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Natal, 24 de Maio de 2012 | Atualizado às 23:17

Livro inédito de Bolaño chega às livrarias

Publicação: 05 de Fevereiro de 2010 às 00:00
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Por Ubiratan Brasil

O baú do escritor chileno Roberto Bolaño (1953-2003) continua sem fundo. As livrarias da Espanha receberam ontem exemplares de "O Terceiro Reich", romance inédito cuja descoberta foi anunciada durante a Feira de Frankfurt do ano passado por seu agente, Andrew Wylie, conhecido como 'Chacal'.

O lançamento, pela editora Anagrama, foi considerado um acontecimento literário entre os espanhóis e o livro deverá chegar ainda neste ano ao Chile, Argentina, México, Uruguai e Venezuela, entre outros países latinos de língua espanhola - no Brasil, a obra de Bolaño é editada pela Companhia das Letras, que promete para maio a edição de outro romance póstumo, "2666", lançado em 2004.

Escrito à máquina e corrigido à mão em 1989, "O Terceiro Reich" traz alguns dos temas recorrentes na obra do escritor chileno como "as estranhas formas e deformações do nazismo que se tornam realidade na cultura", segundo avaliam os editores espanhóis.

Trata-se de uma narração em forma de diário escrito por Udo Berger, um jovem alemão de 25 anos apaixonado por jogos de guerra. Campeão em seu país, ele também escreve artigos sobre o tema em revistas especializadas. Berger viaja de férias à Costa Brava, região noroeste da Espanha, onde se hospeda no Hotel del Mar, justamente o local onde passava os verões quando criança. O retorno marca sua primeira viagem ao lado da noiva Ingeborg.

Lá, apesar do clima de descanso, Berger procura relaxar a seu modo: instala na mesa redonda de seu quarto um tabuleiro com hexágonos do Terceiro Reich e fichas de batalha. Ao mesmo tempo, ele e Ingeborg conhecem outro casal de alemães, na danceteria do hotel, e logo programam atividades juntos.

Depois de uma noite regada a muita bebida, os quatro decidem ir à praia e lá Charly, o rapaz do outro casal, desaparece. Quando sua ausência é quase determinada como morte, ele reaparece e seu retorno desperta reações inesperadas entre os quatro jovens.

Considerado um dos melhores escritores latino-americanos surgidos no fim do século passado, Bolaño alcançou repercussão internacional graças aos elogios que recebeu em 2008 da crítica norte-americana, especialmente depois do lançamento de 2666 em inglês. Em pouco tempo, o autor tornou-se "um talismã da cultura literária dos Estados Unidos", segundo assegurou o jornal "The New York Times". Naquele mesmo ano, a obra foi considerada o melhor livro do ano pela revista "Time", além de faturar o National Book Critics Circle Award.

Bolaño, no entanto, era um velho conhecido da crítica latina - quando morreu em julho de 2003, aos 50 anos, em Barcelona, jornais e revistas de praticamente todo o continente lamentaram o desaparecimento de um dos três principais autores contemporâneos da América.

Sua obra era motivo de discussões e elogios também na Europa, especialmente por conta dos periódicos franceses "Le Monde" e "Libération", além de figurar na cabeceira de nomes famosos como Susan Sontag. Bolaño até mesmo inspirou um dos personagens principais de "Soldados de Salamina" ("W11"), aclamado romance do espanhol Javier Cercas.

A escrita de Bolaño tornou-se marcante por abordar temas explosivos sob um refinamento intelectual único, que utiliza tanto o terror político como a íntima relação entre o mal e a literatura como ingredientes principais. Sua morte prematura foi graças a uma enfermidade hepática, quando ele aguardava um transplante de fígado.

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