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Natal, 12 de Fevereiro de 2012 | Atualizado às 01:37

Laudo de arquiteta mostra impacto negativo à paisagem

Publicação: 02 de Fevereiro de 2010 às 00:00
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O laudo da arquiteta e urbanista Rosa Pinheiro, solicitado pelo Ministério Público, mostra que a construção do edifício Home Service Villa Del Sol, na rua Luiz Rufino, 110, Ponta Negra vai causar uma série de impactos negativos à paisagem local. "Se houver edifícios na Vila de Ponta Negra, vai romper e destoar o padrão paisagístico atual, descaracterizá-lo".

Marcelo BarrosoRosa Pinheiro informa que obra trará impactos negativosRosa Pinheiro informa que obra trará impactos negativos
No auto de inspeção judicial publicado no Diário Oficial da Justiça, de quinta-feira, 28, o juiz Virgílio Fernandes de Macedo Júnior (da 1ª Vara da Fazenda Pública) dá um prazo de 48 horas para que o município e a empresa Real Estate Empreendimentos Imobiliários Ltda e o Ministério Público Estadual pronunciem-se na ação em que a Natal Real Estate pede a retomada das obras do edifício Home Service Villa Del Sol. O prazo termina hoje.

O diagnóstico de paisagem realizado por Rosa Pinheiro se baseou na metodologia do projeto "Orla", do Governo Federal, que visa uma ocupação organizada do litoral brasileiro. "Os edifícios são de impacto tanto na paisagem quanto no sistema viário e infraestrutura de esgoto", ressalta. Rosa dividiu as diferentes unidades de paisagem existentes na área e, em seguida, identificou as características de cada uma.

A síntese mostra como elas se relacionam entre si e o que muda com a inserção de um novo elemento dentro dessas unidades. O estudo retrata a matriz oceano, formado pelas dunas do Morro do Careca e o próprio mar, e a matriz urbana, composta pela Vila de Ponta Negra, Alagamar, demais edifícios e unidades construídas da orla até à área não edificante, na avenida engenheiro Roberto Freire.

"Observei o que era paisagem homogênea ou não. Os edifícios atuais foram planejados, têm um padrão grelha, ou seja, organizados", disse. "A Vila, por sua vez, é um espaço orgânico, com ruas largas e finas, curvas, se desenvolveu sem organização, em um processo espontâneo dos pescadores", exemplificou. A verticalidade dos edifícios também foi analisada.

A arquiteta atenta para o fato de que a área, de acordo com o Plano Diretor de Natal, constitui zona especial de interesse turístico (ZEIT 3), ao passo que as dunas são uma zona de proteção ambiental (ZPA). "É previsto todo um controle de gabarito para as construções. A avenida engenheiro Roberto Freire é um espaço de visualização pública. O objetivo da área non aedificandi no calçadão da avenida é possibilitar ver a paisagem do morro. Não só a do "careca", mas o conjunto cênico paisagístico".

Ela ressalta que a análise demonstra uma opinião, e há necessidade de se debater a construção dos espigões. "Que tem impacto, tem. É preciso saber o que queremos proteger. Perguntar à sociedade qual paisagem se quer preservar, e eu entendo que é a que está lá hoje, como um todo", diz.

Na opinião de Rosa Pinheiro, o morro do Careca é um monumento, símbolo da cidade, assim com a Torre Eiffel e a catedral de Notre Dame. "Qualquer alteração que vai descaracterizar isso deve ser debatida em sociedade. Somos uma democracia e isso não pode ser imposto por uma licença apenas", conclui.

Ministério Público pede para UFRN fazer estudo

Além do laudo da arquiteta Rosa Pinheiro, o Ministério Público solicitou um estudo técnico à Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) para comprovar prejuízos paisagísticos e ambientais que podem ser causados ao Morro do Careca com a construção do empreendimento "Home Service Villa del Sol".

Ontem (1º), a promotora do Meio Ambiente, Gilka da Mata, esperava a cópia do licenciamento ambiental emitido pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb), que autoriza a obra. "Pedi esse documento com urgência terça-feira passada (26), porque ele comprova que a empresa, ao solicitar a licença à Semurb, apresentou o estudo de impacto", disse a promotora.

A avaliação da arquiteta e urbanista Rosa Pinheiro já foi entregue ao Ministério Público, mas ainda não há previsão para receber o laudo da Universidade. "O pedido é feito através da Central de Perícia do Ministério Público diretamente com a UFRN, mas ainda não temos o nome de quem vai realizar a avaliação", explicou.

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comentários

proap@...02/02/2010 @ 11h27
Imprima esta notícia.
donionca2004@...02/02/2010 @ 10h24
por que não controi logo em cima do morro? por que não vamos derrubar o cajueiro de pirangi para construir um grande condominio? Por que não drenar a lagoa do Bonfim para construir uma grande area de lazer?...
hsabino@...02/02/2010 @ 10h16
Tem que vetar mesmo, se deixar é capaz de ser construido prédios em cima do Morro do careca.
repres.rn@...02/02/2010 @ 10h53
A promotora Gilka está de parabéns, ao contrário do secretario da Semurb que não está nem aí com o paisagismo.
ed340ms@...02/02/2010 @ 14h34
O Ministério Público Estadual tem atuado bem. Facilmente visualizamos um impacto ambiental a ser abertamente mensurado. Portanto, o instrumento de planejamento internacionalmente aceito deve materializar-se através do preceito constitucional do ?Estudo de Impacto Ambiental ? EIA?. No seu RIMA e na sua respectiva ?Audiência Pública? todos os segmentos da sociedade terão oportunidades iguais de pronunciamento, inclusive o Ministério Público Federal. Podemos colaborar antecipadamente, mas somente com o EIA/RIMA/Audiência Pública a sociedade identificará as responsabilidades das pessoas físicas e jurídicas em casos de acertos ou negligências no processo de licenciamento (não estamos falando na expedição ou não de licenças) do conjunto de obras na perspectiva particular da construção civil.
afcardoso@...02/02/2010 @ 14h32
Basta ir até a vizinha capital João Pessoa/PB e ver a orla exemplar deles...lá tem "PARAÍBA MASCULINA, MULHER MACHO SIM SENHOR"...
rubens18junior@...02/02/2010 @ 14h35
Se "A avaliação da arquiteta e urbanista Rosas Pinheiro já foi entregue ao Misnistério Público"!E apresenta impacto negativo ; onde defende o meio ambiente.E se estudou para isso.Não estão valorisando a Educação no País.Onde Multinacionais fazem o que querem "em tempos de conciência Global".Moramos em um País tropical; abençoado por Deus; e bonito por Natureza".Mas se o dinheiro comprar tudo nesse País"democratico".Estaremos ofendendo; nossos principios de defesa!E ha quem pague por isso no futuro?"Vidas".
davidsonlacerda@...02/02/2010 @ 15h05
Muito bom esse questionamento, e essa visao de mostrar (alertar) a sociedade, que Rosa Pinheiro traz. Quais prejuizos, e sao varios, essas licença trazem para os moradores natalenses. Que os bons profissionais dessa area de urbanismo e a promotoria do meio ambiente nao desistam de brigarem e de mostrarem o quanto vale o bem estar da populaçao em detrimento da espculaçao e do capital. Que nao esquecemos de acompanhar esses desdobramentos Davidson Lacerda
rubens18junior@...02/02/2010 @ 14h32
Creemos que la transmisión de una memoria histórica y cultural está estrechamente vinculada a la construcción del ciudadano, quien, reconociendo su pasado, este se basa en una visión para el futuro, que será el legado de las generaciones vindouras.Perdidos vínculos con el pasado empobrece Es este, y es el desarrollo de un povo.Como visto, no es suficiente que el testimonio del pasado preservados.É son necesarias para cultivar la capacidad de descifrar, y su capacidad de lectura crítica.! frases tomadas el (Memorial de Maria Moura). (Rachel de Queiroz, Sonia comentario de Van Dijck)
mauricyterra@...02/02/2010 @ 23h26
A referida arquiteta e urbanista descreve nesse laudo o seu pensamento a respeito das construções que haviam sido liberadas, e que após tiveram seu alvará cassado por deliberação do Sr. Prefeito. Em primeiro lugar não concordo com a arquiteta em dizer que o Morro do Careca é um monumento. Não sei da onde ela foi tirar isso pois é a primeira vez que ouço chamar um acidente geográfico, como um morro, de monumento. Em segundo lugar ela compara o morro do Careca a Torre Eiffel e a Catedral de Notre Dame, comparando assim, banana com laranjas. Talvez ela não saiba que a Torre Eiffel quando de sua construção, em 1889, foi motivo também de muita critica por parte dos parisienses, quando o Eng° Eiffel a construiu no "Champ de Mars" Talvez Notre Dame também tenha tido criticas. Por que construir a catedral logo na Île de la Cité ? Mais os dois monumentos foram construidos, e hoje eles são orgulho de todos os parienses e maravilham todas as pessoas que os visitam. Não estou querendo dizer com isso que os prédios serão motivo de orgulho para os natalenses, mas que talvez o diabo nao seja tão feio como o estão pintando. Tanto nao deve ser pois o plano diretor permitia a construção nesse local, e teoricamente o Plano Diretor é redigido e aprovado, teoricamente, pelas pessoas que mais entendem de urbanismo, meio ambiente e arquitetura da cidade. Eu penso que tanto a arquiteta como a promotora devem ter participado da elaboração do Plano Diretor de Natal. Por que elas não convenceram as demais pessoas que participaram do Plano a não permitir construções nessa área? Provavelmente tentaram e foram voto vencido. Caso tenha sido isso, paciência! A decisão é sempre da maioria. O que eu não entendo, não acho justo e não me conformo, e estabelecida uma lei, as pessoas que deveriam dar o exemplo em respeitá-la não o queiram fazer, como foi o caso do ex-prefeito e da promotora. E a imprensa tem publicado tanta opinião que distorce o assunto, que tem gente que está acreditando que os prédios seriam construidos mesmo em cima do Morro do Careca. Em noticia recente foi dito também pela promotora que um desses predios teria 82m de altura. Para isso ser verdade, cada andar do mesmo teria que ter um pé direito maior do que 5m. Vejam que barbaridade!
PAOLO@...02/02/2010 @ 22h48
Na opinião de Rosa Pinheiro, o morro do Careca é um monumento, símbolo da cidade, assim com a Torre Eiffel e a catedral de Notre Dame. De PARIS - Francia - Europa. Com todo respeito para a senhora arquiteta Rosa Pinheiro. VC. não podemos comparar Paris e seu munumentos com o eu Morro de Careca, por favor, monumentos do século 10 e 18 em Paris com o morro de Careca. você estuda a história, depois Vc. entende. Este é um palavrão.... por favor, monumento è monumento, morro è morro.
PHVIDEOMAKER@...02/02/2010 @ 23h51
Quanto ao sistema viário e infraestrutura de esgoto como leigo devemos nos calar... Mas quanto a questão da paisagem vejo muito exagero por parte do MP e seus técnicos. Só vejo algum prejuizo se você vier da rota do sol, o que já não se vê o morro do careca de jeito nenhum. Vindo da engenheiro Roberto Freire o da via costeira é impossivel que um prédio construido á 200m do morro do careca impeça a visualização do mesmo... eu disse impossivel....
marcusduartesoares@...03/02/2010 @ 17h27
vcs estao loucos? é claro que o impacto na vista será gigante considerando que estamos falando do cartao postal da cidade! quando foi mencionado que o morro do careca poderia ser um monumento a referida arquiteta foi super feliz em sua comparação tendo em vista que monumento se trata de alguma construção ou relevo geologico como no caso que faça mençao ao lugar ou torne obvia a sua vinculação, dai o termo "monumento ecologico". ao leitor que falou sobre o plano diretor...que vergonha ein... nao se lembra da sacanagem que foi o plano diretor de natal??? procure sobre "operação impacto" e os seus 11 "heroes". falaram em uma reportagem (o lider comunitario da vila de ponta negra) que as obras trariam prosperidade para a regiao e etc etc, caraca nunca vi uma declaração tao vergonhosa, era implicito o incentivo financeiro que o cidadão(suposto lider comunitario) recebeu, demonstrando assim uma atitude no minimo mercenaria! sim a cidade precisa crescer, eh verdade. mas nao dessa forma, precisamos preservar os nossos monumentos (simmm o morro do careca é um monumento natural) para assim preservar a ideia de cidade praiana linda e unica. finalizando so posso desejar tudo de bom a dra. gilka e a todas as pessoas envolvidas no movimento para a preservação de nossa cidade e caso precisem de apoio podem contar com minha ajuda!
dethaak@...04/02/2010 @ 12h49
Nós do Movimento filhos de Ponta e a Sociedade Civil Organizada, não esperávamos outro parecer em se tratando da Doutoura Rosa Pinheiro. Aproveito para informar , que a População da cidade do Natal não quer perder o seu maior patrimônio Paisagistico. E essa noite, reunidos muitas outras entidades somoram-se a esse coro. Os filhos do Rio Grande do Norte defenderão o conjunto de Dunas em questão, fazendo valer a Constituição Federal. Turismo se vende com paisagens e não com músculos de aço e artérias de concreto. Natal um mar de Poesias! Elevo a Senhora da Apresentação a doce prece No idílio cantado em lirismo, a ti oh! Deidade No alumbre da noite que ao dia hara entardece Este mar que banha areia da Natal cidade... Luzeiro de contas que a Via Costeira oferece Como a ribalta que cintila, é bem verdade, Ao refletir na Ponta Negra a que mais perece Entre vigas de aço e concreto, a cruel realidade! Que o olhar criva o pergaminho, e assim desperta Em poemas ao Morro do Careca sua obra viva, Reluzindo a pena em versos e ao criador decreta! Natal um mar de poesias! A miragem ora absorvida No Rio Potengi, margeia as Dunas, e a Vila aflita; Indaga que será de ti, se essa aldeia for destruída? ?A Poetisa dos Ventos? Deth Haak Sociedade dos Poetas Vivos e Afins ? RN Academia de Trovas do - RN Cônsul Poeta Del Mundo ? RN Cercle Univ. Ambassadeurs de la Paix Genebra - Suiça -
bcpc2020@...04/02/2010 @ 22h12
Quem é a Arquiteta Rosa Pinheiro? Com base em que laudo técnico ela emitiu sua tão poderosa opinião que fez com que a Prefeita retirasse o alvará? A Opinião da Arquiteta Rosa Pinheiro foi suficiente para "desmerecer" o laudo técnico emitido por uma equipe competente da SEMURB!??????? A prefeita cancela o alvará de construção e o MPU AINDA NAO TEM o LAUDO TËCNICO que foi pedido a UFRN!??? - "mas ainda não há previsão para receber o laudo da Universidade" Com base em que querem que se respeite a natureza se por outro lado se toma decisões importantes sem nem um laudo técnico!?!??? Esse é o Brasil da hipocresia!!!
bcpc2020@...04/02/2010 @ 21h56
Ninguém se preocupou com o impacto paisagismo na Via Costeira tanto para o oceâno quanto para o cordã das dunas quando fizeram essa reforma MEDONHA há pouco tempo. Engraçado como algo que deveria ser tratato de forma técnica tem dois pesos e duas medidas. A Via Costeira está uma verdadeira "seboseira" VISUAL!! É incrível o que conseguiram fazer ali. Cadê o estudo de impacto paisagistico dali!? "Crianças, não façam isso em casa! Pelo amor de Deus! Ninguém vai denunciar aquilo ali ?! Sinceramente, talvez nem seja bom, porque quizás agora os delinquentes que dirigiam por ali estejam mais controlados. Quem se importa com o impacto paisagistico!? ? igual a piada do pinto que nao sentia nada: Nao vejo o mar, nao vejo as duna, nao vejo o MONUMENTO morro do careca. Queria ver isso passar em PARIS, Dras. Rosa, Gilka e Micarla, que apesar do frio est?em melhor do que Ponta Negra ABANDONADA!!!!!!! EIFFEL recomenda ainda: Cuidado com o impacto paisagístico do projeto da Copa! Melhor usar o campo de barro da vila de pescadores da Vila de Ponta Negra. Os franceses vão achar o máximo e vão se sentir em casa!!!!
cabral.beto@...28/05/2010 @ 11h27
Finalmente um ponto a favor dos natalenses. As grandes empreiteiras já destruíram a visão do Parque das Dunas nos cercando com um muro de edifíceis que simplesmente deu aos donos dos apartamentos uma paisagem que era de toda a cidade.Agora querem fazer isso com o nosso ainda cartão postal. Tudo isso em busca do lucro. O mesmo lucro que move a especulação imobiliária que empurra os natalenses naturais cada vez mais para longe da sua cidade natal. Enquanto pessoas de outros lugares do Brasil(com mais poder aquisitivo, claro) adquirem mais e mais residências em Natal para fugirem do caos que suas cidades se tornaram e aproveitarem a qualidade de vida que ainda existe por aqui, os natalenses esquecidos(e com menos poder aquisitivo) vão enfrentando problemas básicos como falta ou(quando existe) baixa qualidade na assistência à saúde, sem citar o transporte coletivo ineficiente. Sendo assim, aos poucos os natalenses lisos são substituídos por pessoas com grana e que não têm o mesmo vínculo com a cidade nem precisam do tranporte ou saúde públicos. Às vezes acho que só um tsunami salva essa cidade.
Tribuna do Norte