Cabrobó (AE) - Em tom de campanha, ao encerrar viagem de três dias ao semiárido, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aumentou ontem as críticas ao PSDB e ao governador de São Paulo, José Serra. Durante entrevista em um canteiro de obras do projeto de transposição do Rio São Francisco, a 530 quilômetros do Recife, ele disse que os adversários são "homens ociosos".
Helia Sheppa/JC
Lula da Silva e comitiva visitam obras na agrovila de Junco, no município pernambucano de Cabrobó
"A pior coisa do mundo é a ociosidade. Um bando de homens sem ter o que fazer é uma desgraça", afirmou o presidente, respondendo a uma pergunta dos jornalistas sobre as críticas feitas por Serra aos projetos federais de combate à seca.
Lula avaliou que não cometeu ato falho ao dizer, em dois discursos ao longo da viagem, que participava de comícios. "Qual é a diferença entre ato de inauguração e falar com trabalhadores? Qual a diferença de comício? Acho que não cometi ato falho." Minutos depois, repetiu: "Eu não cometi ato falho".
Pouco antes de fazer essas declarações, Lula afirmou, em discurso, que os adversários ficam sentados com a "bunda" na cadeira falando mal das obras do governo. Sem citar nomes, reclamou que muitos oposicionistas não deixam claro o que realmente desejam para o governo.
"A oposição é como jogador que está num banco de reservas. Diz que é amigo de quem está jogando, mas está torcendo para o outro se machucar ou tomar cartão vermelho para tomar o lugar", declarou. "O papel da oposição é ficar xingando e falando certas coisas".
Na quarta-feira, Serra criticou a falta de investimentos em irrigação para as comunidades ribeirinhas. "Você vai fazer a transposição do São Francisco, tudo bem. Agora atenda também as áreas que estão na beirada do rio e que deveriam ser irrigadas. Isso foi paralisado".
Além das farpas, o comando do PSDB vai à Justiça Eleitoral contra Lula por propaganda antecipada em favor da ministra-chefe da Casa Civil e pré-candidata, Dilma Rousseff, que também foi ao semiárido.
Ontem, Lula ainda atacou o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) ao ser perguntado sobre suas insistentes críticas ao Planalto. "Ninguém vai sair do anonimato às minhas custas", advertiu. "Um presidente da República não pode ficar pensando em coisas menores". O único momento de trégua foi quando ele lembrou que o projeto de transposição do São Francisco sofreu ataques até do PT durante o governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002). "Os companheiros do PT eram contra a transposição", admitiu o presidente, diante de cerca de 500 pessoas, a maioria trabalhadores das obras, que acompanharam o discurso.
Lula provocou risos na plateia ao brincar que não era para o público usar o canal da transposição para lazer. "Não quero que as pessoas entupam o canal, mergulhando aí", disse. "Vai ser a maior piscina do mundo. Quando os astronautas forem à lua, não vão ver apenas a Muralha da China, mas também o canal de transposição do São Francisco". Lula, por fim, frisou que a viagem não tem caráter eleitoral. "Transposição não rima com eleição. A transposição é um sonho antigo deste País".