Juízes rebatem críticas de Joaquim Barbosa

Publicação: 03 de Março de 2013 às 08:57

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A Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), a Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) e a Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra) rebateram as críticas feitas pelo presidente do Superior Tribunal de Justiça, Joaquim Barbosa. Em nota, as três associações declararam que "causa perplexidade aos juízes brasileiros a forma preconceituosa, generalista, superficial e, sobretudo, desrespeitosa com que o ministro Joaquim Barbosa enxerga os membros do Poder Judiciário brasileiro."

Durante uma entrevista a correspondentes estrangeiros, Joaquim afirmou que a mentalidade dos juízes brasileiros é "mais conservadora, pró status quo, pró impunidade". Ele ainda comparou com a mentalidade do Ministério Público, a qual afirmou ser "rebelde, contra status quo".

Leia a nota das associações na íntegra:

Nota Pública: AMB, Ajufe e Anamatra

A Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), a Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) e a Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra), entidades de classe de âmbito nacional da magistratura, a propósito de declarações do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) em entrevista a jornalistas estrangeiros, na qual Sua Excelência faz ilações sobre a mentalidade dos magistrados brasileiros, vêm a público manifestar-se nos seguintes termos:

1. Causa perplexidade aos juízes brasileiros a forma preconceituosa, generalista, superficial e, sobretudo, desrespeitosa com que o ministro Joaquim Barbosa enxerga os membros do Poder Judiciário brasileiro.

2. Partindo de percepções preconcebidas, o ministro Joaquim Barbosa chega a conclusões que não se coadunam com a realidade vivida por milhares de magistrados brasileiros, especialmente aqueles que têm competência em matéria penal.

3. A comparação entre as carreiras da magistratura e do Ministério Público, no que toca à “mentalidade”, é absolutamente incabível, considerando-se que o Ministério Público é parte no processo penal, encarregado da acusação, enquanto a magistratura – que não tem compromisso com a acusação nem com a defesa – tem a missão constitucional de ser imparcial, garantindo o processo penal justo.

4. A garantia do processo penal justo, pressuposto da atuação do magistrado na seara penal, é fundamental para a democracia, estando intimamente ligada à independência judicial, que o ministro Joaquim Barbosa, como presidente do STF, deveria defender.

5. Se há impunidade no Brasil, isso decorre de causas mais complexas que a reducionista ideia de um problema de “mentalidade” dos magistrados. As distorções – que precisam ser corrigidas – decorrem, dentre outras coisas, da ausência de estrutura adequada dos órgãos de investigação policial; de uma legislação processual penal desatualizada, que permite inúmeras possibilidades de recursos e impugnações, sem se falar no sistema prisional, que é inadequado para as necessidades do país.

6. As entidades de classe da magistratura, lamentavelmente, não têm sido ouvidas pelo presidente do STF. O seu isolacionismo, a parecer que parte do pressuposto de ser o único detentor da verdade e do conhecimento, denota prescindir do auxílio e da experiência de quem vivencia as angústias e as vicissitudes dos aplicadores do direito no Brasil.

7. A independência funcional da magistratura é corolário do Estado Democrático de Direito, cabendo aos juízes, por imperativo constitucional, motivar suas decisões de acordo com a convicção livremente formada a partir das provas regularmente produzidas. Por isso, não cabe a nenhum órgão administrativo, muito menos ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a função de tutelar ou corrigir o pensamento e a convicção dos magistrados brasileiros.

8. A violência simbólica das palavras do ministro Joaquim Barbosa acende o aviso de alerta contra eventuais tentativas de se diminuírem a liberdade e a independência da magistratura brasileira. A sociedade não pode aceitar isso. Violar a independência da magistratura é violar a democracia.

9. As entidades de classe não compactuam com o desvio de finalidade na condução de processos judiciais e são favoráveis à punição dos comportamentos ilícitos, quando devidamente provados dentro do devido processo legal, com garantia do contraditório e da ampla defesa. Todavia, não admitem que sejam lançadas dúvidas genéricas sobre a lisura e a integridade dos magistrados brasileiros.

10. A Ajufe, a AMB e a Anamatra esperam do ministro Joaquim Barbosa comportamento compatível com o alto cargo que ocupa, bem como tratamento respeitoso aos magistrados brasileiros, qualquer que seja o grau de jurisdição.

Brasília, 2 de março de 2013.

NELSON CALANDRA 

Presidente da AMB       

NINO OLIVEIRA TOLDO

Presidente da Ajufe                 

RENATO HENRY SANT’ANNA

Presidente da Anamatra



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Comentários

  • marcosmachado

    MINISTRO JOSÉ BARBOSA: O POVO BRASILEIRO PARABENIZA-O PELA SUA CORAGEM E LUCIDEZ EM TODOS OS SEUS COMENTÁRIOS E LUCIDEZ NA SUA LUTA CONTRA A CORRUPÇÃO QUE ESTÁ DENTRO DO PRÓPRIO JUDICIÁRIO, CONTINUE FIRME , POIS A NAÇÃO BRASILEIRA ESTÁ DO SEU LADO.

  • grande__m

    Magistrados são deuses? No RN não aceitaram, sequer, ser fiscalizados pela Corregedoria do TJ (na época do Des. Cristóvão Praxedes), no que diz respeito ao simples cumprir de expediente, como vão aceitar crítica do atual Presidente do STF, oriundo do Ministério Público? Diversos Magistrados já foram aposentados, compulsoriamente, após processos administrativos, por venderem sentenças. Ou é mentira? Um processo simples, em Extremoz, como o de nº 0200892-48.2007.8.20.0162, com apenas quatro réus, todos policiais civis (caso de tortura e sonegação de documento público), se arrasta desde 29/05/2007. O último movimento se deu em 06/11/2012. Vergonha! Infelizmente, o espaço, aqui, é pouco, não posso falar mais. Parabéns, Min. Joaquim Barbosa. Magistrados são seres, também, falíveis (inclusive por dolo), não são deuses.

  • ednodantas

    Os "deuses" estão se sentindo desrespeitados, é a opinião de quem está lá dentro. Ele sabe, ele conhece e nós, necessitados de plantão ficamos a mercê do tempo e da vontade da dita justiça, aguentando humilhações, desprezo de funcionários que não levam em consideração os anseios e as aspirações de quem em último caso recorre ao judiciário na esperança de ter uma situação qualquer resolvida. Se reclamamos somos processados e até presos por desacato. O bom mesmo é não precisar dela.

  • prcg47

    É extremamente preocupante quando um ministro do STF tem o comportamento desastroso para com a democracia. A sociedade civil tem de tomar uma posição contra desfaçatez, com tamanho grau de distorção, no que compete a Constituição e o RESPEITO a justiça neste país. A ordem jurídica desta nação está sob risco premente e devemos reagir efetivamente.

  • flavia.cristina

    Não sei por que os juízes se doeram tanto. O que Joaquim Barbosa falou É A MAIS PURA VERDADE. Por que tem tanta impunidade no Brasil? Os juízes tem medo de condenar os criminosos, principalmente se forem de classe média ou ricos. Não mexem uma palha pra fazer desse país um lugar melhor. Ainda tem salário de R$ 20.000,00 e e sessenta dias de férias por ano. É mole?

  • eduardofcec

    Realmente generalizar é sempre um perigo, mas o que o Ministro Barbosa quis dizer é que existem ALGUNS juizes que são realmente uns fracotres, tem medo de morrer e aí não colocam o bandidão de colarinho branco ou mesmo o grande traficante ou o marginal ricão na cadeia. Aí não dá né? É melhor pedir exoneração, porque a pessoa ser um Juiz frouxo é o fim do mundo mesmo, vai arrumar outro emprego entao! Se as leis ordinárias são fracas, os Juizes devem ser fortes, usem somente Constituição, julguem contra legem oras! Se afrouxar com as leis ordinárias mansas do Brasil, a impunidade toma conta.

  • rodriguesfs77

    É uma pena que o Ministro Joaquim Barbosa fale assim dos magistrados porque estes não devem ser tidos como culpados pelo problema da impunidade no país, afinal de contas não são os magistrados quem produzem as leis, nem muitos menos os gestores das políticas que poderiam acabar com tanta impunidade que temos hoje em nosso país.

  • joaofernandesunp

    os poderes tem que se reipeitar nao porque ele e o ministro do supermo que deve reipeitar todos decisoes dos colegas e dar sua posiçao contraria em juizo nao dar citaçoes e criticas aos outros porque fere a liberdade de cada um principalmente o direito constituidos de julgar de acordo com suas posiçoes e conforme o codigo e leis constituidas cade a etica como fica para o restante dos juizes que sao seus colegas de trabalhos e tem os mesmos direito porque nao esta no cargo majoritario ele julgou o caso dos funcionarios publicos do rio grande do norte contra porque criticar todas os juizes de todas as comarcas dessa maneira nao entendo alguem me explique.

  • berg_rn

    É sempre assim, os juízes, que auto denominam de deuses, não aceitam críticas, não se redimem, pelo status quo que vivem, há séculos que o Brasil é mesmo no tocante a justiça. Porque os juízes não lutam por leis mais severas e que punam os grandes deste país? E não ficarem defendendo a justiça como ela é hojme?

  • maurofabrica

    O ministro Joaquim está completamente certo! Dói demais mexer nas feridas,eu sei, mas já está na hora de tratá-la! Quero que Vossa Excelência o Sr. Presidente da AMB, mas o item 7 das desculpas é uma prova cristalina do desespero de uma classe mortalmente atingida;não nada, absolutamente nada cima das leis! Desde quando um Magistrado não pode ter seus atos "vistoriados"?

  • fran_fabiano

    Como se pode observar, a sociedade quer uma resposta dos deuses, ops digo, do judiciário, chega, estamos cansados de embromação, enrrolação, onde tudo pode menos fazer justiça.

  • leido

    A verdade sempre é dolorosa, Os juízes de instâncias inferiores acham que são deuses, os desembargadores e juízes de tribunais superiores tem certeza.

  • omipibuense

    A verdade dói. Essas entidades deveriam era emitir uma Nota de Apoio ao Sua Excia, Ministro Joaquim Barbosa.

  • som.caca

    Agora os juízes e OAB com certeza vão ficar revoltados com essas declarações, nesse país ninguém pode falar a verdade, a corrupção assola todas as instituições e eles querem que todo mundo fique caladinho, temos é que parabenizar o ministro JOAQUIM BARBOSA, homem corajoso e que fala a verdade nesse país corrupto e injusto. O povo que o apóie e que abra o olho, estamos vivendo um momento muito importante nesse país, onde muita coisa tem sido escancarada. vida longa ao ministro! PARABÉNS!!!!