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Jornal de WM

Natal, 05 de Setembro de 2010 | Atualizado às 19:11

Lula e a ideologia dos aloprados

Publicação: 11 de Março de 2010 às 00:00
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A manchete da Folha de S. Paulo repicou nos quatros cantos do país: “Lula compara preso político de Cuba aos bandidos de São Paulo”. Lula anda falando mais que o seu companheiro Hugo Chávez, o que me faz lembrar a frase do Rei da Espanha, advertindo o presidente venezuelano: “Por que não te calas?”. Lula não se cala nunca no seu palanque ambulante. Agora, o presidente petista se põe na linha do front para defender a ditadura de Fidel Castro. As últimas declarações de Lula geraram as manchetes dos principais jornais do país. O Estadão, de ontem, deu na capa: “Lula defende regime cubano e compara dissidente a criminoso”.

Quem melhor conta essa história é o jornalista Josias de Souza. Está no seu saite da Folha de S. Paulo:

- Se o bom senso tivesse de escolher um epitáfio, optaria pelo seguinte: “Aqui jaz uma vítima dos aloprados de todas as ideologias”. Lula, exausto da própria inteligência, assassinou o bom senso em fatídica viagem a Cuba. Na ilha de Fidel, lamentou que um preso “se deixe morrer de greve de fome”.

- Desde então, num esforço inútil para esconder o caixão, o presidente despeja sobre o bom senso sucessivas camadas de “explicações”. Nesta terça (9), em entrevista à Associated Press, Lula levou à sepultura do bom senso mais uma pá de “esclarecimentos”:

- Pediu respeito às leis da ditadura dos irmãos Fidel e Raúl Castro: “Temos de respeitar a determinação da Justiça e do governo cubano de deter pessoas em razão da legislação de Cuba, como quero que respeitem o Brasil”.

- Vigora em Cuba uma monstruosidade chamada “Lei de periculosidade”. Prevê a detenção de pessoas que o Estado considere “perigosas”. Para descer ao calabouço, o sujeito não precisa cometer crimes. Basta que a ditadura diga que o camarada, por “perigoso”, pode delinquir.

- Para Lula, coisa normal. O presidente voltou a condenar os que, em desespero, morrem à privação alimentar: “Acredito que a greve de fome não pode ser usada como um pretexto de direitos humanos para libertar as pessoas”.

- Como que decidido a desperdiçar a nova oportunidade para tomar distância do túmulo do bom senso, Lula exorbitou. “Imagine se todos os bandidos presos em São Paulo entrassem em greve de fome e pedissem a liberdade”. Foi como se Lula cuspisse no caixão do dissidente cubano Orlando Zapata Tamoyo, igualando-o  a um Marcola qualquer.

- Num rasgo de benevolência, Lula disse que gostaria que a prisão de opositores da ditadura de Cuba “não acontecesse”. Mas... “Mas não posso questionar as razões pelas quais Cuba os deteve, como também não quero que Cuba questione as razões pelas quais há pessoas presas no Brasil”.

- Como se vê, no afã de explicar o inexplicável, Lula recorreu ao inadmissível. Antes, soara insensível. Com as novas declarações, converteu-se num aloprado ideológico. É pena que o presidente esteja cercado de assessores que, vítimas da mesma alopragem, concordam com cada palavra pronunciada por ele.

- Não há no Planalto ninguém capaz de dar ao chefe um conselho útil: Presidente, por favor, traga suas opiniões na coleira.

Lavoisier

A Câmara de Vereadores de Natal fará sessão especial no dia 30 para a entrega do título de Cidadão Natalense ao deputado Lavoisier Maia. Com todos os merecimentos. O ex-governador e ex-senador é paraibano nascido em Catolé do Rocha. Caminha para os 82 anos.

Cadê a chuva?

Lá se vão duas semanas sem chover no sertão e nem nos tabuleiros costeiros, tirando meia dúzia de chuvas finas isoladas, duas no Seridó, outras no Oeste. Já tem gente no meio do terreiro rezando para São José, cujo dia será daqui a uma semana.

O boletim de ontem da Emparn registra uma neblina de 1 milímetro em Barra do Maxaranguape. A Funceme aponta chuviscos em 9 municípios cearenses, o maior deles, de 10 milímetros, em Uruoca, litoral Norte do Estado.

Chuva mesmo no Nordeste somente  no Sul do Piauí e do Maranhão e boa parte da Bahia. A previsão para hoje do CPTEC/Inpe, entre o Recôncavo Baiano e o Rio Grande do Norte e Ceará, “é de sol entre poucas nuvens”.

Lixão

O Ministério Público sobrevoou Natal, das praias ao Morro do Guarapes, divisa com Macaíba; do Morro do Careca, em Ponta Negra, aos mangues da divisa com São Gonçalo do Amarante; das águas do rio Pitimbu, divisa com Parnamirim, até aos tabuleiros da Zona Norte, divisa com Extremoz e constatou, lá de cima, céu azul,  aquilo que se vê andando pelo chão desta terra de Poti mais suja: Natal é a capital brasileira do lixão.

É bom que diga que tudo é muito bem organizado. O lixão a céu aberto tem parceria de empresas terceirizadas pela prefeitura com a própria. Quer dizer: com a própria prefeitura.

José Américo

A Paraíba lembrou ontem os 30 anos da morte de José Américo de Almeida, um de seus filhos mais ilustres: político e intelectual. Dos nossos maiores escritores (autor de A Bagaceira, que abriria o ciclo do romance nordestino), foi  ministro de Estado, senador e governador de sua terra.

Livro de Ana Luíza

Começo da noite (19 horas) de hoje na Potylivros do Praia Shopping, caminhos de Ponta Negra, tem o lançamento do livro de poemas de Ana Luíza Burlamaqui da Penha, Das apresentações, Prêmio Othoniel Menezes de Poesia – 2008.

Li, gostei e gosto da poesia de Ana Luíza. A mesma “grata surpresa” sentida pelo poeta e acadêmico Paulo de Tarso Correia de Melo, que disse mais: “É um discurso lírico amoroso original que mexeu comigo”.

Gostei também do prefácio de Marcos Antônio Filgueira. Desliza sua prosa sem catabios, sabendo dos caminhos, veredas e desvios da arte de escrever. Simplicidade na hora de dar o recado certo. Correto.
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