Amã (AE) - Diante das pesquisas positivas de intenção de voto - com a ministra Dilma Rousseff crescendo e encostando no rival tucano, o governador José Serra (SP) -, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que os resultados são decorrentes do trabalho da candidata petista como coordenadora do PAC 1, o Plano de Aceleração do Crescimento. Por isso, acrescentou, o governo já está finalizando o PAC 2, a ser lançado no final deste mês.
Ricardo Stuckert/PR
Presidente Lula na Jordânia: exaltação à ministra Dilma, proposta de parcerias comerciais e gafes
Marco Aurélio Garcia, assessor de Lula para Assuntos Internacionais e coordenador do programa de governo da Dilma, disse que as pesquisas mostram que ela está "se revelando uma boa candidata" e que "toda tentativa de desconstrução" da imagem da ministra "não vingou". Segundo pesquisa Ibope, divulgada na quarta-feira, apenas cinco pontos porcentuais separam Dilma de Serra nas intenções de voto.
Lula justificou o PAC 2 - apesar de muitas das obras do PAC 1 estarem atrasadas ou nem terem saído do papel - com a necessidade de investimentos para a realização da Copa do Mundo de 2014 no Brasil e das Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro. "Não posso deixar para o novo presidente pensar o projeto e fazer. Tenho de deixar as coisas andando", afirmou, ao lembrar que seu mandato termina em 31 de dezembro. "Obviamente que não é um PAC para este governo Lula, para o governo Dilma, para o governo Serra, o governo Marina (Silva, candidato do Partido Verde). É uma proposta de desenvolvimento para o Brasil", completou.
Lula também disse que qualquer que seja o vencedor das eleições de outubro, o Brasil "não abrirá mão" da estabilidade, do controle da inflação, do investimento público em obras de infraestrutura e da distribuição de renda. "Essas são as condições sem as quais nenhum país dá certo", afirmou, em discurso para uma plateia de empresários jordanianos e brasileiros.
Voltou a defender um Estado mais forte. Mas esclareceu que não se referia a um "estado-estatista", mas a um Estado capaz de ser indutor do desenvolvimento. "Se o Estado tivesse cumprido o seu papel, o Lemon Brothers não tinha falido. No Brasil, isso não teria acontecido", afirmou.
Lula defendeu ainda que as razões do sucesso da economia brasileira e de sua menor exposição aos efeitos da crise financeira global foram a expansão da oferta de crédito e a ampliação do mercado interno, por meio de políticas de distribuição de renda.
Presidente defende acordo com a Jordânia Amã (AE) - O presidente Lula anunciou ontem, a empresários brasileiros e jordanianos, que tratará a conclusão de um acordo de livre comércio entre o Mercosul e a Jordânia como a prioridade da presidência temporária do Brasil no bloco, no segundo semestre. A primeira reunião para explorar o tema se dará em abril na Argentina. O objetivo de concluir o acordo ainda neste ano, entretanto, foi considerado impossível por um de seus colaboradores, que lembrou que a negociação do acordo Mercosul-Israel demorou dois anos.
Antes de embarcar para Damasco, na Síria, o chanceler Celso Amorim havia reforçado essa prioridade na agenda do Brasil no Mercosul e informado sobre os avanços nas negociações semelhantes com o Egito. Conforme alegou, é uma "ilusão" pensar que a negociação com um país pequeno não interessa. "Nos Estados Unidos, os exportadores tentam furar o bloqueio econômico para vender a Cuba", completou.
Ao discursar no Seminário "Brasil-Jordânia: Perspectivas de Comércio e de Investimentos", Lula defendeu um maior engajamento entre os setores privados dos dois países e mencionou o interesse brasileiro em cooperar na área de energia renovável; em fechar contratos de venda de aviões - há perspectivas para os Super Tucanos da Embraer - e de obras de infraestrutura - a Camargo Correa pretende conduzir o projeto da transposição de águas do Mar Vermelho ao Mar Morto.
Com deslizes já repetidos em outros países árabes, o presidente encerrou ontem sua visita ao Oriente Médio. Assim como no caso imediatamente anterior, na Turquia, o constrangimento de boa parte da plateia a quem Lula se dirigia começou quando ele defendeu que o Brasil deveria agir como um "mascate".
Lula trocou o nome do primeiro-ministro jordaniano, Samir Rifai, chamou-o de "turco" e ainda designou a Jordânia como um país pobre. As gafes ocorreram durante o improviso do presidente no Seminário de Comércio, que reuniu cerca de 500 empresários jordanianos.