presidência da República. Agora, José Dirceu segue longe dos holofotes e com o objetivo de se livrar da condenação por supostamente liderar um dos maiores esquemas de compra de apoio parlamentar da história do Brasil. O ex-ministro da Casa Civil e ex-deputado garante que não pretende fugir.
Em entrevista à colunista Mônica Bergamo, Dirceu relatou que segue com uma rotina pacata, acordando sempre cedo e mantendo as atividades com o seu blog. Sobre o julgamento, o ex-ministro, que pouco apareceu na imprensa durante os anos em que o processo de destrinchou, disse que está tranquilo e que ele tem como se defender. Contudo, garante que está tranquilo sobre qualquer que seja o resultado do julgamento no STF.
"Essa história que inventam de que vou sair do Brasil não combina comigo. Saí (na década de 60) porque fui expulso do país. Cassaram a minha nacionalidade. Eu era um apátrida, não podia viajar. Quem me impedia de voltar era a ditadura militar. E mesmo assim eu voltei para o Brasil, duas vezes, colocando a minha própria vida em risco. Eu iria embora agora? O PT tem defeitos. Mas se tem algo que não conhecemos no PT é a palavra covardia. A chance de eu fugir do Brasil é nenhuma. Zero", garantiu em entrevista à colunista.
O julgamento da chamada parte política do Mensalão começa hoje, no STF. O ministro relator, Joaquim Barbosa, disse que precisaria de pelo menos uma sessão e meia para ler o relatório.