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Natal, 24 de Maio de 2012 | Atualizado às 00:39

Lençóis maranhenses

Publicação: 19 de Janeiro de 2012 às 00:00
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Alcyr Veras -  Economista e professor universitário

Hoje, deixo de abordar assuntos relacionados com a área da economia para tecer comentários um tanto quanto coloquiais, dis-correndo sobre amenidades recheadas de ligeiros traços sentimentais, sem, contudo, exagerar nas cores chauvinistas. Em primeiro lugar, gostaria de referir-me a uma data histórica, significativamente relevante para mim este ano. Trata-se da comemoração dos quatrocentos anos de fundação da cidade de São Luís, capital do Estado do Maranhão. São Luís foi fundada em 8 de setembro de 1612 pelos franceses, sob o comando de Daniel de La Touche, Senhor de La Ravardiere, cuja denominação (São Luís) teria sido uma homenagem a Luís XV, rei da França nessa época.

Nascí no município de Barreirinhas, naquele Estado, onde está localizado o "Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses," uma gigantesca imensidão de dunas que se espalham por 155 mil hectares, ou seja, 1.550 quilômetros quadrados. Paradoxalmente, assemelha-se a um vasto deserto que alterna finíssimas camadas de areia com depressões cheias de água doce.

A cidade de Barreirinhas é banhada por um rio de nome curioso e inusitado  ??  chama-se Rio Preguiças (qualquer semelhança com o espírito laboral maranhense é mera coincidência). Pela força dos ventos, essas dunas se movimentam do dia para a noite, formando uma sucessão de pequenas lagoas de água cristalina e montes de areia que chegam a atingir 35 metros de altura. Ocupam uma área equivalente a quase duas vezes o tamanho da ilha de São Luís. Por ser uma imponente e deslumbrante obra-prima da natureza, arrisco dizer, sem nenhum chauvinismo, repito, que os lençóis Maranhenses poderiam ser considerados como mais uma das notáveis Maravilhas do Mundo.

Contam as lendas populares que nas noites claras de luar, lindas mulheres, de longos e esvoaçantes cabelos negros, conhecidas como "mães-d'água", emergem do mar e vão remexer as brancas areias à procura de seus amados, supostamente soterrados pelo movimento das dunas. Lendário à parte, os mais românticos atribuem à cidade de São Luís cognomes como a "Ilha do amor e do reggae" - ritmo musical jamaicano muito aplaudido. A capital maranhense dispõe de um Centro Histórico que abriga o maior conjunto de arquite-tura portuguesa fora de Portugal, tendo sido o mesmo tombado como Patrimônio da Humanidade pela UNESCO. Em matéria de folclore regional, podemos citar, entre outros, o Tambor de Crioula e o Bumba-meu-boi. O "arroz de cuxá," servido com filé de pescada amarela, é uma pérola da culinária. Acrescente-se ainda as frutas típicas, como a jussara (açaí), piqui, buriti, murici, bacuri, bacaba e puçá.

Em rodas de animados "papos" nos intervalos de aulas, na UFRN, com meu colega e amigo Joanilson de Paula Rego, costumava ele dizer que "eu viera de uma terra culturalmente dadivosa para outra incorrigivelmente acolhedora". Então, com o mesmo tom de humor e lúdico devaneio, eu respondia: vim da terra das palmeiras onde canta o sabiá (nos melancólicos e líricos versos oriundos da genialidade poética de Gonçalves Dias), do ensaísta Alvares de Azevedo, do dramaturgo Arthur Azevedo, do abolicionista Raimundo Correia, para os alumbramentos da terra de Padre Miguelinho. Vim da terra de Coelho Neto, de Graça Aranha, de Viriato Correia e de Ferreira Gullar para a terra de Nísia Floresta e de Henrique Castriciano. Vim da terra de Humberto Campos (de quem guardo parentesco materno), dos imortais da Academia Brasileira de Letras, como Odílio Costa Filho e Josué Montello, para a terra do inexcedível historiador e folclorista Luís da Câmara Cascudo.


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