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Política

Natal, 23 de Novembro de 2009 | Atualizado às 21:34

Lula defende energia nuclear no Irã

Publicação: 24 de Novembro de 2009 às 00:00
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Brasília (AE) - Em entrevista concedida no Palácio do Itamaraty, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a política iraniana de enriquecimento de urânio afirmando que ela está voltada para fins pacíficos. A declaração foi feita ao lado do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad. Um repórter perguntou a Lula por que o Brasil estaria insistindo em intermediar um entendimento sobre o assunto entre o Irã e a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), já que os iranianos não estariam dispostos a fazer concessões. O presidente brasileiro respondeu: “O Brasil não insiste. O Brasil tem um modelo de energia nuclear reconhecido pelas Nações Unidas e pela Agência Internacional de Energia Atômica e avalia que o Irã tem o direito de produzir urânio enriquecido para fins pacíficos como o Brasil desenvolve.”

José Cruz/ABrPresidente Lula cumprimenta Ahmadinejad no Palácio do ItamaratyPresidente Lula cumprimenta Ahmadinejad no Palácio do Itamaraty
Lula relatou que Ahmadinejad lhe apresentou a proposta iraniana de uma política de enriquecimento de urânio em duas oportunidades - em Nova York e ontem, em Brasília. “O que defendemos para o Brasil nós defendemos também para os outros países”, afirmou.

Ao discursar, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, advertiu que seu país terá condições de produzir o combustível nuclear necessário ao funcionamento do reator de Teerã, caso as seis potências nucleares não recuem em suas novas exigências sobre o acordo mediado pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), em Viena. Ahmadinejad insistiu que seu país propôs o acordo original e está disposto a buscar no exterior o combustível. Mas completou que não pode permitir que os fornecedores imponham as condições e que seu país não abrirá mão de seus “direitos legais”.

“Nenhum país independente aceitaria essa proposta. As pessoas, no Irã, não a aceitarão”, afirmou Ahmadinejad, no Itamaraty, ao ser questionado sobre sua relutância em aceitar o acordo de Viena, “Se  as pessoas forem chamadas a produzir (o combustível nuclear), elas o farão”, completou, chamando atenção ao pouco tempo que resta para o esgotamento do combustível disponível no Irã, em meados de 2010.

O líder iraniano posicionou-se, com essas declarações, de forma mais clara sobre o acordo que permitiria o acesso de Teerã à quantidade necessária para o suprimento do reator e o início de uma negociação mais profunda com as seis potências - Estados Unidos, França, Inglaterra, Rússia, China e Alemanha - em torno do programa nuclear de seu país. Ao responder a questão, Ahmadinejad enfatizou a contrariedade de seu governo com os volumes de urânio enriquecido que devem deixar o Irã e retornar ao país na forma de combustível.

Tal como foi fechado em Viena e encaminhado a Teerã, o acordo prevê que o Irã envie todo o seu estoque de urânio, enriquecido em até 5%, para a Rússia. Esse país elevaria esse teor a 20% e despacharia a carga para a França, onde seria transformada em combustível nuclear. O produto final voltaria ao Irã, para abastecer o reator de Teerã, cuja finalidade é a produção de radio-fármacos.

Irã apoia Brasil no Conselho de Segurança

Brasília (AE) - O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, defendeu, em discurso, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio do Itamaraty, uma reforma do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) e a inclusão do Brasil nesse organismo como integrante permanente. “Apoiamos o Brasil como um membro permanente”, declarou.

Ele criticou o fato de vários países não terem direito a voto no Conselho de Segurança da ONU e defendeu a ampliação desse direito a outras nações. Afirmou que o conselho fracassou nos últimos 60 anos. A razão do fracasso está no “poder de veto, limitado a um número de integrantes permanentes”, disse, referindo-se aos 5 países - Estados Unidos, China, Rússia, França e Reino Unido - que lutaram na 2ª Guerra Mundial contra o eixo composto por Alemanha, Itália e Japão. Qualquer um desses países podem anular proposta apresentando um voto negativo, mesmo que tenha sido aprovada por todos os demais.

No início do discurso, Ahmadinejad afirmou que sua visita ao Brasil marca “um salto” nas relações entre os dois países, criticou o que chamou de “países que querem manter o domínio do mundo com um sistema econômico capitalista unilateral” e reclamou de um “ataque cultural de outras nações” contra o Irã.

Ahmadinejad chamou de “bom amigo” o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e disse que os dois estão tentando construir um mundo”de paz, amizade e justiça”. Defendeu mudanças também no Fundo Monetário Internacional (FMI) e no Banco Mundial, com vistas ao desenvolvimento e à cooperação igualitária entre as nações. O FMI e o Banco Mundial, segundo ele, só têm servido a um número determinado de países. Disse que a mudança que prega é no sentido de que essa ajuda se estenda a outros países.

A fórmula da estrutura econômica mundial tem que mudar, disse Ahmadinejad, assim como a estrutura cultural, “que não pode ser imposta”.

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