La Niña deve reduzir safra brasileira este ano, diz IBGE
Publicação: 12 de Fevereiro de 2012 às 00:00
Alessandra Saraiva
Rio (AE) - O fenômeno La Niña deve ser o grande vilão da safra de grãos este ano, que vai cair para 158,7 milhões de toneladas, 0,7% inferior a de 2011. A redução seria mais forte, não fosse projeção de área plantada recorde para este ano, de 50,6 milhões de hectares. Problemas de estiagem no Sul e chuvas fortes no Nordeste, causadas pela forte alteração climática do La Niña, vão atingir em cheio as produções de soja e de milho, mais de 80% do total da safra, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A soja deve atingir 70 milhões de toneladas este ano, 6,4% abaixo de 2011. Já a estimativa de milho primeira safra é de 34,2 milhões de toneladas, apenas 0,2% acima de 2011, mesmo com área plantada 7,8% superior.
A seca no Sul foi tão intensa que a produção de soja no Rio Grande do Sul deve cair 28,9% em 2012 ante o ano passado. O milho, por sua vez, deve ter produção 45% inferior no Rio Grande do Sul na comparação com 2011. "A seca afetou mais o milho do que a soja", ressaltou o gerente da Coordenação de Agropecuária do IBGE, Mauro Andreazzi.
Isso deve abrir espaço para outros estados. Os produtores do Mato Grosso, após colheita da soja, normalmente plantam milho segunda safra - e utilizam em torno de 30% do total de área destinada à soja, para tal. "Este ano, eles devem plantar 50% da área da soja (com milho)", afirmou Andreazzi, acrescentando que há uma corrida no Mato Grosso por sementes, que começam a faltar
A reversão da queda na estimativa de safra para este ano não é impossível, na análise de Andreazzi. Muitas culturas ainda estão por vir, como as de segunda e terceira safras. "Não estamos muito longe do patamar do ano passado", comentou. Mas além de soja e de milho, outras culturas prosseguem com sinais de negativos. Com menor produção, influenciada por preços em baixa, arroz e feijão devem ficar mais caros este ano no mercado doméstico. No caso do arroz, a produção deve cair para 11,4 milhões de toneladas, 14,9% inferior a de 2011. "Isso não atende à demanda interna. Provavelmente vamos ter que importar em 2012", afirmou. Já o feijão em grão primeira safra deve somar 1,8 milhão de toneladas, 9% inferior a 2011. A diminuição do interesse do produtor em relação a este produto foi tão forte que provocou queda de 8,4% na estimativa de área plantada para o feijão em 2012.
Na contramão das principais culturas, as produções de algodão e de café devem ser recordes este ano, favorecidas por recuperação de preços. No caso do algodão, a produção deve alcançar 5,1 milhões de toneladas este ano, 1,5% acima de 2011. O café, por sua vez, deve somar 2,9 milhões de toneladas, 10,8% superior - mesmo com recuo de 0,4% na área de colheita em 2012.